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Artigo de Opinião

Quem quer jogar 8.888 pães no lixo todo mês?

Tarifa da Enel São Paulo subiu cerca de 79% entre 2016 e 2026 na baixa tensão, tornando a conta de energia um custo cada vez mais pesado para empresas

Quem quer jogar 8.888 pães no lixo todo mês?

Foto: Magnific

Se eu chegasse na sua empresa em 2016 e dissesse que, em 2026, você estaria jogando 8.888 pães franceses no lixo todos os meses, provavelmente você me chamaria de louco. Mas é exatamente isso que está acontecendo. Só que o pão não aparece no lixo. Aparece na conta de energia.

Entre 2016 e a tarifa vigente em 2026, a energia da Enel São Paulo acumulou alta de aproximadamente 79% na baixa tensão. Uma empresa que pagava R$ 10.000 por mês em 2016 pode estar pagando hoje algo próximo de R$ 17.918. São quase R$ 8.000 a mais por mês. Em pães franceses a R$ 0,90, isso é 8.888 pães por mês. No lixo.

Fonte: Enel São Paulo/ANEEL

Não precisa ser uma padaria

Pode ser uma clínica, uma loja, um restaurante, uma academia, um pequeno mercado, uma empresa de serviços. Troque o pão pelo seu produto: consulta, refeição, mensalidade, peça de roupa, hora técnica, margem de produção. O nome muda. O prejuízo é o mesmo.

Por que energia saiu do contas a pagar e entrou na diretoria

Durante muito tempo, energia foi tratada como despesa inevitável. Chega a conta, alguém confere o valor, paga o boleto, segue o jogo. Esse tempo acabou.

Energia ficou cara demais para continuar sendo tratada como “mais uma conta da empresa”. Hoje, energia é custo, risco, operação, segurança, caixa e estratégia. Uma decisão errada pode custar caro por anos. Uma decisão certa libera caixa, protege faturamento e dá segurança para a empresa crescer.

Energia deixou de ser uma despesa inevitável. Virou uma decisão de diretoria — com impacto direto em margem, caixa e operação.

O que eu vejo todos os dias

O que mais aparece é empresa pagando mais do que deveria sem fazer ideia do motivo. Abre a conta de luz, confere o total, paga. Ninguém revisa contrato, questiona enquadramento ou compara alternativas.

Junto com isso, vejo sistema solar mal dimensionado, vendido no improviso por quem só queria fechar o pedido. Vejo operação parar no primeiro pico de chuva forte. Equipamento crítico ligado direto na tomada, sem nenhuma proteção. E pequeno negócio sendo tratado como mais um número por estrutura gigante que não tem tempo nem interesse em olhar caso a caso.

E o mais preocupante: muitos empresários continuam aceitando a conta de energia como se não houvesse nada a fazer. Mas há.

Energia pode ser analisada, planejada, reduzida, protegida, comprada de forma mais inteligente, gerada no próprio local, armazenada, gerenciada. A decisão precisa sair do automático.

Energia precisa estar na mesa do dono

Não no fim da lista de despesas. Na mesa do dono, do diretor financeiro e do gestor de operação. Na OBH Energy, nosso trabalho não é vender painel solar, bateria, nobreak, BESS ou Mercado Livre de Energia. É entender o impacto da energia dentro da empresa — quanto custa, quanto risco representa, quanto desperdício existe, qual solução faz sentido. E, principalmente, evitar que o empresário compre uma solução errada só porque alguém apresentou um preço bonito.

Pequenas e médias empresas merecem o mesmo nível de atenção técnica e estratégica que grandes corporações recebem. Talvez mais — porque, para uma pequena empresa, uma decisão errada pesa muito mais.

Quem quer jogar 8.888 pães no lixo todo mês?

Eu não quero. E nenhum empresário deveria aceitar isso como normal.

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Fernando Schulman
Sobre o autor
Fernando Schulman

Fernando Schulman é empreendedor e executivo com quase três décadas de experiência no Brasil, atuando em gestão, desenvolvimento de negócios, reestruturação empresarial e parcerias internacionais. Holandês, vive no Brasil desde 1995 e atualmente é Fundador e CEO da OBH Energy, empresa especializada em soluções inteligentes de energia, com atuação em energia solar fotovoltaica, baterias, sistemas de backup, BESS, gestão de energia e Mercado Livre de Energia. À frente da OBH Energy, Fernando defende uma abordagem técnica e personalizada, com projetos desenvolvidos de acordo com o perfil de consumo, a estrutura do cliente, a viabilidade econômica e a segurança da instalação. Sua atuação combina visão estratégica, experiência internacional e foco em inovação, eficiência energética e transição para uma matriz mais sustentável.

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