O Porto de Suape, em Pernambuco, estuda levar energia renovável diretamente aos navios durante o período de atracação. A iniciativa busca reduzir o uso de combustíveis fósseis pelas embarcações enquanto permanecem no complexo portuário.
O projeto considera a adoção do OPS (Onshore Power Supply), sistema que conecta os navios à infraestrutura elétrica em terra. Dessa forma, embarcações compatíveis podem desligar os geradores auxiliares utilizados para alimentar equipamentos durante as operações no porto.
Mesmo parados, os navios continuam consumindo energia para iluminação, refrigeração, ventilação, comunicação e outros serviços. Hoje, grande parte dessa eletricidade é produzida a bordo por equipamentos abastecidos com combustíveis fósseis.
A proposta de Suape é substituir essa geração pela energia fornecida em terra e garantir que o suprimento tenha origem renovável. O modelo de rastreabilidade dessa eletricidade ainda será definido durante a estruturação do projeto.
Infraestrutura elétrica será dimensionada
Antes de uma eventual implantação, a Suape vai levantar o perfil de consumo das embarcações, o período médio em que permanecem atracadas e quantos navios que utilizam o porto são compatíveis com a tecnologia.
A análise também deverá indicar quais mudanças serão necessárias na rede elétrica e nos berços. Subestações, transformadores, sistemas de controle, conexões e cabos de maior capacidade estão entre as estruturas que podem integrar o projeto.
Além da parte técnica, serão considerados custos, modelos de negócio, possíveis parcerias e a implantação gradual da tecnologia conforme a demanda das companhias de navegação.
OPS em portos internacionais
A eletrificação de navios atracados já está presente em grandes complexos portuários internacionais, mas ainda tem aplicação limitada para embarcações de grande porte no Brasil.
Em diagnóstico publicado em 2025, a ANTAQ (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) apontou que a expansão do OPS no país depende, entre outros fatores, de investimentos na infraestrutura elétrica e de adaptações físicas nos terminais.
Na Europa, portos como Hamburgo, na Alemanha, e Roterdã, nos Países Baixos, já contam com projetos desse tipo. Roterdã, por exemplo, trabalha na ampliação da infraestrutura para atender terminais de contêineres de longo curso.
Com os estudos em andamento, Suape pretende identificar quais berços poderiam receber primeiro a tecnologia e dimensionar os investimentos necessários para uma futura implantação do sistema.
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