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ONS inicia projeto para criar seus próprios modelos eletroenergéticos

Iniciativa busca reforçar autonomia do operador na gestão do sistema elétrico

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) iniciou um projeto de reorganização institucional e tecnológica voltado à criação e gestão autônoma dos modelos computacionais eletroenergéticos usados no planejamento e na operação do SIN (Sistema Interligado Nacional).

A iniciativa, denominada Projeto de Redesenho Organizacional para Independência Tecnológica dos Modelos Eletroenergéticos, é conduzida em parceria com a consultoria A&M (Alvarez & Marsal) e marca um novo passo na busca por maior independência, transparência e segurança operacional, aponta o Operador.

Os modelos que sustentam cálculos de otimização, despacho, segurança e estudos elétricos e energéticos são considerados ativos críticos para a estabilidade do sistema brasileiro.

Até hoje, grande parte dessas ferramentas foi desenvolvida por terceiros ou adaptada de soluções estrangeiras, o que, de certa forma, limita a autonomia técnica e a capacidade de inovação do ONS.

Armazenamento e recursos energéticos distribuídos estão entre as prioridades do ONS

O novo programa tem duração estimada de dez meses e prevê um redesenho organizacional completo, a implementação de novos mecanismos de governança e inovação tecnológica, e a elaboração de um plano estratégico de médio prazo (três a cinco anos) para consolidar a autossuficiência do operador na criação e evolução de seus próprios modelos.

Entre as etapas previstas, o ONS vai promover consultas e reuniões com agentes setoriais, instituições de pesquisa e reguladores, com o objetivo de mapear tendências e identificar oportunidades de colaboração.

A proposta é construir um ecossistema técnico capaz de combinar competências internas, inovação colaborativa e integração com a academia e a indústria. A justificativa para o projeto vai além da eficiência operacional.

Em meio a novos desafios estruturais do setor elétrico, como o avanço das fontes renováveis intermitentes e o aumento da GD (geração distribuída), o ONS tem sido pressionado a aprimorar suas ferramentas de simulação e controle.

Recentemente, o diretor de operação do operador, Cristiano Vieira, alertou que a expansão desordenada da GD tem reduzido a carga líquida do sistema, comprometendo a capacidade de resposta do despacho e elevando o risco de apagões em horários de alta geração solar.

A ideia é que a criação de modelos próprios permitirá ao ONS simular cenários complexos, incorporar novas variáveis — como armazenamento, geração distribuída e resposta da demanda — e aumentar a previsibilidade do comportamento elétrico do sistema.

Essa modernização também deve apoiar iniciativas paralelas, como o futuro leilão de baterias e a regulação de mecanismos de curtailment, temas em discussão entre Aneel, MME e o Congresso.

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Antonio Carlos Sil
Sobre o autor
Antonio Carlos Sil

Antonio Carlos Sil é jornalista formado pela FMU/FIAM. Atuou como repórter pela Brasil Energia, além de serviços prestados para Agência Estado, Exame e Canal Energia. Trabalhou em assessorias de comunicação da CPFL Energia, CESP e AES Tietê. Cobre setor elétrico desde 2000. Possui experiência na cobertura de eventos, como leilões de energia, convenções, palestras, feiras, congressos e seminários.

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