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Quem está no Mercado Livre de energia pode ter geração solar?

A viabilização de projetos solares no mercado livre depende de escala, no contexto da venda de energia ou autoprodução

Autor: 24 de fevereiro de 2021dezembro 9th, 2021Artigos técnicos
3 minutos de leitura
Quem está no Mercado Livre de energia pode ter geração solar?

Existe uma grande diferença entre a GD (Geração Distribuída) e o Mercado Livre

Recentemente esta pergunta surgiu em uma das aulas do curso “Regulação, Mercado e Modelos de Negócios em Energia Solar – ACR e ACL” que ministro no Canal Solar. A resposta é sim! 

Mas acredito ser importante explorarmos um pouco melhor esta questão, dado que existe uma grande diferença entre a GD (Geração Distribuída) e o Mercado Livre.

O setor elétrico é dividido em dois ambientes, o ACR (Ambiente de Contratação Regulado), no qual a geração distribuída se desenvolve e o ACL (Ambiente de Contratação Livre), no qual a compra e a venda de energia são permitidas. A forma como a energia é tratada nestes mercados é bem diferente. Por isso, a seguir traçarei um paralelo entre os dois mercados.

Considerando a visão do consumidor, podemos dizer que na GD ele pode consumir energia solar de duas formas, adquirindo um projeto ou fazendo a locação de um parque solar. 

O consumo da energia gerada pelo parque acontece por meio do modelo de compensação de créditos criado pela Resolução  482 (Resolução Normativa ANEEL nº 482/2012) da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), no qual há uma troca de créditos entre o consumidor e a distribuidora de energia. 

No mercado livre o consumidor também poderá adquirir um projeto. No entanto, diferentemente do que ocorre na GD, poderá comprar a energia de um gerador solar, sem a necessidade de um contrato de locação. 

Cabe destacar que a compra de energia no mercado livre segue uma estrutura contratual muito mais simples que a locação de equipamentos realizada na GD. Vamos nos aprofundar um pouco mais na forma como a energia é comercializada em cada ambiente.

Na GD, a energia injetada na rede gera um crédito para o consumidor, que será compensado em sua fatura, reduzindo a energia consumida e consequentemente o valor a ser pago para a concessionária de energia. Caso sobrem créditos não compensados, eles poderão ser utilizados no próximo mês. 

No caso do mercado livre é diferente: o consumidor compra a energia diretamente do gerador ou comercializador de energia, não tendo nenhuma interlocução com a distribuidora de energia, pagando a ela apenas as componentes que fazem parte da TUSD (tarifa de uso do sistema de distribuição). 

Com relação ao excedente ou déficit de energia, há uma verificação mensal realizada pela CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica), por meio do balanço energético, o consumidor que tiver excedente poderá vendê-lo, caso contrário deverá comprar energia no mercado, com o objetivo de sempre manter o seu balanço zerado.

Na minha visão, a viabilização de projetos solares no mercado livre depende de escala, no contexto da venda de energia ou autoprodução. Os projetos que estão sendo viabilizados possuem potência acima de 100 MW. 

Com relação aos projetos menores, podem ter viabilidade apenas quando feitos junto à carga e limitando sua potência AC à demanda contratada da unidade consumidora, sendo neste contexto o investimento realizado pelo próprio consumidor. A diferença entre os mercados ACL e ACR é brutal.

Podemos citar aspectos regulatórios, processos comerciais e preços ou equivalentes de preços de energia, exigindo diferentes modelos de negócio para explorar adequadamente cada mercado.  Por isso, recomendo fortemente que o empreendedor busque conhecimento e assessoria, para não construir algo que não funcione no ambiente escolhido.

Bernardo Marangon

Bernardo Marangon

Graduado em Engenharia Elétrica e mestre em Engenharia Elétrica pela UNIFEI. Atuou 5 anos na EDP Brasil entre 2010 e 2015, passando pelas áreas: planejamento da Operação e Manutenção de Usinas Hidroelétricas e área de Novos Negócios. Foi Diretor de Geração no Grupo Léros entre 2016 e 2018. Atualmente, é sócio administrador da Exata Energia, do Grupo Prime Energy, liderando três frentes de negócio: Consultoria financeira, Comercialização de energia e investimentos em Geração do grupo. Está estruturando uma nova iniciativa, a comercialização de créditos, por meio da GD compartilhada. É professor do Canal Solar há 4 anos, tendo lecionado para mais de 3 mil alunos sobre o tema de análise de investimento em geração distribuída, mercado livre e armazenamento de energia.

14 comentários

  • Boa noite, tenho um possível cliente que esta no mercado livre de energia com consumo médio de 120Mwh, todavia o mesmo quer gerar e consumir de sua própria usina! Tenho que retornar o cliente para concessionária e sair com ele do mercado livre ou existe algo que possa fazer para homologar seu projeto sem que o mesmo deixe o mercado livre? Fora o fato que a edificação é centenária e tombada como patrimônio ! o que me aconselha?

  • Ignacio disse:

    Boa tarde, minha pergunta e a seguinte, cliente em A4, já tem UFV instalada, tem demanda contratada acima de 500 KV,(UFV + de 500 Kwp), esta usina não atende os consumos atuais,
    a duvida é se: faz nova inversão para UFV ( precisa gerar + de 70.000 Kwh/m), ou compra no mercado livre para atender esses consumos.

  • Daniel disse:

    Boa noite
    Tenho cliente que tem mercado livre, posso colocar placas solar para zerar a sua conta?

  • Glauco disse:

    Não existe a opção de não homologação. Artigo 164 da Resolução 414 é claro com relação a isso.

  • GM disse:

    A Exata Energia, possui Instagram?

  • Manuel Fernandes de Lima Filho disse:

    Pergunta: um supermercado que já compra energia no mercado livre, independentemente de ser no
    ACL ou ACR, tem um limite de potência nesta compra?
    Se sim e se este limite não suprir todo o seu consumo, pode instalar uma micro usina Fotovoltaica para complementar o total do seu consumo?
    Enviei e recebi uma mensagem que diz que eu já havia feito está pergunta.
    Mas continuo esperando a resposta.

    • Olá Manuel.
      “Se sim e se este limite não suprir todo o seu consumo, pode instalar uma micro usina Fotovoltaica para complementar o total do seu consumo?”

      Podera sim Manuel.
      Para mais detalhes podera entrar em contato para atendermos sua demanda.
      (19) 3884-5414

  • Manuel Fernandes de Lima Filho disse:

    Pergunta: um supermercado que já compra energia no mercado livre, independentemente de ser no
    ACL ou ACR, tem um limite de potência nesta compra?
    Se sim e se este limite não suprir todo o seu consumo, pode instalar uma micro usina Fotovoltaica para complementar o total do seu consumo?

    • Iran disse:

      Bom dia, vc pode instalar sua micro usina e não homologar na concessionária, usando um inversor goodwe e instalando um smart meter, não injetara potencia rede

  • janete ribeiro da silva disse:

    Tenho interesse em colocar energia fotovoltaicas em casa de baixa renda, tipo as prestações são de 25 Reais d por mês da casa ainda tem pessoas inadimplentes, e depois o excedente vender para reverter está renda pra trabalhar com eles. Possível

    • Cuidado ao usar os inversores GOODWE. Tenho uma planta com 7 inversores de 60K. Desde sua instalação há um ano ele tem que funcionar só com 90% da sua carga e mesmo assim eles desligam todos os dias quando a produção atinge um determinado pico.
      Colocamos outro inversor de outra marca há dois meses substituindo 1 dos inversores e ele não cai.
      A ssistência da GOODWE não dá uma solução para o problema.
      Estamos estudando em entrar com uma ação contra a GOODWE para que tomam providência.
      Att
      Carlos Alberto Cotta
      Volpe Energia Solar

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