Menos de dois meses após dois terremotos que deixaram mais de 6 mil mortos, o governo da Venezuela pediu à população que reduza o consumo de energia elétrica e água diante da aproximação de um período de seca associado ao El Niño.
O alerta ocorre em um cenário de restrições que já afetam o fornecimento de eletricidade e água no país. Moradores e empresas enfrentam cortes de energia de até dez horas por dia, além de falhas em equipamentos que podem prolongar os apagões por dias e interrupções no abastecimento de água.
Segundo a presidente interina Delcy Rodríguez, o El Niño já está afetando a Venezuela e poderá provocar uma seca antes do fim do ano. O fenômeno está associado ao aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico e provoca alterações nos padrões climáticos em diferentes regiões do mundo.
Diante desse cenário, o governo passou a defender medidas para reduzir o consumo de água e eletricidade. A decisão, no entanto, aumentou a preocupação de que as restrições possam se intensificar nos próximos meses.
O anúncio também provocou novos protestos em regiões já afetadas pelos cortes. A situação ganha relevância porque grande parte da capacidade instalada do país não está disponível para operação.
A Venezuela possui cerca de 36 mil MW de capacidade instalada de geração, mas menos de 13 mil MW estão efetivamente disponíveis. Atualmente, o déficit entre oferta e demanda supera 1,5 mil MW.
Outro fator é a situação do parque termelétrico. Segundo relatório do especialista em energia Nelson Hernández citado pela Reuters, quase 90% da capacidade térmica venezuelana está fora de serviço após anos de baixo investimento e atrasos na manutenção.
Com isso, mais de 80% do fornecimento de eletricidade passou a depender da geração hidrelétrica, principalmente do sistema associado à barragem de Guri, no sul do país. Essa dependência aumenta a exposição do sistema elétrico aos efeitos de períodos de seca.
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