A Scatec, empresa norueguesa de energias renováveis que atua no desenvolvimento, construção e operação de projetos de geração de energia, inaugurou oficialmente a usina solar Rio Urucuia, de 142 MW, em Minas Gerais.
O empreendimento, localizado no Vale do Jequitinhonha, recebeu investimento superior a R$ 439 milhões e é o terceiro projeto fotovoltaico da companhia no Brasil.
A planta iniciou a operação comercial em julho e elevou a capacidade instalada da Scatec no país para 835 MW. O empreendimento Rio Urucuia também é o primeiro projeto da empresa no submercado Sudeste e, atualmente, pertence integralmente à companhia.
A Scatec, no entanto, já informou que pretende avaliar a entrada de parceiros no capital do empreendimento. A usina possui cerca de 202 mil módulos fotovoltaicos e ocupa uma área equivalente a aproximadamente 550 campos de futebol.
A expectativa é produzir cerca de 321 GWh de energia por ano, volume suficiente, segundo dados divulgados durante a inauguração, para atender aproximadamente 120 mil residências.
A geração também deve evitar a emissão de cerca de 21 mil toneladas de CO₂ (dióxido de carbono) anualmente.
Parte da energia já possui destino contratado. Cerca de 75% da produção esperada está vinculada a um PPA (Power Purchase Agreement, ou contrato de compra e venda de energia) de dez anos firmado com a Statkraft.
O restante poderá ser negociado no mercado de curto prazo e por meio de contratos com diferentes prazos.
Monitoramento da geração solar
A infraestrutura da usina Rio Urucuia inclui quatro estações meteorológicas utilizadas para acompanhar parâmetros que interferem no desempenho da geração fotovoltaica, como temperatura ambiente, velocidade e direção do vento.
Os equipamentos também monitoram a temperatura dos módulos e a radiação solar incidente tanto no plano horizontal quanto nas estruturas inclinadas dos trackers (rastreadores solares).
A planta conta ainda com pluviômetros e sensores destinados a acompanhar a radiação refletida pelo solo e o nível de sujeira acumulada sobre os módulos, fator que pode reduzir a geração de energia.
Scatec avalia projetos eólicos no Brasil
Além da expansão solar, a companhia estuda diversificar seu portfólio brasileiro com investimentos em energia eólica, principalmente no Nordeste.
“Nós avaliamos mais projetos no país inteiro. Minas Gerais continua sendo um estado interessante para nós, mas temos interesse em avaliar uma eólica para diversificar. Tem vários estados no Brasil que são interessantes e vamos avaliar projeto por projeto”, afirmou Aleksander Skaare, country manager da Scatec no Brasil, ao jornal O Tempo.
Atualmente, todo o portfólio operacional da empresa no Brasil é fotovoltaico. Além dos 142 MW da usina Rio Urucuia, a Scatec participa dos projetos Apodi, de 162 MW, e Mendubim, de 531 MW, desenvolvidos em parceria com a Equinor.
Curtailment segue no radar
A possibilidade de novos investimentos ocorre em meio aos desafios provocados pelos cortes de geração renovável no Brasil.
A própria Scatec já apontou, em seus resultados corporativos, que acompanha os níveis elevados de curtailment (cortes ou restrições de geração) e os baixos preços da energia no mercado brasileiro.
Segundo Skaare, a companhia acompanha as discussões sobre compensação financeira pelos cortes, a expansão da infraestrutura de transmissão e a futura contratação de sistemas de armazenamento de energia.
“É uma coisa que estamos avaliando e acompanhando de perto, tem políticas de compensação sendo evoluídas, temos que entender como está evoluindo a transmissão e, depois, o leilão de baterias vai ser muito importante para o Brasil, para ajudar a energia renovável. Não vai reduzir 100% o curtailment, mas com certeza vai agregar valor”, declarou.
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