A ampliação do acesso à informação deverá ser um dos principais desafios para a abertura do mercado livre de energia aos consumidores residenciais. Pesquisa realizada pela Bow-e, empresa de geração distribuída do Grupo Bolt, mostra que seis em cada dez consumidores se consideram pouco ou nada informados sobre o setor elétrico.
O levantamento também identificou que 70,2% dos entrevistados desconhecem a possibilidade de escolher o fornecedor de energia. Os resultados evidenciam a distância entre as transformações regulatórias em andamento e o nível de conhecimento da população sobre o funcionamento do mercado.
A pesquisa ouviu 201 consumidores de diferentes regiões do país e buscou avaliar tanto o conhecimento sobre o mercado livre quanto as percepções em relação à futura abertura para as residências.
Segundo o estudo, 60% dos consumidores não sabem que poderão escolher de quem comprar energia elétrica a partir de 2028. Entretanto, dentro desse grupo, 70,2% afirmaram que já gostariam de exercer esse direito. Considerando toda a amostra, 72,6% dos entrevistados demonstraram interesse em decidir qual empresa fornecerá sua energia.
Na avaliação de Ciro Neto, CEO da Bow-e, os resultados indicam que já existe interesse pela liberdade de escolha, mesmo entre consumidores que ainda desconhecem as mudanças previstas para o setor.
“Os dados mostram que existe uma demanda espontânea por liberdade de escolha antes mesmo de o consumidor conhecer a mudança regulatória. Isso significa que o desafio do setor não será despertar interesse, mas ampliar o acesso à informação para que as pessoas entendam como o mercado funciona e a partir disso, tomar decisões conscientes quando a abertura ocorrer.”
Regras atuais ainda são pouco conhecidas
O desconhecimento também envolve as regras que já estão em vigor. De acordo com a pesquisa, 37,9% dos participantes acreditam que a escolha da comercializadora de energia é uma possibilidade exclusiva de grandes empresas e indústrias.
Somente 20% sabem que determinados consumidores brasileiros já podem escolher o fornecedor de energia. Atualmente, todos os consumidores conectados em alta tensão têm acesso ao mercado livre. A abertura para consumidores comerciais e industriais de baixa tensão está prevista para 2027, enquanto os demais consumidores, incluindo os residenciais, deverão ter essa possibilidade a partir de 2028.
A falta de familiaridade também aparece na comparação com outros serviços. Para 43,2% dos entrevistados, ainda não é possível trocar de fornecedor de energia da mesma forma que se muda de operadora de telefonia ou de plano de internet. Outros 36,8% reconhecem que essa transição já está em andamento, enquanto 20% não souberam responder.
Preço será o principal fator de escolha
Em um cenário de maior pressão sobre o orçamento das famílias, o preço da energia deverá ser o principal fator considerado na escolha do fornecedor. Esse critério foi apontado por 67,4% dos entrevistados.
Na sequência aparecem a qualidade do atendimento, mencionada por 11,6%, a oferta de energia proveniente de fontes renováveis, com 7,4%, e os programas de benefícios, também citados por 7,4% dos participantes.
Para Ciro Neto, a redução de custos deve estimular inicialmente a competição, mas outros fatores ganharão importância conforme o mercado se desenvolver.
“O preço naturalmente será a porta de entrada para a competição. Mas, conforme o mercado amadurece, fatores como qualidade do atendimento, transparência e serviços agregados passam a ser determinantes para fidelizar esse consumidor no ambiente livre”, conclui.
A pesquisa Data Bolt foi realizada entre 13 e 24 de julho de 2026, por meio de um questionário com perguntas quantitativas. O levantamento contou com 201 participantes, distribuídos entre as regiões Nordeste, que concentrou 46,7% da amostra; Sudeste, com 24,1%; Centro-Oeste, com 16,3%; e Sul, com 13%.
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