24 de outubro de 2021

Energia solar irá empregar mais de meio milhão de pessoas até 2024

Segundo a ABSOLAR, devem ser gerados, somente em 2021, cerca de 118 mil novos postos de trabalho em GD

Autor: 18 de março de 2021Brasil
Energia solar irá empregar mais de meio milhão de pessoas até 2024

“Se somarmos os empregos acumulados nos próximos três anos, considerando um crescimento anual nas médias históricas, ultrapassamos com tranquilidade a marca de meio milhão”. Esta é a análise de Rodrigo Sauaia, CEO da ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica). 

De acordo com o executivo, devem ser gerados, somente neste ano, em torno de 118 mil novos postos de trabalho em GD (geração distribuída) fotovoltaica. Somando a GC (geração centralizada), este número sobe para 147 mil. 

“Percebemos que a GD, do ponto de vista socioeconômico, é efetivamente uma alavanca de desenvolvimento positivo para a sociedade brasileira. É a fonte renovável que mais gera empregos no mundo. Um terço de todos os postos de trabalho de energia renovável é da fonte solar, e para cada MW instalado são gerados 30 empregos”, destacou o executivo. 

“A maioria dos empregos são locais e de qualidade. Locais porque 50, 60% desses cargos estão na instalação dos sistemas; em torno de 20% na parte de engenharia, serviços e logística; e mais 20% na parte de fabricação de equipamentos e componentes. Ademais, podemos dizer também que são empregos de qualidade pois são salários superiores à média nacional, na faixa de dois salários mínimos”, acrescentou Sauaia. 

Segundo o especialista, a geração distribuída tem criado empregos, gerando renda aos brasileiros, o que agrega muito valor à sociedade. “É um valor que hoje não aparece em nenhuma das contas que foram apresentadas, seja pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) de forma clara e ponderada, seja pelo Ministério da Economia, que também tem em sua atribuição olhar para o trabalho e geração de renda e riqueza, mas que não incluiu isso para suas análises. Só olharam para os custos da GD”, ressaltou. 

“Cabe destacar que quando percebemos as diretrizes do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) na sua resolução número 15 de 2020, que são diretrizes para políticas públicas de GD, lá está de forma muito clara e explícita a importância de se incluir os benefícios da geração distribuída”, apontou o CEO da ABSOLAR. 

Mais vantagens

Outro ponto destacado por Rodrigo Sauaia é que a GD contribui na redução de despacho termelétrico, ou seja, atenuando os custos de bandeiras tarifárias e os valores de despacho fora da ordem de mérito que são pagos na forma de encargos, aliviando, inclusive, grandes consumidores que estão até no mercado livre – que pagam e rateiam esses encargos todo do sistema.

“Pensamos ainda que a solar, agora com 5 GW operacionais, em pleno horário de maior demanda do sistema, entre 11h e 17h – que são os horários de pico e de maior despacho das termelétricas – está ajudando a aliviar o sistema, justamente nessa proporção importante de 5 GW em potência nominal em prol da modicidade tarifária e minimizando os custos dos consumidores, mesmo aqueles que não instalaram GD”, comentou o executivo. 

“Ganha quem tem e quem não tem energia solar, e ganha também a sociedade pelas oportunidades de geração de emprego e renda e o poder público pela arrecadação, movimentação econômica e reinjeção de recursos na economia local”, concluiu.  

Outros dados

Dados da ABSOLAR apontam que, desde 2012, a geração distribuída fotovoltaica proporcionou para os consumidores uma economia de mais de R$ 3,6 bilhões nos gastos com energia elétrica.

Somente em novembro de 2020, por exemplo, as pessoas que geraram a própria energia ajudaram o setor a economizar mais de R$ 400 milhões com termelétricas. 

Além disso, a associação relatou que GD atraiu R$ 24 bilhões de novos investimentos até hoje. Projeções mostram que serão mais R$ 17 bilhões em 2021.

Mateus Badra

Mateus Badra

Atuou como produtor, repórter e apresentador na Bandeirantes e no Metro Jornal. Acompanha o setor elétrico brasileiro há mais de um ano, atuando nas editorias de Mercado e Tendências, Mobilidade Urbana, P&D e Equipamentos. Jornalista graduado pela PUC-Campinas.

Um comentário

Comentar