Como proceder com sistemas fotovoltaicos em casos de enchentes?

Fabricantes respondem o que deve ser feito caso imóveis com a tecnologia corram risco ou fiquem submersos
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Como proceder com sistemas fotovoltaicos em casos de enchentes
Tragédia com enchentes no Rio Grande do Sul. Foto: Gustavo Mansur/Palácio Piratini

As enchentes que atingem quase 90% das cidades do Rio Grande do Sul desde o início do mês de maio têm causado uma preocupação adicional aos gaúchos que contam com sistemas de energia solar instalados em suas residências e/ou empreendimentos.  

Afinal, o que deve ser feito com a tecnologia caso os imóveis fiquem ou corram riscos de ficarem submersos pela água das chuvas?  Existe alguma recomendação a ser seguida pelos consumidores neste tipo de situação extrema? 

Ao Canal Solar, algumas das principais fabricantes de inversores do mundo informaram que há uma recomendação padrão que deve ser aplicada para evitar danos ao sistema como um todo e riscos de acidentes por choques elétricos. 

As empresas foram unânimes em dizer que em casos como o que vem ocorrendo no Rio Grande do Sul o correto é desligar o sistema fotovoltaico sob a supervisão de um engenheiro técnico e religá-lo somente após o mesmo secar completamente.

Confira as orientações de cada uma das empresas ouvidas pela reportagem. 

Chint Power 

A fabricante, primeiramente, destacou que os consumidores ilhados devem se manter distantes da área dos módulos fotovoltaicos, pois mesmo neste tipo de situação podem apresentar tensão. 

“Depois que a água da enchente baixar é importante não religar o seu sistema sem um suporte técnico especializado”, destaca Christine Gomes, engenheira eletricista e responsável pela área de produtos da Chint Power.    

Segundo a profissional, caso um imóvel ainda não tenha sido vítima de uma enchente é importante que o consumidor procure um suporte técnico especializado para desligar o sistema como um todo, tanto o inversor quanto o disjuntor, a chave CA e a chave CC. 

“Assim, você consegue garantir a segurança para o sistema fotovoltaico como um todo, pois o inversor não foi feito para ficar submerso na água”, ressaltou Christine. 

Solis 

Em nota, a empresa disse que os inversores fotovoltaicos que, porventura, tenham sido completamente ou parcialmente submersos, ou que tenham sido expostos à chuva intensa, devem ser mantidos desligados.

Segundo a multinacional, isso deve ocorrer até que o sistema seque completamente por questões de segurança, evitando “curto-circuito, danos nos componentes internos e garantir a segurança de todos”, destacou a Solis

Kehua Tech 

A Kehua Tech reforçou que os inversores não foram feitos para trabalhar submerso, uma vez que não possui proteção para isso. “A operação dessa maneira danifica o equipamento”, frisou a empresa. 

“O recomendável é a desativação temporária até uma avaliação do equipamento e do sistema, pois o cliente pode ter outros problemas também após inundação”, informou a fabricante. A água também está misturada com barro que pode ser depositado dentro do equipamento”.

Sungrow 

A Sungrow, assim como as demais companhias, também recomenda que os inversores sejam mantidos desligados até que uma avaliação completa seja realizada por um profissional qualificado.

“Reforçamos que quaisquer procedimentos de desconexão de cabeamento e operações em dispositivos de interrupção e seccionamento em sistemas fotovoltaicos devem ser executados exclusivamente por técnicos especializados, observando rigorosamente todas as normas de segurança vigentes e, imperativamente, em condições de ausência de irradiância solar para prevenir ocorrências acidentais”.

Sungrow ressalta também que tais dispositivos, uma vez desativados, não devem ser reativados sob nenhuma circunstância, até que uma completa avaliação dos equipamentos comprometidos seja concluída.

Livoltek 

A Livoltek chamou a atenção para o fato de que quando o inversor é submetido a altas quantidades de água – seja por inundação, alto volume de chuvas diretas ou submerso por qualquer outro motivo – o correto é chamar o profissional responsável pela instalação. 

“Solicitar uma vistoria do quadro, da rede elétrica, se não houve curto ou algo similar. Após três dias sem água para secagem, o técnico deve ir ao local da instalação, desligar o inversor (se ainda não estiver desligado), fazer uma revisão completa de toda a instalação da residência ou empresa”. 

Growatt 

Guilherme Peterlini, gerente de serviços da Growatt Brasil, por sua vez, informou o que os instaladores precisam fazer na hora de receberem um chamado de um cliente em casos extremos de inundações. 

Segundo o executivo, os profissionais terão que, além de desligar o sistema fotovoltaico, fazer, basicamente, um comissionamento do zero. 

“Será necessário medir as tensões das strings e conferir a qualidade do aterramento, verificando a tensão entre as polaridades (positivo e negativo) e a resistência de isolamento do sistema fotovoltaico. É como se fosse verificar o equipamento novamente do zero antes de ligá-lo e corrigir se encontrar algo estranho. Essa primeira medição é importante, e o próximo passo é analisar as condições do inversor” comentou. 

Nesse sentido, Paterlini orientou os profissionais a realizarem uma secagem externa do inversor e abrir o equipamento (já que ele vai ter perdido a garantia) para verificar se o mesmo encontra-se seco também por dentro. 

Caso esteja seco também internamente, o profissional orienta os profissionais a ligarem o equipamento somente em CC, rotacionando apenas chave interruptora-seccionadora do equipamento e deixando o disjuntor CA aberto.

“Veja se o inversor liga, acende o display LCD e apresenta erro de conexão CA. Em seguida, feche o circuito com o disjuntor CA e observe se o inversor consegue sincronizar com a rede e aumentar sua potência”, concluiu o profissional da Growatt.  

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Imagem de Henrique Hein
Henrique Hein
Atuou no Correio Popular e na Rádio Trianon. Possui experiência em produção de podcast, programas de rádio, entrevistas e elaboração de reportagens. Acompanha o setor solar desde 2020.

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