Instalar uma usina fotovoltaica em solo nem sempre significa recorrer às tradicionais fundações e perfurações para sustentar os módulos. Uma solução desenvolvida no Brasil aposta em outra estratégia: estruturas de polietileno que chegam vazias à obra, são posicionadas no terreno e preenchidas no próprio local com materiais como terra, areia ou brita.
Essa é a proposta do Lastro Solar®, desenvolvido pela Fortlev Solar e lançado em 2024. Dois anos depois de chegar ao mercado, a solução voltou a ser exibida pela companhia durante a Intersolar South America 2026, realizada na última semana.
Desde o lançamento, o produto passou a ganhar novas frentes comerciais. Neste ano, a Fortlev Solar fechou uma parceria com o grupo boliviano Amesol, que se tornou o primeiro distribuidor do Lastro Solar® na América Latina. Segundo a companhia, a solução também já foi exportada para Europa e Estados Unidos.
Uma alternativa às estruturas convencionais
Produzido em polietileno, o Lastro Solar® pesa cerca de 15 kg quando vazio, característica que facilita o transporte e a movimentação das peças durante a instalação.
Depois de posicionado no local da usina, o equipamento pode ser preenchido com brita, areia, terra ou outro material disponível na obra. Segundo a Fortlev Solar, até resíduos da própria construção podem ser utilizados. Na sequência, são fixados os perfis metálicos que recebem os módulos fotovoltaicos.
A proposta é utilizar o próprio peso da estrutura preenchida para garantir sua estabilização, dispensando a perfuração do terreno. Esse modelo pode representar uma alternativa em projetos nos quais intervenções no solo tragam maior complexidade à instalação ou exijam etapas adicionais de execução.
A logística também muda. Como os lastros são transportados vazios e preenchidos apenas no local da instalação, reduz-se a necessidade de movimentar estruturas já pesadas até o empreendimento.
Segundo a Fortlev Solar, a solução pode ser utilizada em usinas de pequeno, médio e grande porte. A companhia afirma que o sistema foi desenvolvido para reduzir etapas de montagem em relação aos modelos tradicionais.
Usina de 7 MWp mostra aplicação em projeto de grande porte

Uma das aplicações do Lastro Solar® está na Usina Rio Sol, instalada em São João da Barra, no Norte Fluminense. O projeto possui pouco mais de 7 MWp de potência instalada, com 10.092 módulos fotovoltaicos e 20 inversores da Huawei de 250 kW.
Segundo Leonardo de Castro, engenheiro elétrico na Apoio Solar, a geração média é de aproximadamente 900 mil kWh por mês, com foco em geração distribuída.
As características do terreno influenciaram a escolha da estrutura. Por estar localizada em uma região litorânea, a área apresenta grande presença de areia e lençol freático elevado, condição identificada ainda durante a concepção do projeto.

“A gente procurou uma solução que seria viável e o lastro foi a melhor solução pra gente. Foi 50% mais rápida do que a convencional”, afirma Henrique Ferreira, engenheiro civil e sócio-proprietário da Terra Construções.
Segundo Ferreira, o uso do Lastro também reduziu etapas da obra, especialmente por dispensar processos com tempo de cura e permitir o preenchimento das estruturas com material disponível no próprio local. Durante o pico da instalação, a equipe variou entre 20 e 35 profissionais, concentrada principalmente em montadores e ajudantes.
O cronograma também pesou na escolha da solução. Victor Miranda, diretor da Apoio Solar e investidor da Usina Rio Sol, afirma que a diferença de prazo foi relevante para o projeto.
“A gente optou pelo lastro na mesma hora que viu o produto. Você tem um custo menor em relação ao tempo. Então, a minha equipe, que teria que trabalhar numa obra dessa aproximadamente de seis a dez meses, eu consigo encurtar isso ali para quatro, cinco meses, que foi mais ou menos o nosso tempo de obra”, relata.
Miranda também resume a experiência de execução: “De todas as nossas usinas e sistemas que instalamos, foi a obra mais fácil de ser executada.”
Dois anos depois do lançamento
O Lastro Solar® chegou ao mercado em 2024 e, no mesmo ano, recebeu reconhecimento internacional fora do setor fotovoltaico.
O produto conquistou o primeiro lugar nas categorias “Produto de conversão” e “Produto do ano” da Rotoplas 2024, evento promovido nos Estados Unidos pela Association of Rotational Molders (ARM) e voltado à indústria de rotomoldagem.
Dois anos depois, além de voltar à Intersolar, a solução entra em uma nova etapa de expansão comercial, com a entrada em outros mercados.
Da Intersolar para a América Latina
A chegada do Lastro Solar à Bolívia tem ligação direta com a própria Intersolar. Foi durante a edição de 2024 que o grupo Amesol conheceu a solução e iniciou as conversas com a Fortlev Solar. O contato evoluiu até a formalização da parceria que tornou a empresa boliviana a primeira distribuidora do produto na América Latina.
“A expansão do Lastro na América Latina é um marco histórico para a Fortlev Solar. Ela valida não apenas a qualidade da nossa solução, mas todo o trabalho realizado pelas equipes de engenharia, desenvolvimento, operações e comercial ao longo dos últimos anos. Esse avanço mostra que estamos preparados para levar a inovação criada no Brasil para novos mercados internacionais”, afirma Maykow Torres, sócio-fundador da Fortlev Solar.
Em maio de 2026, a Amesol apresentou o produto durante a Finergy, feira do setor fotovoltaico realizada na Bolívia. Segundo a Fortlev Solar, o Lastro também já foi exportado para Europa e Estados Unidos.
A estratégia agora é ampliar a presença internacional da solução e avançar em projetos de maior porte.
“Nossa expectativa é ampliar ainda mais a presença da solução em novos mercados, participar de projetos de maior porte e acelerar a adoção de tecnologias que tragam mais eficiência e competitividade para o setor fotovoltaico”, conclui Leonardo Santos, gerente de Relacionamento da Fortlev Solar.
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