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Início / Artigos / Artigo de Opinião / Pressões financeiras aumentam importância da inspeção de fim de garantia no setor fotovoltaico

Pressões financeiras aumentam importância da inspeção de fim de garantia no setor fotovoltaico

Curtailment e novas alíquotas de importação demandam operação otimizada
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  • Foto de Vinicius Gibrail Vinicius Gibrail
  • 22 de abril de 2026, às 14:09
4 min 24 seg de leitura
Pressões financeiras aumentam importância da inspeção de fim de garantia no setor fotovoltaico
Foto: Freepik

O uso da energia solar aumenta no Brasil e segundo o BEN 2025 (Balanço Energético Nacional 2025), da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), em 2024, a geração de energia solar cresceu 39,6% em comparação com o ano anterior, considerando o total gerado pela geração centralizada, formada por grandes usinas fotovoltaicas, e pela MMGD (Microgeração e Minigeração Distribuída)

Ainda segundo o balanço, em 2024 a energia solar representava 9,3% da matriz elétrica brasileira, no ano anterior o percentual foi de 7%.

Paralelo ao aumento da geração de energia solar cresce também a pressão financeiro sobre as fazendas solares e usinas fotovoltaicas. Desde novembro de 2024, quando ocorreu o aumento na alíquota de importação de painéis solares, por meio da Resoluçao Gecex nº 666, que elevou a tarifa de importação dos módulos fotovoltaicos de 9,6% para 25%, o setor precisa otimizar cada vez mais sua operação para manter o equilíbrio financeiro.

Em 2025 o curtailment (restrição de geração) que o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) faz para preservar a segurança e confiabilidade do SIN (Sistema Interligado Nacional) afetou o segmento fotovoltaico.

Segundo o próprio ONS, 20,6% de toda a energia solar e eólica gerada em 2025 não pode ser utilizada. De acordo com a consultoria Volt Robotics, o curtailment gerou um prejuízo de R$ 6,5 bilhões para os agentes geradores, sendo que 72% da energia não usada, devido ao corte, foi de origem solar.

Ainda em 2025 foi sancionada a Lei 15.269, novo marco legal do setor elétrico brasileiro, com o veto ao dispositivo que garantia um ressarcimento amplo dos cortes de geração eólica e solar.

Já no fim de janeiro deste ano o Gecex (Comitê-Executivo de Gestão) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, aprovou em sua 233ª Reunião Ordinária a alteração na Resolução GECEX nº 512/2023, que prevê o regime de redução da alíquota do imposto de importação de BK (Bens de Capital) e BIT (Bens de Informática e de Telecomunicações).

A decisão na prática, elevou o preço de equipamentos importados para projetos de energia solar, como inversores, microinversores, sistemas de armazenamento de energia (BESS) e geradores fotovoltaicos com potência acima de 75kW. A alíquota de importação dos inversores solares, por exemplo, passou de 12,6% para 20% e dos BESS subiu de 16% para 20%.

O aumento das tarifas de importação é justificado pela necessidade de proteger a indústria nacional e a sanção ao dispositivo que garantia um ressarcimento amplo dos cortes de geração eólica e solar na Lei 15.269 visa não aumentar encargos aos consumidores. Mas também podem gerar aumento de custos para as empresas do setor que precisam ter mais planejamento e estratégia para manterem uma operação com equilíbrio financeiro.

Ao mesmo tempo o país ainda precisa de energia limpa, pois segundo o Caderno de Demanda e Eficiência Energética do Plano Decenal de Expansão de Energia 2034, da EPE, o consumo energético no Brasil deve crescer a uma média anual de 2,1% até 2034.

Papel da inspeção de fim de garantia

O desenvolvimento de um projeto de uma fazenda solar ou de uma usina fotovoltaica considera diversos fatores, entre eles a capacidade de geração de energia, o ponto de interconexão na rede, o CAPEX (Capital Expenditure) envolvido e o OPEX (Operating Expenditure) esperado.

Mas ao longo dos anos os módulos fotovoltaicos perdem a capacidade de gerar energia. A degradação acontece devido a fatores como exposição à radiação UV, variações térmicas, excesso de unidade, estresse elétrico ou mesmo microfissuras nas células.

A inspeção de fim de garantia (End of Warrabty – EOW) promove a avaliação precisa do rendimento e da degradação dos módulos fotovoltaicos, o que o torna um documento vital para a tomada de decisão.

Este serviço pode ser utilizado como um registro técnico para eventuais correções e adequações durante a vigência da garantia ou ainda como um documento formal para reclamações quanto ao não atendimento de parâmetros contratuais, e pode ser ampliado a outros equipamentos como inversores, string boxes, skids, entre outros.

Alguns fabricantes podem realizar uma inspeção EOW como parte dos seus serviços, mas esta atividade pode gerar conflitos de interesses, segundo é descrito na norma internacional ISO/IEC 17020.

Portanto, a execução destes serviços, por uma entidade de terceira parte, antes do vencimento da garantia, é essencial para assegurar que a degradação do módulo fotovoltaico aconteça conforme informado pelo fabricante.

A inspeção EOW também é uma ferramenta importante na gestão da qualidade, uma vez que minimiza o risco de possíveis correções em grande escala e de investimentos não esperados no ativo em questão.

O processo de verificação é importante para assegurar que os equipamentos estejam e se mantenham em pleno funcionamento. E diante do aumento da pressão de custos na aquisição de equipamentos e riscos operacionais, a vistoria de final de garantia deve ser incorporada para promover a viabilidade econômica e a performance de fazendas e usinas solares.

As opiniões e informações expressas são de exclusiva responsabilidade do autor e não obrigatoriamente representam a posição oficial do Canal Solar.

Balanço Energético Nacional EPE (Empresa de Pesquisa Energética) fazendas solares MMGD (micro e minigeração distribuída) módulos fotovoltaico setor fotovoltaico
Foto de Vinicius Gibrail
Vinicius Gibrail
Diretor da Divisão de Produtos Solares e Comerciais da TÜV Rheinland na América do Sul. Possui uma sólida trajetória em gestão estratégica, administração geral e operações comerciais. Antes de ingressar na TÜV Rheinland, atuou como gerente geral das subsidiárias latino-americanas da Array Technologies e da Schneider Electric. Sua expertise abrange o desenvolvimento de estratégias comerciais, marketing, importação e exportação, logística, finanças e gestão de equipes de alto desempenho.
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