O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) confirmou nesta segunda-feira (15) que possui capacidade financeira para apoiar os sistemas de armazenamento de energia que forem contratados no LRCAP (Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência) de 2026.
A sinalização foi feita durante um workshop realizado na sede da instituição, no Rio de Janeiro (RJ), que reuniu agentes do setor elétrico para discutir regras de conteúdo local e mecanismos de financiamento para sistemas de armazenamento de energia (BESS, na sigla em inglês).
O leilão, previsto para ocorrer entre os dias 2 e 4 de dezembro, é considerado um marco para o setor elétrico brasileiro por inaugurar a contratação estruturada de baterias em larga escala no país.
A expectativa é que os sistemas de armazenamento contribuam para aumentar a flexibilidade operativa e a confiabilidade do SIN (Sistema Interligado Nacional).
Conforme já noticiado, a proposta em discussão pelo Governo prevê a realização de dois certames independentes: um destinado a projetos que atendam aos requisitos mínimos de conteúdo local e outro aberto à ampla concorrência, independentemente da origem dos equipamentos.
Fundo Clima será principal fonte de recursos
Durante o encontro promovido nesta segunda-feira (15) em parceria com a ABSAE (Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia), o BNDES informou que o Fundo Clima será o principal mecanismo de financiamento para os projetos de armazenamento contratados no LRCAP, com custo financeiro de 6,5% ao ano.
Para 2026, o orçamento atualmente disponível para o Fundo Clima é de R$ 27 bilhões, podendo alcançar R$ 34 bilhões mediante autorização do Governo Federal e aprovação do Congresso Nacional.
Apesar da disponibilidade dos recursos, o banco informou que o dimensionamento final das linhas de crédito dependerá da capacidade de armazenamento contratada no leilão e das definições regulatórias que ainda estão em análise pelo MME (Ministério de Minas e Energia).
Linha de inovação mira nacionalização da cadeia
Além do Fundo Clima, o BNDES pretende utilizar a linha BNDES Mais Inovação para estimular o desenvolvimento tecnológico e incentivar o fortalecimento da cadeia produtiva nacional de baterias.
De acordo com representantes do banco, a linha poderá desempenhar papel relevante no estímulo ao desenvolvimento tecnológico e ao fortalecimento da cadeia produtiva nacional de baterias.
Em relação ao conteúdo local, a ABSAE informou ao Canal Solar que os critérios para acesso ao financiamento já foram definidos pelo BNDES. As regras preveem a obrigatoriedade de determinados itens estratégicos e um percentual mínimo de conteúdo local de 15%, com elevação gradual nos anos subsequentes.
A expectativa do banco é que a política de conteúdo local contribua para o desenvolvimento gradual de uma cadeia nacional de armazenamento de energia, reduzindo a dependência de equipamentos importados e ampliando os investimentos produtivos no país.
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