A ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) informou ao Canal Solar que existem regiões do país sem margem de escoamento disponível para conexão de novos empreendimentos de energia renovável por períodos superiores a quatro anos.
A confirmação ocorre poucos dias após a Atlas Brasil Comercializadora, empresa do grupo Atlas Renewable Energy, desistir da implantação do Complexo Solar Santa Rita, em Buritizeiro (MG), empreendimento que teria capacidade instalada superior a 1 GW.
“Diversos pontos de conexão ao sistema de transmissão não possuem mais margem de escoamento em horizonte superior a quatro anos. As margens disponíveis atualmente, conforme calculadas pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico)”, destacou a ANEEL.
O problema da indisponibilidade de margem de escoamento tem se tornado um dos principais desafios para a expansão da geração renovável no Brasil, especialmente nas regiões com elevada concentração de projetos solares e eólicos.
Nos últimos anos, a rápida expansão da geração renovável, associada ao crescimento mais lento da infraestrutura de transmissão, ampliou a ocorrência de restrições operativas e de cortes compulsórios de geração, fenômeno conhecido como curtailment.
Na prática, a ausência de margem de escoamento significa que novos empreendimentos podem enfrentar dificuldades para se conectar ao sistema elétrico, comprometendo a viabilidade econômica dos projetos e, em alguns casos, levando investidores a suspender ou cancelar investimentos.
Planejamento do governo reconhece o problema
Os problemas relacionados às restrições operativas de geração ganhou um destaque considerável na versão final do PDE (Plano Decenal de Expansão de Energia) 2035, publicado nesta semana pelo Governo Federal.
Segundo o documento, o crescimento da geração renovável, associado a limitações da infraestrutura de transmissão, tem ampliado os episódios de curtailment e reduzido a atratividade econômica de novos projetos de geração centralizada.
Para enfrentar esse cenário, o planejamento energético prevê uma combinação de medidas estruturais. Entre elas estão investimentos superiores a R$ 120 bilhões na expansão e modernização da rede de transmissão até 2035, incluindo novas interligações regionais e tecnologias capazes de ampliar a capacidade de escoamento da geração renovável.
O PDE também aposta no avanço de recursos de flexibilidade, como os sistemas de armazenamento de energia, cuja capacidade instalada poderá atingir 6,6 GW até 2035, e nos mecanismos de resposta da demanda, com potencial estimado de 3,3 GW no mesmo período.
Segundo o documento, essas soluções serão fundamentais para aumentar a flexibilidade operativa do SIN e permitir a continuidade da expansão das fontes renováveis no país.
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