O avanço do armazenamento de energia está fortalecendo a cadeia industrial de baterias nos Estados Unidos. Em 2025, o segmento superou a indústria automotiva e se tornou o principal responsável pelos investimentos na cadeia de fornecimento de baterias no país, segundo relatório divulgado pela U.S. Energy Storage Coalition.
O documento acompanha o compromisso assumido pelo setor de investir US$ 100 bilhões na fabricação de equipamentos e na produção de minerais críticos em território norte-americano. A expectativa é que esses aportes contribuam para a criação de mais de 350 mil empregos.
De acordo com o relatório, a capacidade dos Estados Unidos para fabricar módulos e sistemas de armazenamento deverá alcançar 146 GWh em 2026. O volume supera a demanda anual projetada para empreendimentos de grande porte, estimada em 60 GWh para 2027.
A capacidade industrial poderá chegar a 164 GWh em 2027, permanecendo nesse patamar em 2028. Em 2023, o país possuía apenas 7,5 GWh de capacidade para fabricação de sistemas. O volume avançou para 43 GWh em 2024 e 69 GWh em 2025.
Essas unidades industriais não se limitam à montagem de baterias. A cadeia também envolve a fabricação de estruturas de aço, inversores, sistemas de conversão de potência, equipamentos de controle, soluções de gerenciamento térmico e softwares de operação.
A fabricação de células destinadas ao armazenamento estacionário também passa por uma rápida expansão. Após permanecer próxima de zero até 2024, a capacidade norte-americana teria atingido 20 GWh em 2025 e poderá alcançar 96 GWh em 2026.
Para 2027 e 2028, a projeção é de 133 GWh. Com isso, a capacidade industrial deverá superar a demanda doméstica por baterias para projetos de armazenamento. As projeções consideram tanto fábricas em operação quanto ampliações e capacidades adicionais ainda pendentes de implantação.
Expansão chega à cadeia de minerais críticos
O crescimento do armazenamento também está incentivando investimentos na extração e no processamento de lítio, grafite sintético, cobre e outros materiais empregados na produção de baterias.
A capacidade norte-americana relacionada ao processamento de lítio deverá avançar de 28 GWh, em 2025, para 118 GWh em 2030, segundo as projeções apresentadas no relatório.
Entre os projetos mencionados está a refinaria de lítio da Tesla em Corpus Christi, no Texas. Com investimento superior a US$ 1 bilhão, a instalação deverá processar material suficiente para abastecer a produção anual de 30 GWh em baterias.
No entanto, a fabricação de materiais para ânodos ainda aparece como um dos elos menos desenvolvidos da cadeia. A capacidade de produção, estimada em 12 GWh em 2025, poderá atingir 121 GWh em 2030. O relatório ressalta que parte desse volume também poderá ser destinada à exportação.
Além das baterias de íons de lítio, empresas norte-americanas estão investindo em tecnologias de longa duração. A Form Energy aplicou US$ 760 milhões na construção de uma fábrica na Virgínia Ocidental. A unidade produzirá baterias de ferro-ar capazes de armazenar energia por até 100 horas e deverá gerar 750 empregos.
Para a U.S. Energy Storage Coalition, o crescimento da demanda por eletricidade, impulsionado pela instalação de data centers, pela eletrificação e pela expansão industrial, está criando um ciclo de investimentos em armazenamento, fabricação de equipamentos e minerais críticos nos EUA.
O relatório sustenta que essa expansão poderá aumentar a confiabilidade do sistema elétrico e oferecer capacidade e flexibilidade para atender às novas cargas.
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