Dólar nas alturas forçará alta de preço de kits fotovoltaicos

No começo desta semana, o valor da moeda norte-americana chegou a superar a barreira dos R$ 5,66
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Brasil enfrenta pressões que estão impactando o custo dos kits solares. Foto: Divulgação

Um dos principais assuntos que vem dominando os noticiários brasileiros nas últimas semanas é a disparada do dólar em relação ao real – algo que impacta diretamente o preço de produtos importados.

Nesse sentido, o setor de energia solar acaba sendo um dos mais prejudicados, já que a grande maioria dos equipamentos comercializados no mercado nacional são adquiridos em outros países pelas distribuidoras antes de serem revendidos.

Roberto Caurim, CEO da Bluesun, explica que, basicamente, o Brasil enfrenta hoje duas grandes pressões que estão impactando fortemente o custo dos equipamentos fotovoltaicos

“O primeiro deles é o frete, que subiu de US$ 3 mil para US$ 10 mil num curto espaço de tempo. A outra é a pressão em cima do dólar, que é a moeda corrente que utilizamos para todas as transações comerciais internacionais”, disse ele. 

Em entrevista ao Canal Solar, o executivo pontuou que, em decorrência do atual cenário, o mercado de energia solar brasileiro deve passar por um segundo semestre marcado pelo aumento de preço nos kits fotovoltaicos

“Haverá aumentos no mercado. Se uma distribuidora não subir o preço agora, corre um risco enorme de não conseguir recomprar estoque para atender os seus integradores num futuro próximo. Isso porque o equipamento ficou cerca de 20% mais caro”, disse ele.  

Segundo Caurim, essa pressão está sobre todas as distribuidoras, o que resultará em aumento de preço dos kits fotovoltaicos. ”Qualquer economia de mercado, com um pouco de robustez, aumenta o preço quando se tem pressões que sobem o seu custo”, explicou. 

“Nós vimos cair bastante o preço dos módulos quando reduziu o preço do Wp na China. Na época, o frete estava mais barato e o dólar estava menor. Eles devem subir agora, a menos que ocorra uma mudança inesperada de cenário”, destacou. 

No caso do frete marítimo, o executivo destaca que não há perspectiva de queda para o segundo semestre. “O valor deve se manter muito próximo dos custos atuais até o final do ano. Se cair, cairá um pouco, segundo os armadores com quem mantemos conversas”.

Em contrapartida, no caso do dólar “não há como fazer previsões do que vai acontecer, uma vez que a moeda norte-americana oscila em razão de uma série de fatores, sobretudo políticos”, ressaltou Caurim.

Alta do dólar 

No começo desta semana, o valor da moeda norte-americana chegou a superar a barreira dos R$ 5,66 – o maior patamar desde o primeiro trimestre de 2022

Na noite desta quarta-feira (3), depois de um dia inteiro de reuniões, o Governo Federal anunciou um corte de R$ 25 bilhões em despesas e prometeu que o arcabouço fiscal será cumprido .

A medida amenizou a preocupação dos investidores após uma série de críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Banco Central do Brasil e ao presidente da instituição, Roberto Campos Neto. 

Nesta quinta-feira (4), o dólar operou em forte queda e fechou o dia numa cotação abaixo dos R$ 5,50 – um valor, ainda assim, consideravelmente maior do que estava no início do ano (R$ 4,85, em janeiro).

No primeiro semestre deste ano, o real foi a quinta moeda que mais se desvalorizou no mundo em relação ao dólar, com uma queda acumulada de 13,4% nos primeiros seis meses de 2024. 

Neste quesito, o Brasil só ficou à frente da Nigéria, do Egito, do Sudão do Sul e de Gana, que tiveram uma desvalorização no período de 42,3%; 36,0%; 29,9%, e 21,6%, respectivamente, segundo levantamento da Agência Austin Rating

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Imagem de Henrique Hein
Henrique Hein
Atuou no Correio Popular e na Rádio Trianon. Possui experiência em produção de podcast, programas de rádio, entrevistas e elaboração de reportagens. Acompanha o setor solar desde 2020.

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