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Início / Notícias / Mercado & Investimentos / Entrevista: com uso de IA, TIM prevê reduzir impacto financeiro associado ao consumo de energia em até quatro vezes

Entrevista: com uso de IA, TIM prevê reduzir impacto financeiro associado ao consumo de energia em até quatro vezes

Ao Canal Solar, executivo detalha como companhia está utilizando IA para ampliar eficiência no consumo de eletricidade das antenas.
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  • Foto de Henrique Hein Henrique Hein
  • 12 de junho de 2026, às 16:57
5 min 17 seg de leitura
Canal Solar - TIM prevê quadruplicar economia na gestão de energia com uso de IA, diz gerente executivo
Alisson de Sousa, Gerente Executivo de Energia da TIM. Foto: Divulgação

A TIM está ampliando sua estratégia de gestão energética ao combinar geração própria de energia renovável com ferramentas de IA (Inteligência Artificial) voltadas à otimização do consumo.

Atualmente, a operadora produz cerca de 70% da eletricidade utilizada em suas operações por meio de 136 usinas solares, hídricas e de biogás distribuídas em 23 estados e no Distrito Federal.

Os empreendimentos abastecem mais de 20 mil antenas da companhia e possuem geração anual estimada em 474 GWh, volume equivalente ao consumo de energia de uma cidade com aproximadamente 770 mil habitantes, como Uberlândia (MG) ou Ribeirão Preto (SP).

A estratégia de geração distribuída da TIM teve início em 2017, com cinco usinas localizadas em Minas Gerais responsáveis pelo abastecimento de cerca de 1.200 antenas. Desde então, o projeto ganhou escala nacional e se tornou um dos principais pilares da estratégia energética da companhia.

Desde 2021, a operadora utiliza exclusivamente energia proveniente de fontes renováveis. Além da geração própria, a empresa complementa o abastecimento por meio da compra de energia no mercado livre e da aquisição de certificados internacionais de energia renovável (I-RECs).

Em entrevista ao Canal Solar, Alisson de Sousa, Gerente Executivo de Energia da TIM, detalhou como a companhia está utilizando inteligência artificial para aprimorar a gestão energética de suas operações e ampliar a eficiência no consumo de eletricidade das antenas.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista:

Usina solar em Mandaguaçu (PR) é uma das unidades que compõe o portifólio de fontes limpas da TIM. Foto: Divulgação

Quando a empresa começou a utilizar inteligência artificial para potencializar a eficiência energética e como isso funciona?

O uso de IA para apoiar a gestão de energia na TIM começou entre abril e maio de 2025, com dois focos principais: identificar consumos fora do padrão (os chamados “outliers”) e mapear situações de consumo muito abaixo do esperado.

No primeiro caso, usamos modelos de IA para estimar qual seria o consumo “normal” de cada unidade, com base em características como tipo de equipamento e perfil de operação.

As unidades com perfis semelhantes são agrupadas em conjuntos e, a partir disso, é definido um parâmetro de comparação. Quando o consumo real foge muito desse padrão, o sistema sinaliza um desvio, que pode indicar, por exemplo, cobrança indevida ou alguma anomalia.

Já no projeto de consumo mínimo, usamos a mesma lógica analítica e o mesmo modelo de inteligência artificial, mas o objetivo é olhar o cenário inverso: identificar unidades com consumo abaixo do esperado, o que pode indicar falhas de medição, leitura incorreta ou inconsistências operacionais.

Nesses casos, a atuação preventiva permite corrigir o problema antes que haja cobranças retroativas ou penalidades por parte da concessionária. Na prática, esses dois olhares permitem uma gestão mais proativa da energia, baseada principalmente na análise das faturas.

É importante destacar que não se trata de um monitoramento em tempo real das antenas, mas de uma análise estruturada dos dados de consumo e cobrança.

Quantas unidades consumidoras são monitoradas atualmente pela TIM com uso de IA?

A inteligência artificial é aplicada sobre todas as unidades consumidoras ativas da companhia, considerando a análise das faturas de energia. Isso inclui o acompanhamento de consumo, encargos e outros itens das cobranças, o que permite identificar desvios, inconsistências e oportunidades de otimização.

Ou seja, do ponto de vista da gestão de energia, a cobertura é ampla. Mas, novamente, trata-se de uma análise baseada nos dados de faturamento, não de monitoramento operacional em tempo real.

Houve redução mensurável no consumo de energia desde então? Qual a economia energética e o impacto financeiro obtido até o momento?

Desde a implementação, já é possível observar resultados concretos tanto na redução de consumo quanto na correção de cobranças. A identificação de desvios – especialmente consumos fora do padrão – permite ajustar inconsistências e evitar pagamentos indevidos.

Estimamos aumentar em 4 vezes o valor economizado na comparação de 2025 com 2026. São resultados que reforçam o papel da inteligência artificial como uma ferramenta importante para melhorar a gestão de energia, trazendo mais precisão na análise e maior capacidade de atuação preventiva.

O sistema consegue identificar perdas, furtos ou falhas operacionais? Ele atua automaticamente ou apenas sugere correções?

O sistema consegue identificar indícios de inconsistências, como possíveis perdas, cobranças indevidas ou até situações que podem estar associadas a furtos de energia, a partir da comparação entre o consumo esperado e o faturado.

Como a análise é baseada em dados de faturamento, o foco está principalmente em desvios de natureza energética e financeira. Falhas diretamente relacionadas ao funcionamento das antenas não fazem parte desse escopo, já que não há monitoramento em tempo real dos equipamentos.

Hoje, o modelo não faz correções automáticas. Ele roda de forma periódica, sinaliza os desvios e direciona as análises para as equipes responsáveis, que conduzem as ações necessárias. No entanto, já está em evolução uma arquitetura para tornar o processo mais automatizado, com geração de alertas mais ágeis e maior eficiência na resposta.

O projeto também gera redução de emissões?

Não de forma direta. O principal objetivo é corrigir inconsistências de consumo e faturamento, e não necessariamente reduzir o consumo físico de energia das unidades.

Ainda assim, existe um efeito indireto. Ao corrigir medições incorretas e ajustar o consumo faturado para níveis reais, há uma redução no volume de energia contabilizado. Isso pode diminuir, por exemplo, a necessidade de aquisição de energia no mercado, incluindo a compra de certificados de energia renovável, como I-RECs.

Dessa forma, embora não atue diretamente sobre a eficiência dos equipamentos ou sobre a redução do consumo real, o projeto contribui indiretamente para uma gestão energética mais eficiente, com reflexos também nos indicadores ambientais, como as emissões reportadas.

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Foto de Henrique Hein
Henrique Hein
Atuou no Correio Popular e na Rádio Trianon. Possui experiência em produção de podcast, programas de rádio, entrevistas e elaboração de reportagens. Acompanha o setor solar desde 2020.
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