O volume de painéis solares reciclados deverá crescer rapidamente nas próximas décadas, acompanhando a expansão da fonte fotovoltaica ao redor do mundo, mostram novas projeções da IRENA (Agência Internacional de Energia Renovável).
Segundo a entidade, o descarte anual de módulos deverá ultrapassar a marca de 3 milhões de toneladas em 2035 para mais de 25 milhões de toneladas por ano em 2050.
O avanço, segundo a entidade, está diretamente relacionado ao crescimento da capacidade fotovoltaica instalada. Atualmente, a energia solar responde por quase metade da capacidade total de geração renovável instalada no mundo.
Como os módulos são projetados para operar por aproximadamente 25 a 30 anos, o crescimento das instalações também significa que uma quantidade cada vez maior de equipamentos deverá chegar ao fim da vida útil nas próximas décadas.
Em termos de capacidade, a IRENA estima que mais de 400 GW de painéis fotovoltaicos poderão chegar ao fim da operação até 2050.
Logística terá de acompanhar crescimento do descarte
A quantidade de equipamentos que deverá ser retirada de operação exigirá também uma estrutura maior para coleta, transporte e processamento.
Segundo a IRENA, somente nos próximos dez anos serão necessárias pelo menos 120 mil viagens de caminhões pesados para transportar todos os módulos descartados.
A Agência estima ainda que serão necessárias mais de 150 instalações de tratamento de médio porte, operando em plena capacidade, para atender ao volume previsto.
Diante desse cenário, a entidade aponta a economia circular, baseada na redução, reutilização e reciclagem, como um dos caminhos para administrar o fim da vida útil dos equipamentos.
Mais de 90% dos materiais podem ser recuperados
Embora os módulos tenham vida útil limitada, grande parte dos materiais utilizados em sua fabricação pode ser reaproveitada. Segundo a IRENA, as tecnologias disponíveis atualmente permitem recuperar mais de 90% dos materiais presentes nos painéis fotovoltaicos, incluindo vidro, alumínio, cobre, silício e prata.
A Agência aponta que, com futuros avanços tecnológicos, a taxa de reciclagem de determinados minerais de valor poderá se aproximar de 100%. Uma vez recuperados, esses materiais podem retornar ao mercado e ser utilizados na fabricação de novos produtos industriais.
Esse reaproveitamento também poderá movimentar bilhões de dólares nas próximas décadas. Pelas estimativas da IRENA, o valor de mercado dos materiais recuperados anualmente de módulos fotovoltaicos em fim de vida útil poderá atingir US$ 6 bilhões em 2040 e ultrapassar US$ 20 bilhões em 2050.
Reciclagem também pode gerar empregos
A estrutura necessária para receber os equipamentos descartados deverá envolver atividades como coleta, transporte, separação, reparo, reutilização e reciclagem.
Segundo a IRENA, o próprio setor fotovoltaico já respondia por mais de 7,2 milhões de empregos em 2024, equivalentes a 43% dos postos de trabalho relacionados às energias renováveis no mundo.
Um estudo citado pela Agência e realizado por uma rede de empresas sociais na Europa indica que, com treinamento adequado, às atividades relacionadas à reutilização de resíduos eletrônicos podem gerar entre 60 e 140 empregos para cada mil toneladas de materiais coletados.
A IRENA ressalta, porém, que o desenvolvimento dessa cadeia precisa ser acompanhado por políticas trabalhistas, normas de segurança e medidas de proteção ambiental para reduzir riscos à saúde e garantir condições adequadas aos trabalhadores.
Painéis solares: mitos e verdades sobre o descarte dos módulos fotovoltaicos
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