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Treze edições depois: veja como a Intersolar se transformou no Brasil

Canal Solar relembra os principais momentos dessa trajetória e as mudanças que levaram a feira à configuração atual

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Foto: Canal Solar

Em 2026, a Intersolar South America chega à sua 13ª edição no Brasil em um cenário bastante diferente daquele encontrado na sua estreia, em 2013.

Ao longo de mais de uma década, a feira acompanhou a expansão da energia solar no Brasil e também ampliou seu próprio escopo.

O evento, inicialmente concentrado no mercado fotovoltaico, passou a incorporar armazenamento de energia, mobilidade elétrica, infraestrutura elétrica, digitalização e outras tecnologias relacionadas à transição energética.

Nesta reportagem, o Canal Solar relembra os principais momentos dessa trajetória e as mudanças que levaram a feira à configuração atual.

2013: chegada ao Brasil em meio aos primeiros passos da GD

A primeira edição da Intersolar South America no Brasil ocorreu em um momento decisivo para o desenvolvimento do mercado fotovoltaico nacional.

Pouco antes, em abril de 2012, a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) havia publicado a Resolução Normativa nº 482/2012, estabelecendo as primeiras regras para a conexão de micro e minigeradores de fontes renováveis às redes de distribuição.

Entre as principais mudanças estava a criação do SCEE (Sistema de Compensação de Energia Elétrica), mecanismo que permitiu aos consumidores gerarem a sua própria energia e utilizarem o excedente injetado na rede para compensar o consumo posteriormente.

Na prática, a regulamentação abriu caminho para que residências, estabelecimentos comerciais, indústrias e propriedades rurais começassem a instalar sistemas fotovoltaicos conectados à rede.

As primeiras unidades consumidoras enquadradas no sistema de compensação começaram a ser faturadas em 2013, depois dos prazos necessários para solicitação, análise dos projetos e aprovação das conexões pelas distribuidoras.

Paralelamente, começava a se formar uma cadeia de fornecedores. Em dezembro de 2012, o Instituto Ideal lançou o Mapa de Empresas do Setor Fotovoltaico, por meio do Programa América do Sol.

A plataforma começou com cerca de 50 empresas cadastradas e, dois anos depois, já reunia mais de 350 fornecedores.

Foi nesse ambiente que ocorreu a primeira edição brasileira da Intersolar South America. O evento reuniu 64 empresas expositoras de 12 países, 60 palestrantes, 459 participantes na conferência e 2.288 visitantes.

Naquele momento, as discussões estavam concentradas em questões que começavam a definir o futuro da fonte no país, entre elas a participação da energia solar nos leilões promovidos pelo governo federal e os desafios para colocar em prática o recém-criado sistema de compensação.

2015 a 2018: feira cresce junto com o mercado fotovoltaico

Entre 2015 e 2018, a Intersolar South America atravessou um período de expansão, acompanhando o avanço da energia fotovoltaica e o aumento do interesse de empresas nacionais e internacionais pelo mercado brasileiro.

Em 2015, a terceira edição teve como um dos principais focos o crescimento das aplicações fotovoltaicas nos segmentos residencial e comercial. A GD (geração distribuída) começou a ganhar espaço, ampliando as oportunidades para fabricantes de módulos e inversores, distribuidores, empresas de estruturas, projetistas e instaladores.

No ano seguinte, a quarta edição ocorreu em meio a um cenário econômico desafiador no Brasil. Apesar da crise, o setor fotovoltaico manteve uma trajetória de crescimento, movimento que começou a aparecer também na dimensão e na diversidade das empresas presentes na feira.

Foto: The Smarter e South America/Divulgação

Essa expansão ganhou maior visibilidade em 2017. Na quinta edição, o espaço destinado à exposição foi ampliado para receber mais empresas e marcas internacionais, especialmente fabricantes de módulos e inversores interessados no crescimento do mercado nacional.

A feira passava, assim, a refletir uma cadeia fotovoltaica mais diversificada, com maior presença de fabricantes, distribuidores, integradores e fornecedores de diferentes tecnologias.

Em 2018, a sexta edição encerrou uma primeira fase da trajetória do evento. Até então, a Intersolar South America mantinha uma estrutura predominantemente concentrada no mercado solar, mas essa configuração mudaria no ano seguinte.

2019: Intersolar passa a integrar a The smarter E South America

Em 2019, a Intersolar passou a integrar a plataforma The smarter E South America, ampliando o escopo do evento para além da geração fotovoltaica.

A nova configuração incorporou discussões sobre armazenamento de energia, mobilidade elétrica, digitalização, redes inteligentes, infraestrutura e gestão energética.

A mudança ocorreu em um momento em que o Brasil já figurava entre os 20 maiores mercados solares do mundo e a expansão das fontes renováveis começava a trazer novas discussões sobre integração entre geração, distribuição, armazenamento e consumo de energia.

Durante a edição, profissionais, investidores, fabricantes e representantes do setor discutiram geração distribuída e centralizada, financiamento de projetos e desenvolvimento da cadeia produtiva nacional.

A conferência também colocou em pauta o financiamento dos empreendimentos de grande porte. Representantes da CELA, BNDES, Itaú BBA, IFC Brasil, Vinci Partners e Climate Bonds Initiative participaram das discussões sobre mecanismos de financiamento e investimentos para a expansão da fonte.

O crescimento do mercado também aparecia na geração de empregos. Segundo a IRENA (Agência Internacional de Energia Renovável), o Brasil entrou naquele ano, pela primeira vez, no grupo dos dez maiores geradores de empregos do setor solar fotovoltaico, ocupando a oitava posição mundial.

O levantamento contabilizou mais de 43 mil postos de trabalho no segmento. Já uma análise da ABSOLAR, baseada em metodologia mais abrangente, estimou aproximadamente 60 mil empregos gerados pela cadeia fotovoltaica brasileira naquele ano.

2020 e 2021: pandemia interrompe calendário e feira retorna durante crise hídrica

Todavia, a sequência de crescimento foi interrompida em 2020 em que a edição da The Smarter E South America foi cancelada diante da pandemia de Covid-19 e das restrições sanitárias adotadas no Brasil e em outros países.

O retorno presencial ocorreu em 2021, em outro momento crítico para o setor elétrico brasileiro. Além dos efeitos da pandemia, o país enfrentava a pior crise hídrica em mais de nove décadas, cenário que colocou novamente em discussão a diversificação da matriz elétrica e a segurança do fornecimento de energia.

Ao mesmo tempo, o mercado fotovoltaico vivia um período de expansão, impulsionado pela redução dos custos da tecnologia, mudanças tributárias envolvendo equipamentos da cadeia e pelo avanço das discussões sobre um marco legal para a geração distribuída.

A edição de 2021 reuniu 28 mil participantes e 250 expositores, estabelecendo, até então, o maior público da história do evento no Brasil.Um dos principais assuntos daquele período foi o Projeto de Lei nº 5.829/2019, que estabeleceria o marco legal da micro e minigeração distribuída.

A proposta mobilizou empresas, entidades e consumidores durante o ano e foi aprovada pela Câmara dos Deputados em agosto, com 476 votos favoráveis, três contrários e três abstenções. Posteriormente, passou pelo Senado e retornou à Câmara para votação final.

2022: Brasil entra no grupo dos mercados solares de maior expansão

Em 2022, a nona edição ocorreu em um mercado que já havia alcançado uma escala significativamente maior. Segundo levantamento da IEA (Agência Internacional de Energia), o Brasil adicionou 10 GW de potência solar naquele ano, quase o dobro do volume registrado em 2021.

O resultado colocou o país na quarta posição entre os mercados que mais acrescentaram capacidade fotovoltaica no mundo em 2022. Globalmente, foram adicionados 240 GW de energia solar, elevando a capacidade fotovoltaica acumulada para aproximadamente 1,2 TW. A China liderou a expansão, com 106 GW adicionados.

A IEA também apontou que o aumento das tarifas de energia em diferentes países, entre eles o Brasil, contribuiu para elevar a competitividade da geração fotovoltaica e o interesse pela tecnologia.

Para a The smarter E South America, a transformação do mercado significava também uma mudança no perfil da própria feira. Se em 2013 a geração distribuída ainda dava seus primeiros passos, nove anos depois o país contava com uma cadeia muito mais ampla de fabricantes, distribuidores, integradores e desenvolvedores.

2024: feira alcança nova escala

Em 2024, a The smarter E South America chegou à 11ª edição refletindo uma realidade diferente daquela observada na década anterior.

Realizado entre os dias 27 e 29 de agosto, no Expo Center Norte, o evento registrou recordes de público e de empresas expositoras nacionais e internacionais.

O crescimento da feira acompanhava a própria diversificação do setor em que energia fotovoltaica continuava no centro da Intersolar South America, mas o ambiente da The Smarter E South America já reunia uma gama mais ampla de tecnologias e empresas ligadas às transformações do mercado de energia.

A mudança de escala também evidenciava o amadurecimento da cadeia brasileira. A feira já não funcionava apenas como uma vitrine de módulos, inversores e sistemas fotovoltaicos, mas como um ponto de encontro de diferentes agentes envolvidos na geração, distribuição, armazenamento e consumo de energia.

Nesse período, temas que anos antes apareciam de maneira secundária começaram a ganhar maior espaço nas discussões do setor, preparando o terreno para uma edição de 2025 ainda mais concentrada na integração entre diferentes tecnologias.

2025: baterias, mobilidade elétrica e hidrogênio ampliam debates

Ao lado da energia solar, discussões sobre armazenamento de energia em baterias de grande porte, mobilidade elétrica e hidrogênio verde ganharam espaço na programação e na área de exposição.

A presença crescente desses segmentos mostrou como a agenda do setor havia mudado. A expansão da geração renovável continuava relevante, mas questões relacionadas ao armazenamento, à infraestrutura necessária para a eletrificação e à integração de diferentes tecnologias passaram a ocupar uma parcela maior dos debates.

Essa diversificação também aparece na própria estrutura da The smarter E South America. Em 2025, o evento reuniu 600 empresas expositoras distribuídas entre quatro feiras: Intersolar South America, ees South America, Eletrotec+EM-Power South America e Power2Drive South America.

Foto: The Smarter e South America/Divulgação

Cada uma delas passou a representar diferentes partes desse ecossistema, permitindo que a plataforma reunisse desde a geração fotovoltaica até soluções de armazenamento, infraestrutura elétrica e mobilidade.

O resultado ajudou a dimensionar a diferença entre a feira atual e aquela realizada pela primeira vez no Brasil em 2013. Na estreia, eram 64 empresas expositoras de 12 países. Em 2025, o conjunto de eventos chegou a 600 expositores.

A avaliação dos participantes também apontou continuidade desse movimento: segundo os dados apresentados pela organização, 97% dos expositores afirmaram que pretendiam retornar às próximas edições.

Assim, 2025 consolidou uma mudança que vinha sendo construída desde a adoção da marca The smarter E, em 2019: a Intersolar permaneceu como um dos pilares da programação, mas passou a dividir o ambiente com tecnologias que ganham importância à medida que aumenta a participação das fontes renováveis no sistema elétrico.

2026: 13ª edição amplia olhar sobre integração de tecnologias

Depois de acompanhar mais de uma década de expansão do mercado fotovoltaico brasileiro, a Intersolar South America chega a uma fase em que as discussões do setor avançam para além da instalação de nova capacidade solar.

Temas como armazenamento de energia, digitalização, mobilidade elétrica, inteligência energética, eletrificação e integração entre diferentes tecnologias passam a dividir espaço com as pautas tradicionais relacionadas à geração fotovoltaica, refletindo as transformações do mercado de energia.

O evento reúne diferentes segmentos da cadeia de energia em uma programação integrada, com debates voltados às principais frentes da transição energética.

Ao longo dos três dias, a programação contará novamente com quatro congressos integrados, cada um direcionado a uma área do setor: Intersolar South America, ees South America, Power2Drive South America eEletrotec+EM-Power South America,

A seguir, veja o que cada um desses congressos trará para a edição de 2026

O Congresso Intersolar South America terá como foco os desafios e as tendências do mercado fotovoltaico, abordando temas relacionados às tecnologias de produção, armazenamento, eletrificação e transição energética. A programação também discutirá o que as transformações do setor representam para o segmento solar, incluindo tendências de mercado, futuros modelos de negócios e o papel do financiamento, da digitalização e das novas tecnologias.

Já o Congresso ees South America terá o armazenamento de energia como tema central. Realizado em São Paulo, o encontro reúne especialistas internacionais, fabricantes, desenvolvedores de projetos e integradores de sistemas para discutir tendências, oportunidades de negócios e novas soluções para o segmento.

Entre os assuntos previstos estão enfoque em armazenamento fixo e móvel de energia, eletromobilidade, gestão inteligente de energia, aplicações de grande escala e isoladas da rede, além de hidrogênio verde e tecnologias de conversão de energia em gás.

Ao tratar de questões centrais de mercados, financiamento, normas técnicas e modelos de negócios, a ees South America contribui para as bases do futuro sistema energético e integra uma série global de congressos que abrange Europa, América do Sul e Índia.

Quando o assunto é eletromobilidade, o destaque será o Congresso Power2Drive South America, que terá como foco os caminhos para ampliar a mobilidade elétrica abastecida por fontes renováveis e a infraestrutura necessária para acompanhar esse avanço.

A programação discutirá a expansão das redes de recarga, os mercados com maior potencial de crescimento, além de modelos de negócios, marcos regulatórios e soluções para integração dos veículos elétricos ao sistema de energia.

Outro ponto será o desenvolvimento de uma infraestrutura de recarga ampla e eficiente, considerada um dos fatores necessários para sustentar o crescimento da eletromobilidade e a transição para um sistema de transporte mais sustentável.

Integrado à The smarter E South America, o congresso reunirá em São Paulo especialistas internacionais, empresas, representantes do governo e pesquisadores para apresentar e debater soluções de recarga, tecnologias de baterias e novos modelos de negócios para o setor.

A proposta é conectar os diferentes agentes dessa cadeia e discutir os avanços tecnológicos e regulatórios necessários para acelerar a expansão da mobilidade elétrica na América do Sul.

Completando a programação, o Congresso Eletrotec+EM-Power South America terá como foco a infraestrutura elétrica e a gestão de energia, com discussões sobre instalações de baixa e média tensão e as transformações em curso nos sistemas energéticos.

O evento reúne profissionais, empresas e especialistas envolvidos no projeto, instalação, operação e manutenção de infraestruturas elétricas, abrangendo desde a geração renovável distribuída até redes aéreas e subterrâneas.

Em meio à expansão das fontes renováveis e da mobilidade elétrica, o congresso discutirá desafios como o crescimento da demanda por eletricidade, a maior utilização das redes e a transição de sistemas centralizados para modelos cada vez mais distribuídos.

A programação também abordará tecnologias de distribuição elétrica, armazenamento de energia, infraestrutura de recarga para veículos elétricos, qualidade de energia, automação, digitalização e gerenciamento energético em redes, concessionárias e edificações.

Outro ponto será o papel da flexibilidade de consumidores, prosumidores e sistemas de armazenamento na construção de redes elétricas mais confiáveis, eficientes e resilientes.

Voltado aos profissionais do setor elétrico, o congresso apresentará ainda estudos de caso e soluções para desafios de engenharia, além de discutir tendências tecnológicas, evolução do mercado e aspectos que podem apoiar decisões técnicas e de negócios.

A dimensão alcançada pela edição anterior ajuda a mostrar o tamanho dessa transformação. Depois de reunir 600 empresas expositoras em 2025, a The smarter E South America ocupará, neste ano, todos os pavilhões do Expo Center Norte, ampliando o espaço dedicado às diferentes frentes do setor energético.

Treze edições após a estreia no Brasil, a evolução do evento acompanha uma mudança que também ocorre no próprio mercado.

Se nos primeiros anos o debate estava concentrado principalmente na expansão da geração fotovoltaica, agora a discussão passa também por como armazenar, transportar, gerenciar e utilizar de forma mais eficiente uma quantidade crescente de energia renovável.

Nesse cenário, a integração entre solar, armazenamento, mobilidade elétrica e infraestrutura energética deixa de aparecer como uma discussão isolada e passa a compor uma agenda cada vez mais conectada ,movimento que estará refletido nos corredores, estandes e congressos da edição de 2026.

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Caique Amorim
Sobre o autor
Caique Amorim

Estudante de jornalismo na Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Tenho experiência na produção de matérias jornalísticas.

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