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Super El Niño pode acrescentar 2,1 pontos percentuais às tarifas residenciais em 2027

Na prática, se a tarifa de uma distribuidora subisse 5%, o aumento poderia chegar a 7,1% com os efeitos do fenômeno

Canal Solar - Super El Niño pode acrescentar 2,1 pontos percentuais às tarifas residenciais em 2027

Foto: Canva

A ocorrência de um Super El Niño pode aumentar as tarifas residenciais de energia em 2027. Em média, o fenômeno climático acrescentaria 2,1 pontos percentuais aos reajustes ou revisões tarifárias das distribuidoras, segundo estudo da Ampere Consultoria e da TR Soluções.

Na prática, se a tarifa de uma distribuidora subisse 5% em um cenário sem Super El Niño, o aumento poderia chegar a 7,1% com os efeitos do fenômeno. Quando também são consideradas as bandeiras tarifárias, cobradas mensalmente nas contas de luz, a diferença média entre os dois cenários chega a 4,5 pontos percentuais.

O impacto está relacionado à possibilidade de o Super El Niño reduzir as chuvas na região centro-norte do Brasil durante o próximo período úmido. Com menos água chegando aos reservatórios das hidrelétricas, o país pode precisar acionar mais usinas termelétricas, que geralmente produzem energia a um custo maior.

Esse cenário também afeta outros componentes que influenciam as tarifas, como o preço da energia no mercado de curto prazo, o risco hidrológico, os encargos setoriais e os custos dos contratos mantidos pelas distribuidoras.

O estudo comparou dois cenários. O primeiro considera os efeitos esperados de um Super El Niño entre 2026 e 2027. O segundo desconsidera o fenômeno e utiliza previsões do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), além da média histórica de chuvas registrada entre 2013 e 2023.

No cenário com Super El Niño, os reservatórios das hidrelétricas que integram o SIN (Sistema Interligado Nacional) devem encerrar o período úmido com aproximadamente 70% da capacidade em abril de 2027.

Sem o fenômeno, o nível projetado chega a cerca de 80%. Essa diferença de dez pontos percentuais pode deixar o sistema elétrico mais dependente de fontes de geração mais caras durante o período seco.

Sul pode registrar o maior impacto

A região Sul deve apresentar a maior diferença entre os dois cenários, com um efeito médio de 3,3 pontos percentuais sobre as tarifas. No Norte, a diferença estimada é menor, de 0,9 ponto percentual.

Segundo o estudo, o resultado do Sul não ocorre porque o preço da energia na região seria muito diferente do restante do país. A principal explicação está nos contratos das distribuidoras locais, que possuem maior exposição aos custos provocados pela redução das chuvas e pelo acionamento de determinadas usinas termelétricas.

Isso significa que o efeito não será igual para todos os consumidores. Duas distribuidoras de uma mesma região podem aplicar reajustes diferentes, dependendo da forma como compraram energia e dos contratos que possuem.

Bandeira vermelha pode ser acionada em 2027

As bandeiras tarifárias também podem ampliar o impacto nas contas de luz. Esse sistema sinaliza mensalmente as condições de geração de energia no país. A bandeira verde não gera cobrança adicional, enquanto as bandeiras amarela e vermelha acrescentam valores à conta.

No cenário com Super El Niño, o estudo prevê a possibilidade de acionamento das bandeiras vermelhas, nos patamares 1 ou 2, entre julho e outubro de 2027. No primeiro semestre, a tendência é de predominância da bandeira verde. Durante parte do período seco, também poderá ser aplicada a bandeira amarela.

A cobrança adicional das bandeiras ajuda a pagar custos mais elevados de geração, como o acionamento de termelétricas e os efeitos da baixa produção das hidrelétricas. Por isso, sua inclusão aumenta a diferença média entre os cenários de 2,1 para 4,5 pontos percentuais.

Projeções ainda podem mudar

O sócio-consultor da Ampere, Guilherme Ramalho de Oliveira, ressalta que previsões climáticas de longo prazo envolvem incertezas. A intensidade e os efeitos do El Niño ainda podem ser alterados pela atuação de outros fenômenos climáticos nos próximos meses.

O diretor de Regulação da TR Soluções, Helder Sousa, destaca que o impacto também deverá variar entre as distribuidoras. O resultado dependerá dos contratos de compra de energia de cada concessionária e de sua exposição ao preço do mercado de curto prazo, ao risco hidrológico e aos custos das usinas contratadas por disponibilidade.

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Antonio Carlos Sil
Sobre o autor
Antonio Carlos Sil

Antonio Carlos Sil é jornalista formado pela FMU/FIAM. Atuou como repórter pela Brasil Energia, além de serviços prestados para Agência Estado, Exame e Canal Energia. Trabalhou em assessorias de comunicação da CPFL Energia, CESP e AES Tietê. Cobre setor elétrico desde 2000. Possui experiência na cobertura de eventos, como leilões de energia, convenções, palestras, feiras, congressos e seminários.

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