Apresentadas durante a reunião do PMO (Programa Mensal da Operação), realizada no final de julho, às estimativas do ONS (Operador Nacional do Sistema) apontam crescimento de 4,8% na carga do SIN (Sistema Interligado Nacional) em relação ao mesmo período de 2025, alcançando 81.580 MW médios ao final do mês.
O avanço é esperado em todos os quatro subsistemas, com destaque para Nordeste e Norte, ambos com expansão prevista de 7,3%.
Segundo o ONS, o aumento da carga reflete, principalmente, a expectativa de temperaturas dentro ou acima da média em todo o país, além da influência de chuvas superiores ao padrão histórico na Região Sul.
Para a semana operativa entre os dias 1 e 7 de agosto há indicação de cenários prospectivos de aceleração da demanda da carga no SIN.
O operador afirma que continuará acompanhando a evolução desses cenários para assegurar o atendimento da demanda com segurança e confiabilidade.
Cenário hidrológico
Além da projeção de crescimento da carga, o PMO apresentou as estimativas para as principais variáveis operativas do sistema. A ENA (Energia Natural Afluente) deve permanecer acima da MLT (Média de Longo Termo) apenas na Região Sul, com previsão equivalente a 183% da média histórica.
No Sudeste/Centro-Oeste, a expectativa é de 95% da MLT, enquanto Norte e Nordeste devem registrar 64% e 60%, respectivamente.
As projeções para a EAR (Energia Armazenada) mostram o Sul na liderança, com expectativa de reservatórios em 89,6% da capacidade ao final da semana operativa.
Na sequência aparecem Norte (85,8%), Nordeste (75,1%) e Sudeste/Centro-Oeste (61,1%), região que concentra a maior parte da capacidade de armazenamento do país.
O boletim também indica CMO (Custo Marginal de Operação) de R$ 114,58/MWh para os submercados Sudeste/Centro-Oeste, Sul e Nordeste, enquanto o Norte apresenta projeção significativamente superior, de R$ 581,48/MWh.
Realizada mensalmente pelo ONS, a reunião do PMO é o principal fórum de planejamento operacional do SIN.
Nela, o operador apresenta aos agentes do setor elétrico e aos órgãos reguladores as diretrizes que orientarão a operação do sistema nas semanas seguintes, buscando equilibrar segurança do suprimento e menor custo possível de operação.
Trajetória de crescimento
Os sinais de maior demanda projetados pelo ONS encontram respaldo nos dados mais recentes divulgados pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética).
De acordo com a Resenha Mensal do Mercado de Energia Elétrica, o consumo nacional totalizou 46.219 GWh em junho de 2026, alta de 2% em comparação com junho de 2025, marcando o terceiro crescimento mensal consecutivo.
O avanço foi puxado pelas classes residencial, comercial e outros, que registraram aumentos de 4,3%, 4,0% e 0,3%, respectivamente. Apenas a indústria apresentou retração, de 0,2%.
Regionalmente, todas as regiões ampliaram o consumo, com destaque para Norte (4,3%), Centro-Oeste (4,0%), Sul (3,6%), Nordeste (2,5%) e Sudeste (0,5%).
No acumulado dos últimos 12 meses, o consumo nacional alcançou 570.514 GWh, crescimento de 0,8% frente ao período anterior.
ACL em alta
A EPE também aponta avanço contínuo do mercado livre de energia. Em junho, o Mercado Livre de Energia respondeu por 46,5% do consumo nacional, somando 21.491 GWh.
Na comparação anual, o segmento registrou crescimento de 2,9% no consumo e de 20% no número de consumidores.
O Centro-Oeste apresentou a maior expansão de consumo no mercado livre, enquanto o Norte liderou o aumento do número de consumidores migrados.
Já o mercado regulado das distribuidoras respondeu por 53,5% do consumo nacional, com crescimento de 1,2% no volume consumido e de 1,9% no número de consumidores.
Segundo a EPE, a continuidade da migração de consumidores de alta tensão para o mercado livre permanece influenciando a evolução do consumo nos dois ambientes de contratação.
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