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Transporte rodoviário pode atingir net zero até 2050, diz BNEF

BloombergNEF aponta ainda que a venda de VEs de passageiros deve triplicar em 2025

Autor: 13 de junho de 2022Veículos elétricos
Transporte rodoviário pode atingir net zero até 2050, diz BNEF

Ônibus elétrico da BYD. Foto: Divulgação

O setor de transporte rodoviário pode atingir emissões líquidas zero até 2050 por meio da eletrificação, mas é necessária algumas ações para atingir esta meta. É o que apontou o último relatório anual Electric Vehicle Outlook da BNEF (BloombergNEF).

Segundo a BNEF, certos segmentos, como ônibus e veículos de duas e três rodas, estão perto de entrar no caminho do net zero, mas não há espaço para complacência e é necessário mais iniciativas para entrar no caminho em outros lugares – especialmente em carros comerciais médios e pesados.

“A janela para manter as emissões líquidas zero do transporte rodoviário até 2050 ainda está aberta – mas apenas um pouco. É necessário um grande impulso de governos, montadoras, fornecedores de peças e provedores de infraestrutura de carregamento nos próximos anos”, disse Aleksandra O’Donovan, chefe de veículos elétricos da BNEF.

O estudo descreve dois cenários para a adoção do transporte elétrico até 2050 e examina os impactos na demanda por baterias, materiais, petróleo, eletricidade, infraestrutura e emissões.

Diferentes cenários

O Cenário de Transição Econômica, que pressupõe que nenhuma nova política e regulamentação seja promulgada, é impulsionado principalmente por tendências tecno econômicas e forças de mercado.

O Cenário Zero Líquido analisa, principalmente, a economia como o fator decisivo para quais tecnologias de transmissão serão implementadas para atingir a meta de 2050.

Com base no Cenário de Transição Econômica, as vendas de VEs (veículos elétricos) de passageiros devem crescer rapidamente nos próximos anos, passando de 6,6 milhões vendidos em 2021 para 21 milhões em 2025.

A frota de VEs na estrada atingirá 77 milhões em 2025 e 229 milhões em 2030 – superior aos 16 milhões no final de 2021.

Demanda por petróleo despencará

De acordo com a BloombergNEF, à medida que a absorção de VEs continua a crescer, os mesmos já estão deslocando 1,5 milhão de barris de demanda de petróleo por dia.

A maior parte disso é de carros eletrificados de duas e três rodas na Ásia, mas a comercialização crescente de VEs de passageiros levará para 2,5 milhões de barris por dia até 2025.

No geral, o relatório aponta que a demanda de petróleo do transporte rodoviário deve atingir o pico em 2027, à medida que a eletrificação se estende a todas as outras áreas do transporte rodoviário para além dos automóveis de passageiros.

As vendas de veículos com motor de combustão interna já atingiram o pico em 2017 e a BNEF espera que a frota global de VEs de passageiros comece a diminuir em 2024.

Meta

Para entrar no caminho certo para uma frota global líquida zero até 2050, os automóveis com emissão zero precisam representar 61% das vendas globais de novos veículos de passageiros até 2030, 93% até 2035, e o último veículo com motor de combustão interna de qualquer segmento precisa ser vendido por 2038.

A pesquisa também descobriu que a tecnologia V2G (Vehicle-to-Grid) pode desempenhar um papel na redução das emissões do setor de energia e na geração de valor para os consumidores.

Colin McKerracher, chefe da equipe de transporte avançado da BNEF e principal autor do relatório, disse que os carros elétricos são uma ferramenta poderosa na redução das emissões globais de CO2 do setor de transporte.

“Há sinais muito positivos de que o mercado está se movendo na direção certa, mas é necessária mais ação – especialmente quando se trata de caminhões pesados. A iniciativa também precisa se concentrar nos mercados emergentes, que precisam de apoio financeiro para ajudar a viabilizar e acelerar a transição para a mobilidade elétrica de todos os tipos”, ressaltou.

Segundo a BNEF, países desenvolvidos e instituições multilaterais devem incluir investimentos em carros eletrificados, incentivos e implantações de infraestrutura de cobrança em seus planos internacionais de financiamento climático, disponibilizando capital para economias emergentes que tenham planos confiáveis ​​para desenvolver esse setor.

“O financiamento concessional tem sido um facilitador fundamental para o desenvolvimento da geração de energia renovável em economias emergentes e pode desempenhar um papel semelhante no setor de VE”, relatou o estudo.

Frota de VEs de passageiros

A frota de veículos elétricos de passageiros deve atingir 469 milhões em 2035 no Cenário de Transição Econômica, mas precisa saltar para 612 milhões na mesma data no Cenário Net Zero.

Segundo o relatório, grande parte da lacuna terá que ser atendida nas economias emergentes, enquanto os países ricos devem procurar maneiras de apoiar a transição nesses mercados e evitar uma desaceleração global da adoção.

Baterias e células de combustível

A BNEF também explora se baterias ou células de combustível são a solução mais provável para cargas pesadas de longa distância.

Até o final da década de 2020, estações de carregamento em escala de megawatts, bem como o surgimento de baterias de maior densidade de energia, farão com que os caminhões elétricos a bateria se tornem uma opção viável para operações pesadas de longa distância.

“A eletrificação direta por meio de baterias parece ser a abordagem economicamente mais atraente e eficiente para descarbonizar o transporte rodoviário, incluindo caminhões, e deve ser buscada sempre que possível”, apontou a BloombergNEF.

Na visão da empresa, os veículos com células de combustível de hidrogênio podem ajudar a preencher as pequenas lacunas deixadas pela eletrificação em alguns automóveis pesados, em regiões ou ciclos de trabalho onde as baterias lutam.

Outro ponto destacado é que a redução da dependência do carro por meio de transporte público, caminhada, ciclismo e outras medidas deve ser buscada sempre que possível.

Projeções da companhia indicam que uma redução de 10% nos quilômetros percorridos por carro até 2050 levaria a 200 milhões de veículos a menos nas estradas, reduzindo as emissões cumulativas de CO2 em 2,25 gigatoneladas e aliviando a tensão na cadeia de suprimentos de baterias, o que beneficiará as metas de descarbonização de longo prazo.

“Os fabricantes de veículos elétricos estão contemplando um mercado de matérias-primas para baterias muito apertado para os próximos anos. A cadeia de suprimentos deste segmento exigirá um investimento significativo de curto prazo para evitar uma crise de fornecimento”, disse a pesquisa.

“No entanto, o aumento do custo das baterias não inviabilizará a adoção de VEs no curto prazo. Alguns dos fatores que estão impulsionando os altos valores das matérias-primas das baterias – guerra, inflação, atrito comercial – também estão empurrando o preço da gasolina e do diesel para recordes, o que, por sua vez, está gerando mais interesse do consumidor em carros eletrificados”, concluíram.

Mateus Badra

Mateus Badra

Atuou como produtor, repórter e apresentador na Bandeirantes e no Metro Jornal. Acompanha o setor elétrico brasileiro há mais de dois anos, atuando nas editorias de Mercado e Tendências, Mobilidade Urbana, P&D e Equipamentos. Jornalista graduado pela PUC-Campinas.

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