Quais os principais motivos que fazem um sistema FV perder performance?

Painel de discussão discorreu sobre o tema e assuntos como fator de disponibilidade e inteligência artificial em projetos
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Painel de discussão sobre vistoria e acompanhamento de performance de usinas fotovoltaicas. Foto: Canal Solar

Com colaboração de Henrique Hein

Falhas de equipamentos, perdas causadas pela interrupção de energia das concessionárias e fatores incontroláveis, como a queda de irradiação e a sujidade dos painéis, são os principais fatores que culminam na perda de performance dos sistemas fotovoltaicos no Brasil.

Essa foi apenas uma das principais conclusões dos profissionais que participaram do primeiro painel de discussão do segundo dia do Canal Conecta, que está sendo realizado nesta quarta-feira (25), em São Paulo (SP).

Gustavo Souza, especialista em performance de usinas solares na GreenYellow, explica que hoje cerca de 50% de todas as perdas monitoradas pela empresa ocorrem por causa de falhas em equipamentos, como inversores, trackers e transformadores.

“Os motivos para que essas falhas variam e podem ocorrer desde a fase de construção de uma usina, passando pelo comissionamento e, até mesmo, em muitos casos, ocorrer por causa de um ‘ponto em branco’ que ficou esquecido no início do desenvolvimento do projeto e que foi para a operação”, relatou.

O executivo disse que os demais 50% são ocasionados por perdas causadas pelas concessionárias – quando há queda de energia na rede – e outras perdas que não afetam a disponibilidade de uma usina solar, mas que prejudicam a performance dos equipamentos, como módulos fotovoltaicos empoeirados.

Fator de disponibilidade

Felipe Ronchini, coordenador de Construção na Brasol, comentou sobre o fator de disponibilidade das usinas solares, que, em sua visão, é um dos grandes vilões da performance.

“O trabalho que se faz para mitigar o tempo de indisponibilidade é fundamental, como a atuação em garantias de formas rápida e ter, principalmente, parceiros de O&M (Operação e Manutenção), com capacidade de fazer despachos locais de forma rápida e efetiva”, destacou.

“Na Brasol, batemos muito na tecla de qualificação e qualidade do parceiro que faz o despacho. Assim, é preciso buscar parceiros sólidos, conscientes e pegar pontos que, às vezes, as pessoas deixam de avaliar. Um conhecimento profundo e sólido no equipamento, por exemplo, é um diferencial, bem como o conhecimento em segurança do trabalho”, acrescentou Ronchini.

Inteligência artificial

Gustavo Malagoli, diretor de Desenvolvimento de Negócios e Tecnologia da (re)energisa, também esteve presente no painel e discorreu sobre a importância do uso de inteligência artificial nos projetos.

“Se não houver O&M bem feito com digitalização, muitas vezes com robotização, corremos o risco de grandes investidores, como a Brasol, de olhar e falar: isso não está dando o retorno que deveria, e talvez por um O&M inadequado”, afirmou.

Como exemplo, Malagoli citou a importância da realização, principalmente, de termografia aérea dotada de algoritmos de inteligência artificial – que se comunicam com sistema SCADA e cruzando dados – para ganhar tempo e aumentar a produtividade no processo de robotização.

Imagem de Mateus Badra
Mateus Badra
Jornalista graduado pela PUC-Campinas. Atuou como produtor, repórter e apresentador na TV Bandeirantes e no Metro Jornal. Acompanha o setor elétrico brasileiro desde 2020.

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