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Mercado Livre: próximos passos e ajustes necessários

Segmento obteve alta de 19% em 12 meses, de acordo com dados da Abraceel

Autor: 9 de agosto de 2022Setor Elétrico
4 minutos de leitura
Mercado Livre: próximos passos e ajustes necessários

Mercado Livre é o destino de 34% da geração das usinas solares centralizadas. Foto: Envato Elements

A Abraceel (Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia) divulgou, na última quarta-feira (03), que o Mercado Livre cresceu 19% em 12 meses. Ao todo, já são 28.575 consumidores.

Diante deste cenário, o Brasil registra 471 comercializadores de energia, responsáveis por negociar 63% da eletricidade comercializada no Mercado Livre e por 36% de toda a energia transacionada no país.

Não há dúvidas que o segmento está crescendo. Mas o que fazer para continuar neste ritmo? Quais são os próximos passos e quais os ajustes necessários, além dos pontos regulatórios?

Para Moisés Cona, diretor do GRI Infra, grupo de networking do setor de infraestrutura, os avanços regulatórios da abertura devem ter desdobramentos diretos em dois espectros do setor elétrico: avanços tecnológicos e inovação e na bancabilidade dos projetos.

“Hoje em dia, a expansão da geração renovável se dá via Mercado Livre, e não no Regulado. Porém, a expansão da nova geração dificilmente terá financiamento caso não exista mercado consumidor”, disse.

“Logo, a continuidade do apetite do setor financeiro em projetos renováveis está diretamente relacionado com a continuidade da oferta de geração e do cronograma de abertura de mercado, de modo que possa expandir a base de consumo e gere clareza para os agentes”, explicou Cona.

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Pela perspectiva dos avanços tecnológicos, ele afirmou que existe uma série de evoluções que devem incentivar as empresas a trabalhar para garantir sua competitividade no ACL (Ambiente de Contratação Livre).

“Existe mais espaço também para o uso de armazenamento de energia, em que baterias podem ser usadas como uma opção à transmissão em determinados momentos”, ressaltou.

“Outro fator que vem favorecendo a adoção de fontes renováveis, e que deve ter efeitos nesse aspectos no mercado livre, é a queda do preço das baterias de íon-lítio ao longo dos anos”, acrescentou o executivo.

Portanto, na visão do mesmo, os desafios nessa área incluem a modernização regulatória e a expansão da rede de linhas de transmissão para integrar as regiões geradoras às consumidoras.

Alta de 19% em 12 meses

Segundo o diretor do GRI Infra, a descentralização e o empoderamento dos clientes é uma tema há muito tempo discutido no setor elétrico, e o crescimento de 19% no último ano do ACL reflete o poder de escolha dado aos usuários, que passam a poder exercer plenamente seu direito de consumidor: “direito à qualidade dos serviços, direito a menores preços, e, mais importante, o direito a opções”.

“Desse modo, fatores como uma cadeia de fornecedores mais ampla e qualificada, um custo competitivo, uma agenda de leilões para as energias renováveis, com um significante crescimento da fonte eólica, além de mais opções de financiamento a taxas de retorno atraentes e possibilidade de sinergia entre a solar e a eólica, contribuem para esse avanço”, relatou.

Mercado Livre se consolida como indutor das renováveis

Os dados da Abraceel apontaram ainda que o Mercado Livre absorveu 66% da energia gerada por usinas a biomassa, 59% por PCH, 47% por eólicas e 34% por solares centralizadas – em comparação com 16% um ano atrás.

Em meio a este cenário, Moisés Cona enfatizou que a participação das fontes renováveis na composição da matriz energética do Brasil vem, ano após ano, ganhando força e se posicionando como um meio de expansão e de segurança do setor elétrico brasileiro.

“Uma das novidades que o segmento teve mais recentemente foi a implantação do Preço de Liquidação de Diferenças em bases horários, que é a referência de preços para os contratos firmados no âmbito do ACL”, comentou.

“Esse mecanismo de sofisticação na formação dos preços foi uma grande evolução para a solar fotovoltaica, que gera energia justamente no período do dia em que existe maior consumo”, apontou.

De acordo com o especialista, os momentos de pico de consumo, tradicionalmente entre 11h e 17h, são momentos em que a energia solar contribui para aliviar a demanda maior do sistema, e que, através do PLD Horário, permite uma contabilização do valor da eletricidade com mais clareza: em horários em que a demanda é alta (no período diurno), preços que reflitam esse consumo.

“O mecanismo também tende a tornar a energia fotovoltaica mais competitiva à medida que ocorre a diminuição do custo de implantação das placas solares. Ela já é a tecnologia mais barata para a geração, além de contar com disponibilidade abundante no país”, concluiu Cona.

Mateus Badra

Mateus Badra

Jornalista graduado pela PUC-Campinas. Atuou como produtor, repórter e apresentador na TV Bandeirantes e no Metro Jornal. Acompanha o setor elétrico brasileiro desde 2020. Atualmente, é Analista de Comunicação Sênior do Canal Solar e possui experiência na cobertura de eventos internacionais.

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