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Política & Regulação

Eleições 2026: o que cada presidenciável propõe para o setor de energia

Canal Solar analisou todos os planos de governo dos candidatos e mostra o que cada um propõe se for eleito; confira os detalhes!

Canal Solar - Eleições 2026 o que cada presidenciável propõe para o setor de energia

Foto: Ilustração/Canal Solar

Faltando exatamente um mês para o primeiro turno das eleições de 2026, marcado para o dia 4 de outubro, o setor de energia aparece com diferentes níveis de protagonismo nos planos de governo apresentados pelos candidatos ao Palácio do Planalto.

Temas como redução da conta de luz, revisão de subsídios, armazenamento de energia, expansão da transmissão, petróleo e gás, biocombustíveis, fontes renováveis e transição energética estão entre os assuntos abordados nos documentos.

O Canal Solar analisou os planos de governo de todos os candidatos à Presidência, sendo eles: Augusto Cury (Avante), Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Flávio Bolsonaro (PL), Hertz Dias (PSTU), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Rui Costa Pimenta (PCO), Samara Martins (UP) e Wilson Grassi (Democrata) para identificar o que cada candidato propõe para o setor energético brasileiro.

As propostas seguem caminhos distintos. Enquanto alguns candidatos colocam a redução dos custos da energia e a revisão de encargos entre as prioridades, outros concentram suas propostas na expansão das fontes renováveis, transmissão, armazenamento, petróleo e gás ou no desenvolvimento de novas cadeias ligadas à transição energética.

Confira as principais propostas apresentadas por cada candidato:

Augusto Cury (Avante)

Foto: AMM/ Divulgação

Augusto Cury apresenta no plano de governo o PENER-BR (Energias Renováveis do Brasil), projeto que prevê ampliar o uso de fontes renováveis e transformar o país, segundo o documento, em uma potência mundial de energia limpa. Entre as propostas está uma plataforma baseada em inteligência artificial para mapear o potencial solar, eólico onshore e offshore, oceânico, de biomassa e hidrogênio verde.

O programa também prevê um Corredor Nacional do Hidrogênio Verde e hubs industriais no Nordeste, com a meta de colocar o Brasil entre os três maiores exportadores mundiais de hidrogênio até 2035.  Na geração elétrica, propõe expandir a energia solar, eólica offshore e marítima, combinadas a sistemas de armazenamento por baterias e hidrogênio.

O documento estabelece ainda a meta de alcançar 90% de matriz energética limpa até 2040 e propõe estimular a fabricação de equipamentos solares e eólicos no país, além do desenvolvimento de uma cadeia produtiva nacional associada às fontes renováveis

Clariana Barão (DC)

Foto: Divulgação/Campanha Clariana Barão

O plano de governo de Clariana Barão aborda energia dentro de um eixo mais amplo voltado à infraestrutura e à competitividade. O documento estabelece como objetivos aumentar a segurança e a confiabilidade energética e criar condições de infraestrutura para estimular a indústria, a inovação e a economia digital.

Entre os indicadores sugeridos para acompanhar essas políticas estão o custo da energia e as interrupções no fornecimento. Diferentemente de outros programas analisados, o documento não apresenta propostas detalhadas para fontes específicas de geração, armazenamento, petróleo e gás ou para a organização do setor elétrico.

Edmilson Costa (PCB)

Foto: Divulgação/PCB

O programa de Edmilson Costa defende ampliar o controle estatal sobre o setor energético. Entre as propostas está a reestatização da Eletrobras e a implantação de monopólio estatal nos setores de gás e energia, dentro de uma política que também pretende ampliar o acesso da população à eletricidade.

Para o petróleo, o candidato propõe transformar a Petrobras em uma empresa integrada de energia e 100% estatal, retomar a BR Distribuidora e outros ativos privatizados e estabelecer monopólio estatal sobre exploração, produção, refino, petroquímica e distribuição. O programa também prevê ampliar a capacidade das refinarias e criar empresas estatais de serviços e tecnologias petrolíferas.

Ao mesmo tempo, o documento propõe reduzir o ritmo de exploração de petróleo e criar um fundo financiado pela renda petrolífera para pesquisa e substituição do petróleo por fontes de energia limpa. A Petrobras teria papel na transição energética e na política de reindustrialização proposta pelo candidato.

Hertz Dias (PSTU)

Foto: Divulgação/PSTU

O plano de Hertz Dias relaciona os preços da conta de luz e problemas do setor elétrico ao processo de privatização e propõe uma mudança na estrutura de propriedade das empresas de energia.

O programa defende a expropriação e incorporação ao patrimônio público de grandes empresas privadas de setores considerados estratégicos, incluindo energia, petróleo e mineração, além da reversão de privatizações realizadas nessas áreas.

No segmento de petróleo, a proposta é manter a Petrobras 100% estatal e sob controle dos trabalhadores. O programa também pretende direcionar recursos das empresas estratégicas para atividades de maior complexidade tecnológica, incluindo refino, minerais críticos e fabricação de máquinas e equipamentos.

Flávio Bolsonaro (PL)

Foto: Vittor Sales/Campanha Flávio Bolsonaro

A redução da conta de luz aparece entre as propostas do programa de Flávio Bolsonaro para o setor elétrico. O candidato propõe simplificar a fatura de energia, racionalizar encargos e subsídios cruzados e reduzir gradualmente a CDE (Conta de Desenvolvimento Energético) e os incentivos destinados a determinadas fontes, preservando a tarifa social.

O plano também prevê redução de impostos sobre energia elétrica e combustíveis e estabelece que a regulação das diferentes fontes deverá buscar o menor preço ao consumidor final. No armazenamento, propõe a implantação de um programa que inclui baterias de grande porte e outras tecnologias.

As fontes renováveis também aparecem associadas à atração de novos investimentos. O programa pretende aproveitar a disponibilidade de energia renovável para transformar o Brasil em um polo de data centers sustentáveis.

No segmento de petróleo e gás, o plano prevê ampliar a infraestrutura de escoamento e transporte de gás natural e estimular investimentos privados. Para os biocombustíveis, cita etanol, biodiesel, HVO, SAF e biogás, além de propor o fortalecimento do RenovaBio.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O plano de governo de Lula prevê ampliar a participação das fontes renováveis e os investimentos em armazenamento e flexibilidade do sistema elétrico. Entre as medidas estão a continuidade dos leilões de transmissão e uma nova frente de investimentos em baterias.

O documento também propõe promover um debate sobre o barateamento da energia para consumidores residenciais e empresas, buscando conciliar justiça tarifária e sustentabilidade econômico-financeira do setor.

Na transição energética, o programa prevê a substituição progressiva de combustíveis fósseis por biocombustíveis e combustíveis de menor intensidade de carbono. Também cita o desenvolvimento de cadeias relacionadas a baterias, hidrogênio de baixa emissão, petroquímica verde, bioprodutos e reatores nucleares modulares.

No segmento de petróleo e gás, o plano prevê novos investimentos da Petrobras em exploração onshore e offshore, revitalização de campos maduros e expansão da infraestrutura de gás natural. Também propõe fortalecer os biocombustíveis e aprimorar o RenovaBio, com estímulo ao etanol, biodiesel, biometano e SAF.

Renan Santos (Missão)

Foto: Divulgação/Agência CNM

O plano de Renan Santos aborda o setor de energia dentro da Missão Rondon, estratégia voltada à modernização da infraestrutura brasileira. Entre as propostas está a criação de um marco regulatório para a transmissão de energia, com foco na ampliação da capacidade de escoamento e no enfrentamento dos cortes de geração renovável no Nordeste.

O programa também propõe a retomada das obras de Angra 3, o desenvolvimento do hidrogênio verde, incluindo a região amazônica, e atenção ao desenvolvimento futuro da fusão nuclear. O documento aponta a capacidade de transmissão como um dos obstáculos ao aproveitamento da geração solar e eólica.

As fontes renováveis também aparecem associadas à política industrial. O plano prevê Zonas Econômicas Especiais, com destaque para o potencial solar e eólico do Nordeste, além de polos como Suape (PE), voltado ao hidrogênio verde e à petroquímica, e Aratu-Camaçari (BA), que teria entre seus focos mobilidade elétrica e baterias.

Ronaldo Caiado (PSD)

Foto: PSD/Divulgação

O programa de Ronaldo Caiado propõe uma política para energia baseada em preço, segurança de suprimento e transição energética. Para reduzir a conta de luz, o candidato defende revisar gradualmente subsídios e encargos incluídos nas tarifas e ampliar a transparência sobre os custos e beneficiários dos incentivos.

O plano também prevê dar continuidade à abertura do mercado livre e enfrentar os cortes de geração renovável por meio da expansão da transmissão, do armazenamento e da gestão da rede. Essas medidas aparecem associadas à atração de fabricantes de equipamentos como transformadores, baterias, eletrolisadores e eletrônica de potência.

No petróleo e gás, o programa considera o petróleo parte da estratégia de transição e propõe ampliar a concorrência no mercado de gás. Também prevê fortalecer biometano, etanol, biodiesel, SAF e hidrogênio de baixa emissão e utilizar energia limpa e competitiva para atrair indústrias e data centers.

Romeu Zema (Novo)

Foto: Renato Cobucci/Imprensa-MG

Romeu Zema coloca a redução da conta de luz entre os eixos de sua política para energia. O programa propõe modernizar as regras de formação de preços e contratação de energia e retirar da tarifa encargos e subsídios setoriais. Também prevê mudanças na regulação dos cortes de geração, atribuindo aos geradores os custos da energia produzida em excesso e não aproveitada.

No petróleo e gás, Zema propõe manter um calendário regular de leilões de áreas para exploração e produção e ampliar a participação privada. O plano também prevê a desverticalização da Petrobras, com separação das operações de produção, refino, transporte e logística, além de maior concorrência no mercado de gás natural.

Na área de energia limpa, a proposta é aproveitar a disponibilidade de eletricidade renovável para acelerar a eletrificação da economia e atrair indústrias intensivas em energia, empresas de inteligência artificial e data centers. O programa também prevê ampliar a atuação brasileira em biocombustíveis avançados e hidrogênio verde.

Rui Costa Pimenta (PCO)

Foto: Divulgação/PCO

O programa de Rui Costa Pimenta concentra suas propostas para energia principalmente na reestatização de empresas e no controle estatal do petróleo e dos recursos naturais.

O candidato propõe cancelar privatizações já realizadas, incluindo a da Eletrobras, além de nacionalizar o petróleo e manter a Petrobras 100% estatal, sob controle dos trabalhadores. O plano também defende a nacionalização e estatização das reservas minerais e refinarias transferidas ao setor privado.

Na política de combustíveis, o documento propõe uma redução imediata de 50% nos preços e o fim da política de paridade com o dólar. A proposta prevê ainda destinar a riqueza proveniente do petróleo para áreas como saúde, educação, habitação e obras de infraestrutura e criar uma empresa estatal responsável pela exploração de terras raras.

Samara Martins (UP)

Foto: Divulgação/Unidade Popular (UP)

O plano de Samara Martins coloca a propriedade e o controle das empresas do setor energético entre os principais pontos relacionados à energia. A candidata propõe a estatização da Eletrobras e uma Petrobras com controle 100% estatal e integração das refinarias.

O programa também defende monopólio público em áreas consideradas estratégicas, incluindo geração de energia, mineração e produção e distribuição de combustíveis. As propostas aparecem dentro de uma política mais ampla de reestatização de empresas e infraestrutura.

O documento dedica ainda uma seção ao meio ambiente e à transição ecológica, associando a política ambiental à defesa dos recursos naturais e ao controle público de setores estratégicos.

Wilson Grassi (Democrata)

Foto: Divulgação/Campanha Wilson Grassi

Wilson Grassi dedica uma seção específica do plano de governo ao setor de energia, dentro do eixo de infraestrutura, energia e meio ambiente. Entre as propostas estão aumentar a previsibilidade regulatória e manter regras estáveis nos leilões do setor.

O candidato também pretende utilizar a matriz renovável brasileira como instrumento para atrair atividades industriais, principalmente setores eletrointensivos que precisam comprovar a origem limpa da energia utilizada.

Na área tarifária, o programa propõe reduzir os encargos setoriais incorporados à conta de luz e ampliar a transparência sobre os componentes pagos pelos consumidores.

Propostas mostram diferentes prioridades para o setor

No fim das contas, a análise dos programas dos canditados à Presidência para o setor elétrico mostra pontos de convergência, como o interesse em aproveitar a elevada participação das fontes renováveis na matriz brasileira e utilizar a energia como instrumento de desenvolvimento econômico, enquanto que as diferenças aparecem principalmente nos instrumentos propostos.

Clique e confira abaixo, na íntegra, os planos de governo dos presidenciáveis:

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Henrique Hein
Sobre o autor
Henrique Hein

Atuou no Correio Popular e na Rádio Trianon. Possui experiência em produção de podcast, programas de rádio, entrevistas e elaboração de reportagens. Acompanha o setor solar desde 2020.

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