Os preços dos módulos fotovoltaicos registraram uma alta de 15% em menos de uma semana na China, em meio a uma mudança no comportamento da indústria solar do país.
O movimento ocorre após uma série de medidas adotadas pelo governo e pelas fabricantes chinesas para conter a chamada “involução”, termo utilizado no país para descrever a competição excessiva que levou empresas a reduzir preços mesmo diante de margens negativas.
Na prática, a indústria chinesa está tentando interromper uma longa guerra de preços que derrubou as cotações dos equipamentos fotovoltaicos nos últimos anos.
O movimento começou nas matérias-primas e componentes utilizados na fabricação dos módulos e vem avançando pela cadeia produtiva. Tudo começou no dia 6 de agosto, quando grandes fabricantes de polissilício assinaram uma iniciativa contra a chamada “involução”.
As companhias se comprometeram a não comercializar produtos abaixo dos custos calculados a partir de padrões definidos pelo setor. Naquele mesmo dia, fabricantes de módulos começaram a reajustar seus preços.
A decisão foi tomada uma semana após quatro órgãos regulatórios chineses participarem de uma reunião em Yancheng, no dia 31 de julho, para tratar dessa questão do controle de preços no setor. Nesse encontro, foram divulgadas diretrizes para estabelecer parâmetros de cálculo dos custos da indústria fotovoltaica.
Guerra de preços chegou ao limite, diz fonte
Uma fonte ligada ao setor de fabricantes na China ouvida pelo Canal Solar explica que o movimento atual ocorre depois de um ano marcado por oscilações.
No primeiro trimestre, os preços subiram pressionados, entre outros fatores, pelas commodities e pelo fim do benefício tributário às exportações chinesas.
Posteriormente, com o enfraquecimento da demanda, as cotações voltaram a cair, levando novamente os preços a níveis considerados insustentáveis pelas fabricantes.
“Chegamos a um novo limite, por isso esse movimento agora, de subida forte de preços visando a anti-involução de toda a cadeia. De uma forma geral, os fabricantes estão vendendo abaixo do custo levando a grandes perdas na cadeia”, afirma.
Segundo a fonte, a pressão sobre as margens também começa a afetar a capacidade das empresas de investir no desenvolvimento de novas tecnologias.
“Com isso, a cadeia toda fica estagnada em termos de tecnologia. Em outros períodos, a tecnologia de módulo se atualizava muito mais rápido. Atualmente já não está mudando, porque as empresas não têm recursos para investir em novas tecnologias e suas linhas de produção”.
Alta começa a percorrer a cadeia solar
Uma fonte ouvida pelo Canal Solar, aponta que os efeitos já começaram a aparecer em diferentes etapas da fabricação dos módulos.
O polissilício, principal matéria-prima utilizada na produção das lâminas de silício que dão origem às células solares, foi um dos primeiros produtos a reagir, com os contratos futuros do material subindo 9% na semana passada em um único dia.
Segundo informações do Mysteel, agência chinesa especializada em preços e dados de commodities, fabricantes também realizaram novos reajustes nesta quarta-feira (12).
Um dia depois, grandes produtores voltaram a elevar suas cotações, em uma tentativa de sustentar os novos preços. O efeito ocorre em cadeia: se matérias-primas, wafers e células ficam mais caros, aumenta também a pressão sobre o custo de fabricação dos módulos.
Prata e exportações já pressionavam custos
A ação adotada nos últimos dias ocorre depois de outros fatores terem pressionado os custos da indústria fotovoltaica chinesa em 2026. Em março, fontes do mercado já apontavam a valorização da prata, utilizada na fabricação das células solares, como uma das pressões sobre os custos.
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Outro fator foi o fim de um benefício tributário de 9% concedido às exportações chinesas de produtos fotovoltaicos, que deixou de valer em 1º de abril. A mudança aumentou os custos relacionados aos produtos destinados ao mercado internacional.
Ao mesmo tempo, fabricantes passaram a sinalizar uma mudança de estratégia, demonstrando maior disposição para reduzir os volumes de produção em vez de continuar comercializando equipamentos abaixo dos custos.
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