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Super El Niño acelera debate sobre uso de baterias nos sistemas isolados da Amazônia

Tecnologia é apontada como solução, enquanto empresas antecipam medidas para enfrentar a estiagem na Amazônia

Canal Solar - Super El Niño acelera debate sobre uso de baterias nos sistemas isolados da Amazônia

Usina solar híbrida imstalada na comunidade isolada de Caiambé, no imteior do Amazonas. Foto: Aggreko/Divulgação

Em meio às projeções de um Super El Niño no segundo semestre deste ano, a ABSAE (Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia) defende que a tecnologia passe a integrar de forma mais efetiva os planos de contingência voltados à segurança do suprimento de energia.

Em manifestação encaminhada à ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), a entidade propôs que o papel do armazenamento seja incorporado às discussões do evento “Super El Niño e a Resiliência do Setor Elétrico Brasileiro”, programado para o próximo dia 20 de agosto, em Brasília (DF).

Segundo a associação, os sistemas de baterias podem oferecer resposta praticamente imediata diante da indisponibilidade de usinas, linhas de transmissão, transformadores ou subestações, além de contribuir para o suporte de frequência e tensão, a manutenção do atendimento de cargas essenciais e a formação de microrredes e sistemas temporariamente isolados em situações de emergência.

Logística sob pressão

A discussão ocorre em um momento de crescente preocupação com os impactos da estiagem prevista para a região Norte.  Associada ao fenômeno do Super El Niño, a redução do nível dos rios amazônicos ameaça comprometer a logística de abastecimento de combustíveis utilizados nos sistemas isolados de geração de energia, levando empresas do setor elétrico e de combustíveis a anteciparem medidas preventivas antes do período mais crítico da seca.

Entre as providências adotadas estão a ampliação dos estoques de combustíveis, a contratação antecipada de soluções logísticas e a reorganização das operações de transporte para reduzir o risco de interrupções no fornecimento.

A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) solicitou planos de contingência aos principais distribuidores que atuam na região amazônica e passou a acompanhar continuamente a evolução das condições hidrológicas em conjunto com a ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico).

Paralelamente, a agência também participa das ações coordenadas pela ANEEL para os sistemas isolados do Amazonas, Acre e Rondônia.

Operação reforçada

Em Rondônia, onde a logística depende fortemente da navegação fluvial, a Energisa abastece com combustível, equipamentos e peças por meio dos rios dez das doze usinas termelétricas dos sistemas isolados, segundo informação do site Bnamericas.

Agosto e setembro são considerados os meses mais críticos, período em que a profundidade navegável poderá cair para entre três e quatro metros. A expectativa é de recuperação gradual apenas a partir de outubro.

Em localidades consideradas mais vulneráveis, como Maici, Demarcação, Pedras Negras e Nazaré, o abastecimento poderá exigir operações envolvendo diferentes embarcações e modais, fazendo com que uma única entrega leve até 11 ou 12 dias.

A distribuidora antecipou compras de combustível, reforçou estoques antes do agravamento da estiagem e estruturou um plano de contingência válido entre 15 de agosto e 15 de outubro. A companhia também mantém em Porto Velho uma estrutura de emergência equipada com quatro grupos geradores para eventual atendimento de ocorrências.

Impacto financeiro

A preparação para enfrentar a estiagem já começa a pressionar os custos operacionais das empresas. A Aggreko solicitou à ANEEL o reequilíbrio econômico-financeiro de contratos, alegando despesas extraordinárias com contratação antecipada de logística, formação de estoques estratégicos e operações preventivas de abastecimento.

Ao mesmo tempo, o CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) aprovou um conjunto de medidas para reforçar a segurança do suprimento.

Entre elas está a antecipação da entrada em operação de cinco usinas contratadas em leilões anteriores, que acrescentarão aproximadamente 1,8 GW ao SIN (Sistema Interligado Nacional) a partir de 1º de setembro.

A decisão leva em consideração tanto a elevada probabilidade de ocorrência do El Niño quanto as incertezas geopolíticas que podem pressionar os preços internacionais dos combustíveis.

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Antonio Carlos Sil
Sobre o autor
Antonio Carlos Sil

Antonio Carlos Sil é jornalista formado pela FMU/FIAM. Atuou como repórter pela Brasil Energia, além de serviços prestados para Agência Estado, Exame e Canal Energia. Trabalhou em assessorias de comunicação da CPFL Energia, CESP e AES Tietê. Cobre setor elétrico desde 2000. Possui experiência na cobertura de eventos, como leilões de energia, convenções, palestras, feiras, congressos e seminários.

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