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Taesa mantém estudos para disputar leilão de baterias, mas aguarda definição da regulação

Empresa informou ainda que considera improvável disputar leilão de transmissão e anunciou compra de ativos da Energisa

Canal Solar - Taesa mantém estudos para disputar leilão de baterias, mas aguarda definição da regulação

Foto: Magnific

Com colaboração de Wagner Freire

A Taesa continua avaliando a possibilidade de participar do primeiro LRCAP-BESS (Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Armazenamento), previsto para dezembro deste ano, mas condiciona uma eventual entrada no certame à conclusão da regulamentação que disciplinará o novo mercado.

A informação foi apresentada pelo diretor de Negócios e Gestão de Participações, Maurício Dall’Agnese, durante teleconferência com analistas e jornalistas realizada na manhã desta quarta-feira (12), para comentar os resultados do segundo trimestre de 2026.

Segundo o executivo, a companhia acompanha há bastante tempo as oportunidades relacionadas ao armazenamento de energia e considera o segmento uma potencial frente de expansão.

Entretanto, a definição sobre a participação dependerá das regras que ainda estão sendo consolidadas pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), responsável pela condução das consultas públicas sobre o tema.

Dall’Agnese ressaltou que a empresa tem a expectativa de que a conclusão desse processo regulatório deve ocorrer nos próximos meses antes de decidir se apresentará projetos para o leilão.

Transmissão em segundo plano

Enquanto mantém atenção ao mercado de armazenamento, a Taesa também vê poucas chances de disputar o próximo leilão de transmissão (este outro previsto para outubro).

De acordo com o diretor, embora a companhia continue monitorando permanentemente oportunidades de crescimento por meio de reforços, melhorias, aquisições e novos certames, a estratégia permanece pautada pela seletividade dos investimentos, priorizando projetos capazes de gerar valor e compatíveis com a capacidade financeira da empresa.

Nesse contexto, a probabilidade de participação no leilão de transmissão deste ano é considerada baixa. O executivo acrescentou que uma das prioridades da administração nos próximos meses será concluir a integração das cinco concessões recentemente adquiridas, processo que concentrará parte relevante dos esforços de gestão da companhia.

Resultados e investimentos

Na apresentação dos resultados do segundo trimestre, a Taesa informou que registrou EBITDA regulatório de R$ 1,139 bilhão no primeiro semestre, avanço de 10,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A margem EBITDA alcançou 85,4%, enquanto a disponibilidade operacional permaneceu em 99,91%. A companhia também destacou investimentos de R$ 445,3 milhões no semestre e anunciou a distribuição de R$ 206,8 milhões em proventos, equivalentes à totalidade do lucro líquido regulatório do trimestre.

A empresa atribuiu parte da evolução operacional à energização de novos empreendimentos, como os projetos Ananaí, Tangará, Saíra e Juruá, que vêm ampliando a RAP (Receita Anual Permitida) e sustentando a execução do plano de investimentos.

A apresentação também destacou a continuidade das obras de reforços e melhorias na rede de transmissão, incluindo intervenções recentemente concluídas e novos projetos em implantação, que deverão contribuir para a expansão gradual da receita regulatória nos próximos anos.

Empresa adquire cinco ativos de transmissão da Energisa

No mesmo dia em que apresentava seu resultado trimestral, a companhia também concluiu a compra de cinco ativos de transmissão do Grupo Energisa, por R$ 2,4 bilhões (incluindo a dívida líquida dos ativos). O valor equivale a um múltiplo de aproximadamente 10x EBITDA.

Na prática, os ativos foram vendidos por múltiplo de EBITDA proporcionalmente superior ao que o mercado atribui hoje às ações do conjunto da Companhia, que está próximo a 7X EBITDA. A diferença traduz o valor gerado pelo Grupo Energisa ao longo do desenvolvimento e da operação desses empreendimentos.

Após as aprovações da ANEEL, do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e credores, foram transferidas para a Taesa as subsidiárias Energisa Tocantins Transmissora 1 (ETT 1), Energisa Tocantins Transmissora 2 (ETT 2), Energisa Pará 1 (EPA 1), Energisa Pará (EPA 2) e Energisa Goiás (EGO).

Taesa obtém licença para linha de transmissão em São Paulo

Além dos investimentos anunciados, a Taesa também obteve junto à Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) a licença de instalação do Projeto Juruá, que compreende uma linha de transmissão e uma subestação no município de Barra Bonita, no interior paulista.

O empreendimento integra o lote 3 do leilão de transmissão realizado em setembro de 2024. O lote foi arrematado pela Juruá Transmissora de Energia Elétrica, empresa controlada pela Taesa.

Com investimento estimado em R$ 244 milhões, o projeto contempla a implantação da Subestação Estância, com transformação de 440/138 kV, e de uma linha de transmissão com 1,2 quilômetro de extensão.

O escopo também inclui o seccionamento da Linha de Transmissão Bauru–Salto, circuito 1, em 440 kV, na nova subestação. Estão previstas ainda as derivações dos circuitos 1 e 2 da linha de distribuição Bracell–Barra Bonita, em 138 kV, até a SE Estância.

O prazo estabelecido pela ANEEL para a energização do empreendimento termina em junho de 2028. Após a conclusão das obras e a entrada em operação comercial do projeto, a Taesa terá direito a uma RAP de R$ 20,5 milhões.

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Antonio Carlos Sil
Sobre o autor
Antonio Carlos Sil

Antonio Carlos Sil é jornalista formado pela FMU/FIAM. Atuou como repórter pela Brasil Energia, além de serviços prestados para Agência Estado, Exame e Canal Energia. Trabalhou em assessorias de comunicação da CPFL Energia, CESP e AES Tietê. Cobre setor elétrico desde 2000. Possui experiência na cobertura de eventos, como leilões de energia, convenções, palestras, feiras, congressos e seminários.

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