Integradores, empresários e representantes do setor de energia solar realizaram nesta terça-feira (30) uma manifestação em frente à sede da Neoenergia Brasília, na capital federal, para cobrar soluções para atrasos em processos relacionados à GD (geração distribuída).
Segundo a ABES (Associação Brasiliense de Energia Solar), alguns casos acumulam pendências há mais de 600 dias. A mobilização reuniu mais de 100 profissionais do setor e culminou em uma reunião entre representantes da associação e executivos da distribuidora.
Em entrevista ao Canal Solar, Hugo Braga, membro da ABES, afirmou que a manifestação foi motivada pelo acúmulo de demandas represadas envolvendo vistorias, conexões, faturamento e atendimento. “Estamos com muita demanda represada que a Neoenergia não estava tocando. As vistorias vêm sendo feitas há muito tempo e a situação já estava muito ruim. Temos usinas aguardando ligação há mais de um ano”, disse ele.
Segundo Braga, a situação se agravou nos últimos meses após mudanças nos sistemas internos da distribuidora. “Há cerca de dois meses, a Neoenergia trocou o sistema. Com isso, muitos consumidores e empresas que atuam no mercado de energia passaram a enfrentar dificuldades, incluindo casos em que clientes deixaram de receber os descontos previstos”, afirmou.
Associação aponta cinco grupos de problemas
Em documento apresentado durante a reunião com a diretoria da Neoenergia, a ABES dividiu as reclamações do setor em cinco grandes blocos de problemas.
O primeiro grupo envolve questões técnicas e regulatórias, incluindo exigências de substituição integral do padrão de entrada mesmo sem aumento de carga, ausência de procedimentos claros para atualização de equipamentos em projetos já aprovados, reprovações consideradas fora do escopo regulatório e atrasos na emissão de documentos relacionados aos processos de conexão.
A entidade também questiona restrições impostas por alegações de inversão de fluxo sem a apresentação dos estudos técnicos correspondentes.
O segundo bloco reúne problemas relacionados ao atendimento, como a centralização das demandas em um único canal, restrições ao atendimento especializado e dificuldades para resolver questões envolvendo projetos, obras, faturamento e regularização.
Já o terceiro grupo trata de atrasos em obras e vistorias, incluindo casos de empreendimentos já aprovados e concluídos que permanecem impedidos de iniciar operação, além da indisponibilidade de equipamentos necessários para a conexão.
A associação também relata falhas operacionais no portal de projetos da distribuidora, como instabilidade do sistema, dificuldades para atualização de projetos e sucessivas reprovações.
Por fim, a ABES aponta problemas relacionados ao faturamento e à compensação de créditos de energia, incluindo atrasos na emissão de faturas, inconsistências sistêmicas, desaparecimento de créditos após migração de sistemas e erros de medição.
Neoenergia se compromete a criar canais de atendimento
Como resultado da reunião, a Neoenergia Brasília se comprometeu a criar canais de atendimento exclusivos para demandas específicas do setor solar. A medida deverá contemplar processos de vistoria e questões relacionadas ao faturamento e à compensação de créditos de energia.
A reportagem do Canal Solar procurou a Neoenergia Brasília para comentar as reclamações apresentadas pela ABES e atualizará esta matéria caso a distribuidora encaminhe um posicionamento oficial.
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