Instalar mais de 30 mil módulos fotovoltaicos em uma ilha exige enfrentar condições que vão muito além da geração de energia. Em Fernando de Noronha (PE), a exposição ao ambiente marítimo, as características do solo e a limitação de espaço estão entre os principais desafios no desenvolvimento das estruturas do projeto Noronha Verde.
A iniciativa, que prevê investimentos da ordem de R$ 350 milhões, combina geração solar com sistemas de armazenamento de energia para reduzir gradualmente a dependência de combustíveis fósseis no arquipélago.
Uma das empresas envolvidas no projeto é a Brametal, responsável pelo fornecimento das estruturas fixas para os módulos fotovoltaicos. Ao Canal Solar, a companhia detalhou os principais desafios encontrados nessa etapa da implantação.
Segundo Rafael Rodrigues de Souza, gerente Comercial da Unidade Solar da Brametal, as condições encontradas na ilha exigiram soluções específicas principalmente para proteção contra corrosão, fundações e aproveitamento da área disponível.
A proximidade com o mar, por exemplo, foi um dos aspectos considerados no desenvolvimento das estruturas, uma vez que a presença de umidade e salinidade exige atenção especial à proteção contra corrosão.
“Nesse sentido, todas as estruturas da Brametal são galvanizadas a fogo, com camada de zinco dimensionada de acordo com o ambiente e as características do material, um processo que a empresa domina com linhas próprias de galvanização e mais de 50 anos de experiência”, comenta Souza.
Características do solo interferem nas fundações
O terreno também exigiu uma análise específica. Segundo o gerente da empresa, as diferentes áreas utilizadas pelo projeto apresentam características distintas de solo, fator que influencia diretamente a definição das fundações responsáveis pela sustentação das estruturas.
A solução foi desenvolvida a partir dos dados levantados em cada local, buscando conciliar segurança estrutural, facilidade de execução e custo. Esse trabalho ganha importância porque a fundação precisa ser compatível tanto com as características do terreno quanto com as cargas às quais as estruturas serão submetidas ao longo da operação.
Pouco espaço levou a um layout diferente
Outro desafio envolve a disponibilidade de área. Embora o projeto preveja mais de 30 mil módulos, a própria geografia de Fernando de Noronha impõe limitações para a ocupação do terreno. A solução encontrada foi adotar uma disposição diferente daquela utilizada convencionalmente em sistemas fotovoltaicos fixos.
Segundo Souza, enquanto o arranjo convencional citado pela empresa utiliza mesas no eixo Leste/Oeste voltadas para o Norte, em Fernando de Noronha as estruturas foram posicionadas no eixo Norte/Sul, com duas mesas espelhadas formando um “V” invertido, configuração também conhecida como delta.
“Esse tipo de configuração é conhecido por proporcionar uma curva de geração mais distribuída ao longo do dia e por permitir maior densidade de ocupação do terreno. A adoção dessa solução exigiu um trabalho de engenharia específico da Brametal para adaptar projeto e fabricação a essa necessidade”, disse Souza.
Para o executivo, as condições encontradas em Fernando de Noronha reforçaram a atenção sobre diferentes etapas do desenvolvimento das estruturas. “Temas críticos como fundação, layout e proteção contra corrosão são sempre tratados com muita atenção”, frisou.
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