Presente no Brasil desde 1954, a Hitachi Energy está reforçando sua estrutura industrial para acompanhar a demanda por equipamentos e soluções de eletrificação.
A companhia mantém fábricas em Guarulhos (SP), voltada à produção de transformadores de potência e equipamentos de alta tensão, e Blumenau (SC), especializada em transformadores de distribuição. Também constrói uma nova unidade em Pindamonhangaba (SP).
Nesta quinta-feira (22), a empresa inaugurou a ampliação de sua fábrica em Guarulhos, cuja capacidade produtiva aumentou quase 50%.
O movimento integra um programa de investimentos de R$ 1,8 bilhão no Brasil, voltado à expansão industrial e ao atendimento de novas demandas do setor elétrico.
A unidade de Guarulhos está entre as cinco maiores fábricas de transformadores de potência do grupo, presente em seis continentes.
Em entrevista ao Canal Solar, Fábio Nugnezi, diretor de Marketing e Vendas da Hitachi Energy no Brasil, afirmou que as decisões refletem uma avaliação favorável para os próximos anos.
“A gente acredita que o setor elétrico crescerá e será sustentável por alguns bons anos, não só no Brasil como no mundo”, disse.
A nova fábrica de Pindamonhangaba (SP) faz parte dessa estratégia de ampliação da capacidade produtiva e de nacionalização de componentes. A unidade será dedicada à fabricação de buchas de alta tensão e comutadores a vácuo.
A produção local desses itens críticos busca reduzir prazos de entrega e a dependência de importações, fatores importantes para projetos com cronogramas apertados.

Transmissão e reserva de capacidade
Entre as oportunidades de negócios, Nugnezi destacou o leilão de transmissão previsto para 30 de outubro e os leilões de reserva de capacidade para armazenamento em baterias, programados para dezembro.
A transmissão, segundo ele, assume um papel cada vez mais importante no ecossistema elétrico nacional por não só levar energia aos pontos de consumo, mas também viabilizar a instalação de novas indústrias e data centers, que demandam conexões à rede cada vez mais poderosas.
A empresa já identifica negócios relacionados ao LRCAP (Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência), realizado em março. Entre os equipamentos em negociação estão transformadores, disjuntores de gerador, sistemas de proteção e controle e módulos de conexão para subestações.
O executivo mencionou tratativas envolvendo empresas como Auren, Engie, Copel e Statkraft, sem detalhar valores ou contratos, pois há negociações ainda em andamento.
Nas hidrelétricas que ampliarão a potência instalada, um dos desafios é incorporar novos equipamentos em estruturas existentes, muitas vezes com espaço limitado. Nesse cenário, a Hitachi oferece subestações isoladas a gás (GIS), de desenho compacto, além de sistemas de proteção e controle digital. “O nosso forte é desenvolver junto com o cliente uma solução de conexão”, explicou Nugnezi.
O portfólio da empresa também dispõe de módulos híbridos PASS, que reúnem diferentes funções de manobra e medição, e sistemas FACTS, como o STATCOM, destinados ao controle de tensão e ao suporte de potência reativa.
Essas tecnologias podem contribuir para conectar a geração adicional sem comprometer a estabilidade do SIN (Sistema Interligado Nacional).
Baterias, digitalização e serviços
Para os leilões de armazenamento, a Hitachi não fornece as baterias em si, mas oferece equipamentos e sistemas necessários à integração dos projetos à rede.
Entre eles estão sistemas de conversão de potência e controle de BESS, além de subestações para elevar a tensão e permitir a conexão ao sistema elétrico.
A empresa também aposta na digitalização e na manutenção preditiva. Soluções de monitoramento de transformadores e outros ativos ajudam a identificar antecipadamente possíveis falhas e a planejar intervenções, reduzindo riscos de indisponibilidade.
Na integração entre equipamentos antigos e novos, a companhia utiliza sistemas de comunicação baseados na norma IEC 61850.
Outra frente é a modernização de transformadores diretamente no local de operação, sem necessidade de transportá-los até a fábrica. Segundo Nugnezi, esse serviço pode reduzir o tempo de intervenção e contribuir para cumprir os prazos dos projetos.
Demanda em transformação
O executivo avalia que o crescimento do setor não depende de um único segmento. Embora os investimentos em eólica e solar tenham perdido intensidade em relação ao período de expansão mais acelerada, outros mercados avançam, entre eles data centers, eletrificação de transportes, indústria e distribuição de energia.
Nugnezi observou que a infraestrutura elétrica terá de acompanhar a ampliação do consumo e a transição energética.
Na avaliação dele, o Brasil apresenta uma matriz de geração predominantemente renovável, mas ainda tem um caminho importante a percorrer na eletrificação do consumo, incluindo processos industriais e frotas de veículos.
Com atuação em grandes projetos de geração e transmissão, além de equipamentos para renováveis e soluções de conexão elétrica para instalações industriais, a Hitachi busca atender a diferentes segmentos.
“Quanto mais complexo, quanto mais engenharia for demandada, melhor para a Hitachi”, afirmou o executivo, ao destacar a experiência técnica como um diferencial da companhia.
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