Estamos presenciando um caos no setor elétrico brasileiro em função de políticas que não observaram o desenvolvimento das novas tecnologias principalmente no campo distribuído.
Em função de várias decisões equivocadas desde a falta de modernização do mercado de energia elétrica, o Brasil não consegue lidar com a transição energética buscando soluções caras que vão se refletindo na tarifa final do consumidor.
Já há algum tempo se coloca a culpa diretamente na MMGD (micro e minigeração distribuída) e no incentivo do “net-metering” que foi um sucesso de resposta do consumidor investindo em geração própria para abater a sua carga.
Artigos recentes de entidades importantes requentaram a noção de que a MMGD é um exemplo de Robin Hood às avessas. Estas publicações carecem de uma quantificação e acabam ficando apenas na retórica, não analisando com profundidade os efeitos positivos e negativos da MMGD.
Esta visão acaba ocasionando um desserviço na busca de soluções eficientes e menos custosas para todos os consumidores, inclusive aqueles que não têm placas solares.
Este artigo faz uma sequência de análises de atributos elétricos e energéticos que poderão elucidar melhor esses pontos.
O primeiro conceito importante é que não se pode falar de um sistema elétrico com MMGD sem mencionar o grau de penetração nestas redes que diferem localmente quanto à configuração e a forma de utilização (curva de carga).
Em resumo, a generalização ou a adoção de um pior caso como exemplo acaba distorcendo os fatos e criando narrativas falsas.
Em estudo recente realizado pela ABGD (Associação Brasileira de Geração Distribuída) sob o título “Análise de Custos e Benefícios da MMGD” motivado pela determinação da Lei 14300/22, foi observado que o nível de penetração da MMGD é ainda baixo comparado com outros países como Austrália, Alemanha, Espanha, etc.
Extraindo da BDGD (Base de Dados Geográfica da Distribuidora) da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) constata-se que temos hoje mais de 27 mil redes de MT (média tensão) e quase 6 milhões de redes de BT (baixa tensão) comumente denominadas de redes primárias e secundárias respectivamente.
Apesar do estudo da ABGD ter avaliado o efeito da MMGD não só nestas redes mas também nas redes de AT (alta tensão) e RB (rede básica), este artigo concentra a análise nas redes BT, MT e transformadores AT/MT que normalmente são pouco explorados e existe uma grande assimetria de informação.
Para organizar melhor a análise do impacto da MMGD é recomendável segmentar em atributos que irão ocasionar os custos ou benefícios ao sistema.
Neste artigo, partimos do Plano de Desenvolvimento da Distribuição (PDD) para dimensionar o investimento em jogo, seguimos pela expansão da rede em suas três camadas — BT, MT e AT —, e depois discutimos o efeito nas perdas técnicas e nas tensões da rede.
Confira todos os detalhes no artigo completo, disponível na Revista Canal Solar Vol.7, Nº 3 – Agosto/2026.
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