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Curtailment leva Atlas a suspender novos projetos no Brasil

Geradora controlada pela BlackRock interrompe plano de investir US$ 1 bilhão em energias renováveis no país

Canal Solar - Curtailment leva Atlas a suspender novos projetos no Brasil

Parque Luiz Carlos, localizado em Paracatu (MG). Foto: Atlas/Divulgação

As limitações da infraestrutura de transmissão e o aumento dos cortes compulsórios na geração renovável começam a produzir efeitos mais concretos sobre os investimentos no setor elétrico brasileiro.

A Atlas Renewable Energy decidiu suspender projetos que somam cerca de US$ 1 bilhão no país, diante do avanço do chamado curtailment – situação em que a energia produzida por usinas solares e eólicas deixa de ser aproveitada por restrições operacionais da rede.

Segundo a reportagem da Agência Reuters, a empresa, uma das maiores geradoras de energia limpa da América do Sul e controlada pela gestora BlackRock, havia programado a implantação dos empreendimentos ao longo de 2025 e 2026, mas decidiu interromper os investimentos após o aumento das restrições impostas pelo sistema elétrico brasileiro.

De acordo com declarações do CEO da Atlas, Carlos Barrera, aproximadamente 1,5 GW de novos projetos que já estavam previstos para entrar em construção foram colocados em espera.

Falta de viabilidade econômica

Barrera disse à Agência Reuters, que os cortes registrados nos ativos atualmente em operação da Atlas variaram recentemente entre 15% e 25%, percentual considerado suficiente para alterar a atratividade econômica de novos investimentos.

Além da redução direta da produção, a estrutura do mercado brasileiro, segundo o executivo,  amplia os impactos financeiros para os empreendedores.

Geradores que deixam de produzir por determinação do operador acabam obrigados a comprar energia no mercado para cumprir contratos previamente firmados, muitas vezes pagando valores superiores aos originalmente negociados.

Segundo Barrera, essa combinação entre limitação física da rede e obrigações contratuais acaba elevando significativamente os custos dos projetos.

Brasil não é caso isolado

A Agência Reuters destaca que o problema não se restringe ao mercado brasileiro. Países como Austrália, Japão, Índia e Chile também enfrentam desafios semelhantes, à medida que a expansão da geração renovável ocorre em ritmo superior ao crescimento da infraestrutura de transmissão.

No caso brasileiro, entretanto, a combinação entre forte crescimento da geração solar e limitações no escoamento da energia vem chamando a atenção de investidores e instituições financeiras.

A agência de classificação de risco  Fitch Ratings atribuiu, no mês passado, perspectiva negativa ao financiamento de 11 projetos renováveis no país. Segundo a Fitch, o curtailment deverá continuar afetando o fluxo de caixa, a liquidez e a capacidade de pagamento de dívidas desses empreendimentos pelo menos até 2030.

Os dados citados na reportagem mostram que as perdas médias associadas ao fenômeno aumentaram de uma faixa entre 6% e 12% em 2024 para patamares entre 7% e 25% em 2025.

Melhora é gradual

Apesar da decisão de congelar novos investimentos, a avaliação do executivo da Atlas é que o cenário tende a melhorar gradualmente ao longo dos próximos anos.

Barrera considera que a desaceleração na expansão da capacidade solar, combinada ao crescimento natural da demanda por energia, poderá reduzir parte das restrições atualmente observadas no sistema elétrico brasileiro.

Ainda assim, o executivo avalia que mudanças estruturais no modelo de mercado dificilmente deverão ocorrer antes de 2028, considerando o calendário político e regulatório do país.

Na avaliação dele, o principal desafio decorre do descompasso entre a rápida expansão das fontes renováveis e o ritmo de desenvolvimento das redes de transmissão.

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Antonio Carlos Sil
Sobre o autor
Antonio Carlos Sil

Antonio Carlos Sil é jornalista formado pela FMU/FIAM. Atuou como repórter pela Brasil Energia, além de serviços prestados para Agência Estado, Exame e Canal Energia. Trabalhou em assessorias de comunicação da CPFL Energia, CESP e AES Tietê. Cobre setor elétrico desde 2000. Possui experiência na cobertura de eventos, como leilões de energia, convenções, palestras, feiras, congressos e seminários.

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