O CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) aprovou, nesta quarta-feira (2), a criação de um grupo de trabalho para aprofundar as investigações sobre usinas de GD (Geração Distribuída) que podem estar operando sem o devido registro ou conhecimento das distribuidoras.
A coordenação dos trabalhos ficará a cargo da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), com participação das demais instituições que integram o comitê.
A decisão ocorre após a Agência apresentar os primeiros resultados das ações de identificação, triagem e fiscalização de instalações que estariam operando fora das condições informadas às concessionárias.
Segundo a ANEEL, os resultados obtidos até o momento reforçam a necessidade de aprofundar as apurações e aprimorar o acompanhamento desses sistemas.
A prática, conhecida no setor como “GD à revelia”, ocorre quando sistemas de geração são instalados ou passam por alterações sem a devida regularização junto à distribuidora.
Isso pode acontecer, por exemplo, quando o proprietário amplia a quantidade de painéis solares ou substitui o inversor por um equipamento de maior potência sem atualizar o projeto autorizado.
Nesses casos, a potência instalada ou a quantidade de energia injetada na rede pode ser diferente daquela registrada pela distribuidora, fazendo com que parte da geração não esteja adequadamente refletida nas bases de dados utilizadas pelo setor elétrico.
Ampliação à revelia em sistemas solares: o que diz a regulação e como se defender
Estimativa do ONS ampliou discussão
A discussão sobre GD à revelia ganhou força após o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) estimar que entre 11,8 GW e 14,6 GW poderiam estar associados a sistemas de GD não registrados ou que não aparecem integralmente nas bases oficiais do setor.
O número, entretanto, não significa que tenham sido identificados quase 15 GW de geração distribuída irregular. A estimativa foi obtida de forma indireta, a partir das diferenças entre a carga esperada e aquela efetivamente observada no sistema elétrico.
Por isso, não é possível concluir que toda essa diferença seja provocada por sistemas de GD operando à revelia das distribuidoras. Os levantamentos realizados pelas distribuidoras apontaram apenas, até o momento, uma potência consideravelmente menor.
Informações reunidas pela ANEEL junto a 19 distribuidoras identificaram 87,93 MW de potência efetivamente operando fora das condições autorizadas nos grupos Cemig, CPFL, Energisa e Neoenergia.
Todo o conteúdo do Canal Solar é resguardado pela lei de direitos autorais, e fica expressamente proibida a reprodução parcial ou total deste site em qualquer meio. Caso tenha interesse em colaborar ou reutilizar parte do nosso material, solicitamos que entre em contato através do e-mail: redacao@canalsolar.com.br.
Comentários
Os comentários são moderados antes da publicaçãoOs comentários devem ser respeitosos e contribuir para um debate saudável. Comentários ofensivos poderão ser removidos. As opiniões aqui expressas são de responsabilidade dos autores e não refletem, necessariamente, a posição do Canal Solar.