A queda dos preços da energia no Mercado Livre de Energia impactou o volume financeiro negociado em maio na BBCE (Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia).
A plataforma (que atua como o principal ambiente organizado para negociação de contratos de energia elétrica no país) registrou cerca de R$ 3,8 bilhões em transações no período, resultado 34,3% inferior ao observado em abril e 49% menor na comparação com maio de 2025.
Já o volume de energia negociado somou cerca de 15 TWh, uma retração de 39,5% em relação ao mês anterior e de 49,5% na comparação anual. O número de operações também recuou em maio: foram registrados 2,6 mil negócios, o que representa queda de 23,6% frente a abril e de 50% em relação ao mesmo mês do ano passado.
Segundo o diretor de Produtos, Comunicação, Marketing e Relações Institucionais da BBCE, Eduardo Rossetti, a desvalorização dos contratos para entrega em 2026 foi um dos principais fatores por trás da retração observada no mercado.
Entre os produtos que registraram as maiores quedas de preço estão os contratos convencionais para fornecimento no Sudeste. O produto com entrega em julho recuou 25,11%, encerrando o período cotado a R$ 207,64/MWh.
Na sequência aparecem os contratos para junho, com queda de 20,99% e preço de R$ 208,57/MWh; maio, com retração de 19,93% e cotação de R$ 222,54/MWh; e o produto 3T2026, que caiu 15,04%, para R$ 245,51/MWh.
No mesmo período, os produtos de spread seguiram trajetória oposta e registraram valorização.“O movimento reflete as condições hidrológicas e as perspectivas climáticas para os próximos meses, em um contexto de El Niño, além das revisões de carga para patamares inferiores aos projetados anteriormente”, afirmou Rossetti.
Contratos seguem em queda em junho
A tendência de recuo dos preços continuou na semana entre 8 e 12 de junho, especialmente nos contratos com vencimento em 2026.
Entre as maiores desvalorizações estiveram o contrato convencional para entrega no Sudeste em julho, com queda de 17,06%, seguido pelo produto 3T2026 (-12,42%), agosto (-12,07%), segundo semestre de 2026 (-8,20%) e setembro (-6,12%). Esses contratos também figuraram entre os mais negociados na plataforma durante o período.
Para Rossetti, o movimento continua sendo influenciado por fatores de mercado. O executivo acrescenta que a manutenção dos parâmetros de aversão ao risco do CVaR (Conditional Value at Risk, ou Valor em Risco Condicional) estimulou a negociação de contratos para 2027, embora sem uma direção clara para os preços.
“A manutenção dos parâmetros de aversão ao risco do CVaR trouxe volume para o produto 2027, mas sem tendência definida de movimentação de preço”, concluiu.
Todo o conteúdo do Canal Solar é resguardado pela lei de direitos autorais, e fica expressamente proibida a reprodução parcial ou total deste site em qualquer meio. Caso tenha interesse em colaborar ou reutilizar parte do nosso material, solicitamos que entre em contato através do e-mail: redacao@canalsolar.com.br.