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Energia cara reduz competitividade do Brasil, aponta estudo

CLP afirma que encargos e custos de rede impedem que matriz renovável se traduza em preços mais baixos para consumidores e empresas

Canal Solar - Energia cara reduz competitividade do Brasil, aponta estudo

Foto: Magnific

O Brasil não consegue transformar sua matriz elétrica predominantemente renovável em uma vantagem competitiva para a economia. 

A avaliação consta de um estudo do CLP (Centro de Liderança Pública), que atribui o elevado preço final da eletricidade ao acúmulo de encargos, subsídios, tributos, perdas e custos decorrentes de decisões legais e regulatórias.

Segundo o levantamento, o preço residencial da energia elétrica no Brasil alcançou US$ 0,179 por kWh em dezembro de 2025. 

Em termos nominais, o valor ficou próximo da média mundial e abaixo de países como Alemanha, França e Japão. No entanto, superou os preços observados em economias como China, Índia e Canadá.

A diferença torna-se mais evidente quando o preço é ajustado pela paridade do poder de compra, indicador que considera o custo de vida e o poder aquisitivo de cada país. 

Na base média utilizada pelo estudo, a tarifa residencial brasileira passou de US$ 0,164 por kWh para o equivalente a US$ 0,357 por kWh após esse ajuste. Para as empresas, o valor aumentou de US$ 0,133 para aproximadamente US$ 0,289 por kWh.

Na avaliação do CLP, o resultado mostra que a eletricidade pesa mais sobre o orçamento dos consumidores e os custos das empresas brasileiras do que a comparação nominal sugere. 

O cenário também reduz a capacidade do país de atrair investimentos e competir com economias que conseguem converter seus recursos energéticos ou sua escala em preços finais menores.

Energia representa menos de um terço da conta

O estudo destaca o contraste entre os custos da geração e o valor efetivamente cobrado dos consumidores. Nos Leilões de Energia Existente A-1, A-2 e A-3 realizados em 2025, os preços médios ficaram entre R$ 205/MWh e R$ 213/MWh.

Na conta de luz, porém, a energia propriamente dita respondeu por apenas 30,4% do valor pago em 2025. A distribuição representou 26,1%; os tributos, 18,1%; os encargos setoriais, 15,2%; e a transmissão, 10,1%.

Dessa forma, quase 70% da fatura estava relacionada a outros componentes além da compra da energia. Para o CLP, essa composição dilui a vantagem proporcionada pela elevada participação de fontes renováveis e de baixo custo na matriz brasileira.

As perdas de energia também pressionam as tarifas. Dados da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) citados no levantamento indicam que as perdas técnicas correspondem a 7,2% da energia injetada nas redes. 

Quando também são consideradas as perdas não técnicas, como furtos, fraudes e erros de medição, o percentual chega a 14,3% da energia distribuída.

Outro fator apontado pelo estudo é o crescimento da CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), fundo que reúne recursos destinados a diferentes políticas públicas e subsídios do setor elétrico.

Em 2025, o orçamento da CDE alcançou R$ 49,2 bilhões, dos quais R$ 46,8 bilhões foram pagos pelos consumidores. Para 2026, a proposta apresentada pela ANEEL elevou o valor total para R$ 52,7 bilhões, com R$ 47,8 bilhões cobertos diretamente pelas tarifas.

O CLP defende que políticas públicas que não estejam diretamente relacionadas ao fornecimento de energia sejam avaliadas com maior transparência e, quando possível, financiadas pelo Orçamento da União.

Reformas poderiam reduzir custo relativo da eletricidade

O CLP calculou diferentes cenários para estimar como mudanças nos componentes tarifários afetariam o preço residencial ajustado pela paridade do poder de compra. Os resultados são exercícios de sensibilidade e não representam projeções para as tarifas.

No cenário que considera apenas uma reforma da CDE e dos subsídios, o indicador cairia de US$ 0,357 para US$ 0,322 por kWh. Com a redução de encargos e de parte das perdas, recuaria para US$ 0,290 por kWh.

Uma reforma mais ampla, sem alterações tributárias, poderia levar o valor a US$ 0,275 por kWh. Já o cenário mais abrangente, que inclui a redução pela metade da carga tributária estimada, diminuiria o indicador para US$ 0,241 por kWh.

Os cálculos não consideram os investimentos necessários para colocar as medidas em prática. Por isso, segundo o próprio estudo, os resultados indicam somente a ordem de grandeza dos possíveis efeitos, e não uma tarifa futura ou o ganho líquido decorrente das reformas.

Para o centro, o Brasil dispõe de uma base de geração capaz de oferecer eletricidade competitiva, mas parte dessa vantagem se perde antes de chegar aos consumidores.

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Wagner Freire
Sobre o autor
Wagner Freire

Wagner Freire é jornalista graduado pela FMU. Atuou como repórter no Jornal da Energia, Canal Energia e Agência Estado. Cobre o setor elétrico desde 2011. Possui experiência na cobertura de eventos, como leilões de energia, convenções, palestras, feiras, congressos e seminários.

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