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Consumidora recorre, mas ANEEL mantém restrição da Cemig que permite injetar energia solar “apenas à noite”

Sistema de 75 kW poderá exportar energia para a rede somente entre 19h e 5h; limitação foi justificada pela inversão de fluxo

Canal Solar - Consumidora recorre, mas ANEEL mantém restrição da Cemig de injetar energia solar “apenas à noite”

Foto: Igor Israel/Click Solar

A ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) manteve a restrição que permite a uma consumidora injetar na rede da Cemig a energia produzida por um sistema solar de 75 kW apenas entre 19h e 5h. A condição foi estabelecida pela distribuidora após um estudo identificar inversão do fluxo de potência na rede elétrica.

A decisão chama atenção porque a geração fotovoltaica ocorre durante o dia. Sem um sistema de armazenamento, a autorização para exportar energia somente no período noturno equivale, na prática, a impedir que os excedentes da usina sejam enviados para a rede.

O caso envolve uma unidade consumidora localizada no município de São Francisco, em Minas Gerais. A decisão integra o 14º Circuito Deliberativo Ordinário da Diretoria da ANEEL.

A restrição não significa que a consumidora seja obrigada a injetar energia durante a noite. A condição apresentada pela Cemig estabelece que a exportação para a rede somente poderá ocorrer nesse intervalo.

Durante o dia, a energia solar ainda poderá ser utilizada para atender ao consumo instantâneo da unidade. Para impedir que os excedentes cheguem à rede, porém, a consumidora poderá reduzir a potência da usina ou recorrer ao armazenamento de energia.

Consumidora contestou orçamento da Cemig

A Cemig apresentou o orçamento de conexão em agosto de 2023. Ao analisar o pedido, a distribuidora identificou que a entrada do sistema de microgeração provocaria inversão de fluxo no posto de transformação ou no alimentador. A consumidora questionou a fundamentação dos estudos e pediu a revisão das condições.

Em fevereiro de 2026, a SMA (Superintendência de Mediação Administrativa e das Relações de Consumo) negou o pedido. Diante da decisão, a consumidora apresentou recurso administrativo, alegando que o orçamento de conexão e a manifestação da Agência não estavam devidamente fundamentados.

A Diretoria da ANEEL, entretanto, manteve o entendimento da área técnica e negou provimento ao recurso. Com isso, continuam válidas as condições estabelecidas no orçamento de conexão da Cemig.

O processo não informa quanto custariam as obras de reforço da rede, quais alternativas foram descartadas pela Cemig nem o investimento necessário para que a energia solar pudesse ser injetada durante o dia.

Restrição está prevista na regulamentação

A decisão foi fundamentada no Art. 73 da Resolução Normativa nº 1.000/2021. Pela regra, quando a conexão de micro ou minigeração distribuída provocar inversão de fluxo, a distribuidora deverá realizar estudos para identificar alternativas capazes de eliminar o problema.

Entre as soluções previstas estão:

  • Reconfiguração dos circuitos e remanejamento de cargas;
  • Conexão da geração em outro circuito;
  • Conexão em nível de tensão superior;
  • Redução permanente da potência injetada;
  • Limitação da injeção em dias e horários determinados;
  • Controle dinâmico da potência exportada.

No caso analisado, a Cemig concluiu que a injeção entre 19h e 5h seria a alternativa tecnicamente viável para eliminar a inversão de fluxo.  A STD (Superintendência de Regulação dos Serviços de Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica) considerou que o estudo cumpriu os requisitos da regulamentação.

A Procuradoria Federal junto à ANEEL também entendeu que não havia irregularidades jurídicas no procedimento. Ao analisar o processo, a ANEEL afirmou que sua atuação em reclamações individuais se limita a verificar se os procedimentos adotados pela distribuidora estão de acordo com a regulamentação.

Segundo a Agência, não cabe ao regulador substituir a concessionária na elaboração ou revisão dos estudos técnicos de conexão. A ANEEL também concluiu que o recurso da consumidora não apresentou fatos novos nem argumentos técnicos ou jurídicos capazes de afastar as conclusões da Cemig e das áreas técnicas da Agência.

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Wagner Freire
Sobre o autor
Wagner Freire

Wagner Freire é jornalista graduado pela FMU. Atuou como repórter no Jornal da Energia, Canal Energia e Agência Estado. Cobre o setor elétrico desde 2011. Possui experiência na cobertura de eventos, como leilões de energia, convenções, palestras, feiras, congressos e seminários.

Comentários (17)

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  • Jair

    O foco é comprar a energia das chinesas quem investiram em hidrélicas aqui e de termoelétricas, isto sim. A geração solar ficará cada vez mais difícil neste país de merda que só tem tamanho, e minúsculo no resto.

  • Fábio

    Brazel meus amigos.

  • Paulo Cesar

    o dia que faltar geracao, mudam rapidinho essa lei

  • José

    vergonha esse país as pessoas investem em telha solar pra poder economizar e ANEEL apoia as empresas que ficam cada vez mais ricas e a gente que recebe uma miséria tem que pagar um absurdo na conta de luz,país dos ladrões

  • Tô já razão.

    O cidadão sempre leva a pior. Melhor pensar em um justo dimensionamento da geração próprio e realizar em offgrid.

  • Paulo

    Brasil e um país especial mesmo,todos indo em direção da energia limpa e Brasil na contra mão, bloqueios e desligamentos de sistemas de usinas solares,mas quando o assunto e usinas termoelétrica que consomem horrores de.combustiveis fósseis e contribuem com a poluição, encarecem a energia aos brasileiros, mas favorecem alguns poucos ,nao a problemas nem cortes desses gastos,foi o que aconteceu no leilão de energia do governo ,grupo que comprou termoelétrica para participar do leilão, incrível nosso país.

  • As.schumamn@hotmail.com

    Isto prova que o governo quer mesmo é cada vez é arrecadar monetariamente. Não adianta o cidadão criar meios de economia.Tem que pagar sempre; para alguém viajar pelo mundo gastando dinheiro do povo!!!

  • Luiz Carlos Massoca

    Bom dia como exportar a noite que os pequenos usuários do sistema 75KW de energia só gera durante o dia. E os que tem uso de armazenamento usam em seu próprio consumo
    no meu caso exporto excedente de consumo.Nao tem lógica técnica, acho isso um absurdo !!!!????

  • Ailton Andrade

    tenho vontade de investir usina 75kw o que acrescenta valores para guardar em baterias durante o dia e repor a noite?

    valor a mais?

    se tem algum incentivo do governo para este plano?

  • Cansado

    compra um bom pack de baterias e vá ser feliz! mande a reguladora pastar! quando eu finalizar meu projeto, será offgrid!

  • Milton Bueno

    Recomendo comprar um pack de baterias, estocar durante o dia e injetar a noite. O sistema vai precisar de um inversor hibrido!

  • Jorge

    Pelo porte da edificação, o cara tem dinheiro, compre umas baterias e desligue os cabos da concessionária, problema resolvido. Offgrid, o grito de libertação da GD.

  • Márcio Farias Maciel

    Nesse país roubar o cidadão de bem já é uma prática institucionalizada. A melhor solução para essa safadeza, é montar o sistema offgrid e desligar o contador. A tecnologia aumentou o tempo de vida das baterias para armazenamento próprio da energia. Quero ver como vão fazer quando não tiverem a quem vender a energia. Desligar o sol? Acho difícil.

  • Carlos

    absurdo. se o sistema elétrico da distribuidora não absorve uma potencia de 75 KW isso traduz que seu sistema esta no limite nominal. Ou seja, nao existe ampliação ou reforço de rede.

  • Cleber Fonseca

    a solução seria ter um sistema Híbrido, pois existe além da taxa do fio B, a inviabilidade de injetar na rede. Creio que a desinformação na hora do projeto ainda é grande e tbm pelos alto custo do sistema Híbrido por conta das baterias

  • Luiz Fernando

    então ela deveria ter feito uma análise junto a Cemig antes de colocar os painéis solares. certo?
    agora seria melhor aumentar o investimento e colocar o sistema offgrid para que um dia ter o retorno do investimento . certo? A Cemig não se opõem ao offgrid nesse caso . certo?

  • Aurelio Tornisiello

    faltou um relatório de um engenheiro eletricista contestando e mostrando se é possível a inversão de fluxo sem da danificar o sistema da Cemig.

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