A estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2026 será contra Marrocos neste sábado (13), às 19h. Além de ter chegado à semifinal do último mundial e de estar há 29 jogos sem perder, fora dos gramados o país africano também se destaca pelos avanços em seu setor elétrico.
Embora a geração térmica ainda tenha papel importante no abastecimento de eletricidade, especialmente por meio de usinas a carvão e gás natural, a participação das fontes renováveis vem crescendo de forma acelerada no país, com destaque para a energia solar, eólica e hidrelétrica.
Nos últimos anos, o Governo marroquino estabeleceu metas ambiciosas para ampliar a participação das energias limpas na matriz elétrica e consolidar o país como uma referência regional na transição energética.
Expansão das energias renováveis
Marrocos é considerado um dos líderes africanos em energia renovável. O país aproveita seu elevado potencial solar e eólico para diversificar a geração elétrica e reduzir a vulnerabilidade associada à importação de petróleo, carvão e gás natural.
Nos últimos anos, a capacidade instalada de fontes renováveis cresceu significativamente. Segundo dados recentes, o país ultrapassou 4,8 GW de capacidade renovável instalada, com destaque para projetos solares e parques eólicos distribuídos em diferentes regiões do território.
A meta oficial é que as energias renováveis representem 52% da capacidade elétrica instalada até 2030.
Estrutura institucional
O setor elétrico marroquino é coordenado principalmente pelo ONEE (Office National de l’Électricité et de l’Eau Potable), empresa pública responsável pela transmissão de energia e por parte significativa das atividades de geração e distribuição.
A regulação do mercado é realizada pela ANRE (Autoridade Nacional de Regulação da Eletricidade), criada para supervisionar o funcionamento do setor, definir regras de acesso à rede e incentivar a abertura gradual do mercado à iniciativa privada.
Além das empresas estatais, investidores privados participam da geração de energia, especialmente em projetos de energia renovável.
Operação
O sistema elétrico marroquino opera de forma integrada e tem como prioridade garantir o equilíbrio entre geração e consumo de energia.
Nos últimos anos, o planejamento energético passou a incorporar novas soluções para aumentar a flexibilidade da rede, incluindo sistemas de armazenamento de energia, usinas reversíveis e reforço das interligações elétricas.
A expansão das energias renováveis exige investimentos contínuos em infraestrutura para garantir a estabilidade do sistema diante da variabilidade da geração solar e eólica.
Transmissão e distribuição
A rede de transmissão conecta os principais centros urbanos, industriais e portuários do país. Nos últimos anos, Marrocos intensificou os investimentos para ampliar a capacidade da rede e permitir a integração de novos projetos renováveis.
Em 2025, o ONEE obteve financiamento internacional para modernizar centenas de quilômetros de linhas de transmissão e aumentar a capacidade de transporte de energia elétrica.
A modernização da infraestrutura é considerada essencial para atender ao crescimento da demanda e aos objetivos de descarbonização da economia.
Políticas energéticas
A política energética marroquina está fortemente voltada para a transição energética. O governo promove programas de incentivo à geração renovável, à eficiência energética e ao desenvolvimento de tecnologias associadas ao armazenamento de energia e ao hidrogênio verde.
Além disso, o país aprovou metas de expansão para os segmentos solar e eólico até o final desta década, buscando consolidar uma matriz elétrica mais sustentável e competitiva.
Preços
Os custos da eletricidade em Marrocos são influenciados pela forte dependência da importação de combustíveis fósseis. Estima-se que o país importa cerca de 90% de suas necessidades energéticas, o que torna o setor sensível às oscilações dos preços internacionais de energia.
Por esse motivo, a expansão das fontes renováveis é vista como uma estratégia para reduzir custos no longo prazo e aumentar a previsibilidade tarifária.
Disputa com o Brasil no hidrogênio verde
Além dos avanços na geração renovável, Marrocos também vem se posicionando como um dos principais concorrentes do Brasil no mercado global de hidrogênio verde.
O país busca aproveitar sua localização estratégica, próxima à Europa, e a abundância de recursos solares e eólicos para atrair investimentos voltados à produção de combustíveis de baixo carbono.
Grande parte dessa estratégia está associada ao aproveitamento de extensas áreas desérticas do Saara, onde são instalados grandes complexos solares capazes de gerar eletricidade em larga escala.
A energia produzida nesses empreendimentos pode ser utilizada para alimentar processos de eletrólise da água, permitindo a produção de hidrogênio verde destinado tanto ao consumo interno quanto à exportação.
Nos últimos anos, o governo marroquino lançou programas para atrair investidores internacionais e desenvolver uma cadeia produtiva voltada ao hidrogênio verde e seus derivados, como a amônia verde.
Assim como o Brasil, o país aposta no potencial das energias renováveis para se tornar um fornecedor relevante de combustíveis limpos em um mercado que deve ganhar importância nas próximas décadas.
Desafios
Apesar dos avanços, Marrocos ainda enfrenta importantes desafios no setor elétrico, tais como:
- Reduzir a dependência da importação de combustíveis fósseis;
- Expandir a infraestrutura de transmissão para acompanhar o crescimento das energias renováveis;
- Aumentar a capacidade de armazenamento de energia;
- Garantir a estabilidade do sistema diante da expansão da geração solar e eólica;
- Alcançar a meta de 52% de capacidade renovável instalada até 2030.
Apesar desses desafios, Marrocos é considerado um dos países mais avançados da África em transição energética. O crescimento dos investimentos em energia solar e eólica, aliado à modernização da rede elétrica, deve continuar transformando o sistema energético marroquino nos próximos anos.
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