GC Solar 22,51 GW GD Solar 49,74 GW
Artigo de Opinião

Está na hora do armazenamento de energia nas residências brasileiras

Menos de 1% das unidades com GD possuem sistemas de armazenamento

Canal Solar - Está na hora do armazenamento de energia nas residências brasileiras

Foto: UCB Power

Com colaboração de Daniel Lima, diretor BESS/GVD Energia da UCB Power*

 

O Brasil vive um momento decisivo em sua transição energética. Com mais de 3,8 milhões de unidades consumidoras com geração distribuída (GD) — sendo 3,1 milhões residenciais, segundo dados da ANEEL — o país demonstra o protagonismo do consumidor na busca por autonomia energética e economia.

Mas esse avanço, embora positivo, traz desafios urgentes para o sistema elétrico nacional.

Canal Solar - Está na hora do armazenamento de energia nas residências
Fonte: ANEEL

O desafio da estabilidade

O crescimento acelerado da GD, especialmente solar, tem pressionado o grid em momentos de baixa demanda.

Sem mecanismos de flexibilidade, como o armazenamento de energia, o sistema precisa recorrer a cortes e desligamentos de usinas despachadas para manter o equilíbrio de frequência. Isso compromete a confiabilidade e a eficiência da operação.

Armazenamento: a peça que falta

Menos de 1% das unidades com GD possuem sistemas de armazenamento. Essa lacuna representa uma oportunidade estratégica desperdiçada. Integrar baterias aos sistemas já instalados pode:

  • Reduzir a injeção de energia em momentos de baixa demanda;
  • Aliviar pressões sobre as distribuidoras;
  • Aumentar a resiliência do sistema elétrico;
  • Gerar economia e autonomia para o consumidor;
  • Viabilizar novos modelos de negócio, como serviços ancilares.

Em vez de penalizar a geração distribuída com cortes, o Brasil deveria investir em armazenar o excedente e reintegrá-lo ao grid nos picos de consumo. A tecnologia existe, o modelo é viável. O que falta é vontade política e regulação adequada.

O que podemos aprender com a Austrália?

A Austrália é um exemplo claro de como políticas públicas bem desenhadas podem acelerar a adoção de baterias residenciais. O programa Cheaper Home Batteries, com orçamento de A$ 2,3 bilhões, oferece subsídios de até 30% no custo de instalação de baterias entre 5 kWh e 100 kWh.

Além disso, o Small-scale Renewable Energy Scheme (SRES) concede certificados que geram descontos diretos, e governos estaduais complementam com subsídios ou empréstimos sem juros.

O resultado, segundo o Clean Energy Council, é que a procura por baterias domésticas cresceu 50% na segunda metade de 2024, consolidando o armazenamento como elemento central da transição energética australiana.

Uma agenda pública estratégica

Incentivar o armazenamento distribuído não é apenas uma pauta técnica, é uma agenda pública de relevância nacional. O Brasil precisa construir políticas que alinhem incentivos econômicos, regulação clara e fomento à inovação tecnológica para gerar escala e acelerar os benefícios para consumidores, distribuidoras e para o sistema como um todo.

O consumidor brasileiro já provou que está disposto a investir em energia solar. Agora, é hora de dar o próximo passo: transformá-lo em protagonista de um sistema mais descentralizado, limpo e inteligente.

O Brasil, com seu vasto potencial solar e já consolidada geração distribuída, tem todas as condições de adaptar práticas semelhantes para dar um salto qualitativo em sua matriz elétrica. Falta apenas uma política energética que enxergue o armazenamento como solução, não como luxo.


Co autor do texto:

Daniel Lima, Economista com MBA em Arquitetura, Construção e Gestão de Construções Sustentáveis. Construiu uma carreira plural e estratégica, atuando nos setores público, privado e terceiro setor. Com ampla experiência em projetos sustentáveis e captação de recursos nacionais e internacionais. Se destacou como Coordenador Geral do PRODETUR — Programa de Desenvolvimento do Turismo no Nordeste, onde liderou iniciativas de impacto regional. Atualmente, é especialista e consultor em energia solar, CEO da Agrosolar Investimentos Sustentáveis e Diretor da GVD Energia, contribuindo para a transição energética e o fortalecimento da economia verde no país. Seu trabalho une visão econômica, inovação tecnológica e compromisso ambiental — pilares essenciais para um futuro mais justo e sustentável.

As opiniões e informações expressas são de exclusiva responsabilidade do autor e não obrigatoriamente representam a posição oficial do Canal Solar.

Marcelo Rodrigues
Sobre o autor
Marcelo Rodrigues

Marcelo Santos Rodrigues é executivo sênior dos setores de energia e infraestrutura, com atuação em transição energética, armazenamento de energia e estratégia. É Advisor da UCB Power, Co-Founder e Conselheiro da ABSAE – Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de energia & Partner da MR Partners, onde atua na aceleração de negócios de impacto e no apoio estratégico a empresas do setor

Comentários (3)

Os comentários são moderados antes da publicação

Os comentários devem ser respeitosos e contribuir para um debate saudável. Comentários ofensivos poderão ser removidos. As opiniões aqui expressas são de responsabilidade dos autores e não refletem, necessariamente, a posição do Canal Solar.

Deixe seu comentário

  • JOÃO BATISTA MONTEIRO JUNIOR

    Estou inclinado a completar meu sistema híbrido Weg/Huawei. Mas os preços me assustaram muito, além do custo da mão de obra estar fora de cogitacao.

  • Sergio

    Como obter este armazenamento com qualidade e equipe técnica para fazer isto? É possível parcelar?

  • Disne Jose De Souza

    o governo só ajudar o Agro e os empresários nos que ajudarmos o meu ambiente colocando placar solares nas nossas residências e agora estamos ameaçados com mais tarifas e a maioria está pagando o financiamento assim como eu

Canal Solar
Privacidade

Este site usa cookies para que possamos fornecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.