6 de julho de 2022
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Baterias de lítio: é possível reciclar?

Fabricante revela planos para uso de baterias de VEs em segunda vida

Autor: 20 de junho de 2022junho 22nd, 2022Baterias
Baterias de lítio: é possível reciclar?

Mercado de baterias de lítio no Brasil é promissor. Foto: Envato Elements

Mundialmente, o mercado de BESS (Sistemas de Armazenamento de Energia com Baterias) já é uma realidade e possui expectativas de continuar crescendo de forma acentuada e sólida. Alemanha e Estados Unidos são países que se destacam em tais investimentos, focados em serviços ancilares.

Inclusive, quando falamos nas instalações com sistemas fotovoltaicos, as baterias têm um papel fundamental, principalmente com a mudança do marco regulatório no Brasil, e com a popularização das baterias de lítio (LFP).

O segmento segue expandindo, mas algo que ainda gera dúvidas é sobre a existência de programas de descarte e a possibilidade de reciclagem das mesmas.

O Canal Solar conversou com as fabricantes BYD e Unicoba que discorreram sobre o tema e trataram de projetos futuros para alavancar o setor no país.

Descarte das baterias de lítio

Marco Togniazzolo, gerente de engenharia de baterias da Unicoba, disse que a empresa já possui um programa para a coleta e descarte que cumpre as determinações da legislação vigente, compreendendo inclusive o descarte de baterias estacionárias de outras marcas.

“Fazemos a destinação adequada, enviando para usinas especializadas e regularmente cadastradas para reciclagem”, relatou Togniazzolo.

“Essa solicitação de descarte pode ser feita diretamente no nosso site, onde temos uma área dedicada para isso, mas também pode ser feito pelos nossos canais e parceiros de vendas, e diretamente com o time comercial”, explicou.

Ao final do processo, ele enfatizou que o solicitante recebe o CDF (Certificado de Destinação Final), comprovando ao IBAMA e aos demais órgãos que a empresa fez a destinação final adequada dos resíduos gerados (no caso, a sucata de bateria).

Referente a BYD, a companhia ressaltou que está desenvolvendo também um plano para atender uma possível necessidade de descarte de baterias de LFP utilizadas em BESS.

“Isso de acordo com os padrões utilizados atualmente pela unidade de negócios dos VEs (veículos elétricos), mediante a parceria com uma empresa especializada que realiza o processo de descarte adequado”, apontou Carlos Brandão, engenheiro de produto da BYD Brasil.

“Além disso, o time de engenharia da marca está desenvolvendo projeto de pesquisa direcionado para uso de baterias de veículos elétricos em segunda vida e, outro, que corresponde a reciclagem de todas as baterias utilizadas em múltiplas aplicações – indo de encontro com a ideia de economia circular”, pontuou.

Togniazzolo afirmou que sim, as baterias são recicladas para aproveitamento das suas partes. Para as de chumbo, 100% do material é reciclado, incluindo partes como gabinete plástico e terminais metálicos.

Já para as de lítio, depende do tipo de célula que está sendo usada. Baterias portáteis para telefone, por exemplo, possuem um índice de reciclagem diferente de uma bateria VRLA, montada com válvulas reguladoras de pressão – que garantem a não emissão de gases corrosivos e a instalação próxima a circuitos elétricos.

“Dessa forma, é importante utilizar elementos que não agridem o meio ambiente. As baterias da Unicoba são produzidas com o lítio ferro-fosfato, que não possui elementos tóxicos”, frisou.

Brandão também comentou sobre o assunto e destacou que a BYD está fazendo parcerias para desenvolver frentes de pesquisas direcionadas à reciclagem de baterias de LiFePO4.

“Neste processo pode ser utilizado diferentes métodos, indo desde desmontagem mecânicas até o uso de metodologias mais refinadas como hidrometalúrgicos e pirometalúrgicos com o intuito aproveitar, principalmente, os materiais valiosos das baterias”, comentou.

Consigo reciclar todos os componentes da bateria?

Segundo o engenheiro da Unicoba, independentemente da construção, todas as partes são recicladas, como componentes básicos, separadores, partes plásticas, conectores e terminais etc.

“Como dito anteriormente, a maioria dos processos de reciclagem que estão sendo pesquisados e desenvolvidos tem como objetivo primordial serem eficientes no reaproveitamento, principalmente, nos componentes de maior valor agregado das baterias de LFP como o Lítio, Cobre, Grafite, Alumínio e o Ferro”, disse o engenheiro da BYD.

Custo da reciclagem

De acordo com os especialistas, o custo varia conforme o tipo de bateria, preço da matéria-prima, sazonalidade e outras particularidades no processo logístico, da coleta até o processo final de reciclagem.

O Brasil possui uma legislação de reciclagem reversa?

A resolução CONAMA nº 401 de 2008 estabelece que todo fabricante no Brasil é obrigado a receber as baterias comercializadas por ele que estejam energeticamente esgotadas.

“Também existem outras iniciativas que apoiam o processo de reciclagem no Brasil”, finalizou o gerente de engenharia de baterias da Unicoba.

Mercado de baterias do Brasil

Na visão de Marco Togniazzolo, o país possui um mercado promissor e em franco crescimento para as soluções de armazenamento de energia para aplicações estacionárias.

Segundo Carlos Brandão, sabe-se que, infelizmente, o mercado de baterias no Brasil é consideravelmente atrasado em relação ao europeu e americano. Para ele, no país, o business de BESS é retraído, sendo mais focado em projetos de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) de maior porte.

“Entrentanto, assim como outros players, consideramos este status atual como uma oportunidade de negócio, visto que, todos estamos com grandes expectativas no mesmo”, ressaltou.

Carlos Brandão, engenheiro de produto da BYD Brasil. Foto: BYD/Divulgação

Carlos Brandão, engenheiro de produto da BYD Brasil. Foto: BYD/Divulgação

“É de conhecimento que a geração provenientes de fontes renováveis, como solar e eólica, são as grandes apostas na composição e diversificação da matriz energética brasileira e, também, mundial”, acrescentou.

“Porém, essas fontes possuem uma fraqueza inerente, a intermitência. É neste ponto que os BESS entram. Eles resolvem o problema de intermitência das renováveis, deixando-as firmes e ininterruptas para demandas do nosso sistema interligado nacional”, enfatizou.

Ademais, é válido ressaltar que, além disso, os Sistemas de Armazenamento de Energia em Baterias trazem uma série de benefícios para a rede, chamados de serviços ancilares.

“Exemplos de serviços ancilares, além da redução da intermitência, são regulação de frequência, regulação de tensão, absorção de variações rápidas da rede e time-shift (deslocamento da energia para períodos estratégicos)”, explicou.

“No caso de sistema de pequeno e médio porte, os híbridos com baterias possuem aplicações que beneficiam onde são aplicados, como peak-shaving (evita que o consumo ou injeção de eletricidade gerada no sistema solar ultrapasse a demanda contratada), backup e blackstart. Por isso, os sistemas híbridos (solar e eólica mais baterias), não são só importantes mas essenciais para nosso país e mundo”, concluiu.

Mateus Badra

Mateus Badra

Atuou como produtor, repórter e apresentador na Bandeirantes e no Metro Jornal. Acompanha o setor elétrico brasileiro há mais de dois anos, atuando nas editorias de Mercado e Tendências, Mobilidade Urbana, P&D e Equipamentos. Jornalista graduado pela PUC-Campinas.

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