Com capacidade para produzir 36.744 metros cúbicos por dia, entrou em operação a usina de biometano São Leopoldo, na Região Metropolitana de Porto Alegre (RS).
A unidade usa o aterro sanitário da CRVR (Companhia Riograndense de Valorização de Resíduos), controlada pelo Grupo Solví, para produzir biogás destinado aos mercados industrial e de transportes.
O empreendimento recebeu R$ 76,4 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que respondeu por 80,1% do investimento total.
O financiamento combina R$ 61,1 milhões provenientes do Fundo Clima e R$ 15,3 milhões da linha BNDES Finem. O projeto emprega sistema de purificação fornecido por fabricante nacional, com assistência técnica local.
A nova usina do Grupo Solví, segundo o banco, contribui para diversificar a matriz energética e ampliar a oferta de alternativas renováveis capazes de substituir combustíveis fósseis, como diesel e gás natural, em diferentes segmentos da economia.
Biometano ganha espaço
O início da operação da nova planta ocorre em um momento de fortalecimento das perspectivas para o biometano no país. Na Análise de Conjuntura dos Biocombustíveis – Ano Base 2025, que acaba de ser divulgada pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética), o combustível renovável aparece entre os destaques do mercado brasileiro.
No estudo um dos pontos enfatizados é a evolução do biogás e do biometano, cuja oferta energética aumentou quase 40 vezes entre 2010 e 2025, impulsionada por políticas públicas e avanços regulatórios, segundo afirma a estatal, que ontem, 16, completou 22 anos de fundação.
A publicação da EPE também dedica um artigo especial às oportunidades associadas ao biometano. Entre os aspectos destacados estão seu papel na economia circular, por meio do aproveitamento de resíduos agropecuários e urbanos, além das perspectivas relacionadas aos mecanismos de certificação, à inclusão social e à substituição de combustíveis fósseis.
O propósito do documento é buscar oferecer subsídios para o planejamento energético e apoiar a formulação de políticas públicas voltadas à expansão dos combustíveis renováveis.
Otimismo com ressalvas
Avaliação recente da XP Investimentos também reforça uma visão positiva para o segmento. A plataforma afirma que permanece otimista quanto ao potencial de expansão do mercado brasileiro de biometano, sustentado pelo aumento da confiança dos agentes tanto na demanda quanto na capacidade de ampliação da oferta.
Na análise da casa, o Brasil reúne condições para se tornar um dos principais mercados de crescimento da indústria nos próximos anos. A XP ressalta, porém, que a consolidação desse cenário dependerá de alguns fatores.
Entre eles estão a implementação eficiente do marco regulatório — incluindo a operacionalização dos CGOBs (Certificados de Garantia de Origem do Biometano) —, a ampliação dos mercados consumidores para além das exigências legais de mistura obrigatória e a viabilidade econômica dos novos projetos.
Questões como disponibilidade de matéria-prima, ganhos de escala e superação de gargalos de infraestrutura também são apontadas como condições importantes para que o país consiga transformar seu elevado potencial em expansão efetiva da produção.
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