A Matrix Energia confirmou que fechou um acordo com a Energisa para a venda de cinco usinas fotovoltaicas próprias de GD (geração distribuída). Os ativos somam 26,75 MWp de capacidade instalada.
O negócio foi submetido à análise do CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). O valor e as condições de pagamento não foram divulgados.
Os projetos estão localizados em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, estados atendidos por distribuidoras do Grupo Energisa. De acordo com informações apresentadas ao Cade, a operação envolve as usinas Água Boa, Feliz Natal, Vera, Naviraí e Nova Mutum.
A aquisição será realizada por meio da (re)energisa, braço do grupo voltado a soluções de energia. A empresa já opera 126 usinas solares de geração distribuída, com 473 MWp de capacidade instalada.
A operação avança enquanto a Matrix passa por um processo de reestruturação financeira. A companhia contratou a consultoria Alvarez & Marsal para apoiar a revisão dos negócios e busca reduzir sua exposição a ativos próprios.
No final de 2025, a Matrix registrava dívida bruta de R$ 1,15 bilhão, ante R$ 825,1 milhões no ano anterior, conforme as demonstrações financeiras da companhia, às quais o Canal Solar teve acesso.
Em julho, o CEO da empresa, Wilson Ferreira Jr., negou que a Matrix estivesse preparando um pedido de recuperação judicial. Segundo o executivo, os acionistas Prisma Capital e Duferco aportaram R$ 200 milhões na companhia entre janeiro e fevereiro. As informações foram publicadas pelo Brazil Journal.
Negociação com a Thopen não foi concluída
A venda à Energisa ocorre depois de a Matrix não conseguir concluir uma operação maior com a Thopen.
Em outubro de 2025, as empresas anunciaram um acordo de R$ 556 milhões envolvendo ativos solares com 120 MWp. A transferência seria realizada em etapas e dependia do cumprimento de condições previstas no contrato, incluindo a apresentação de garantias para a assunção dos financiamentos.
A transferência de todos os ativos não avançou. Segundo Wilson Ferreira Jr., a Thopen conseguiu assumir pouco mais de 30 MW. O acordo foi encerrado em relação às demais usinas porque a compradora não apresentou as garantias necessárias, conforme noticiado pela mídia.
As demonstrações financeiras da Matrix mostram que oito ativos foram efetivamente transferidos à Thopen em dezembro de 2025. Porém, o Grupo Pontal-Thopen entrou com pedido de recuperação judicial em 7 de agosto deste ano, declarando passivo de R$ 4,56 bilhões.
Em nota ao Canal Solar, a Matrix informou que possui 21 usinas solares próprias. Com a conclusão da venda para a Energisa, o portfólio será reduzido para 16 empreendimentos, que somam 67,7 MWp.
A companhia disse que continua avaliando alternativas para vender os ativos remanescentes. A estratégia é consolidar um modelo asset light (poucos ativos) na geração distribuída.
“A Matrix segue avaliando oportunidades e alternativas para a venda dos ativos remanescentes, em linha com sua estratégia de consolidar um modelo asset light em Geração Distribuída. A Companhia continuará atuando nesse segmento, oferecendo soluções voltadas à gestão de usinas de terceiros e à alocação eficiente dos recursos energéticos”, escreveu.
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