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Reservatórios em níveis favoráveis contribuem para preços menores de energia no Sudeste

Itaipu abre vertedouro após chuvas, enquanto contratos negociados na BBCE registram queda

Reservatórios em níveis favoráveis contribuem para preços menores de energia no Sudeste

Foto: Sara Cheida - Itaipu Binacional/Divulgação

Os reservatórios das hidrelétricas devem chegar ao fim de setembro em condições de estabilidade, com destaque para o Sul, onde o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) estima que a EAR (Energia Armazenada) alcance 91,4% da capacidade.

As projeções do PMO (Programa Mensal da Operação), referentes à semana de 12 a 18 de setembro, também indicam níveis considerados elevados nos demais subsistemas: 73,5% no Norte, 67,1% no Nordeste e 55,8% no Sudeste/Centro-Oeste.

Segundo o ONS, os indicadores de armazenamento permanecem estáveis em relação às projeções anteriores, enquanto o órgão mantém o acompanhamento dos cenários climáticos ao longo do mês com o objetivo de assegurar o fornecimento de energia.

O quadro é reforçado pelas perspectivas de ENA (Energia Natural Afluente), que permanece acima da MLT (Média de Longo Termo) em duas das quatro regiões.

Norte e Nordeste tem cenário sensível

No Sul, a afluência projetada chega a 219% da MLT, enquanto no Sudeste/Centro-Oeste alcança 119%. Para Nordeste e Norte, contudo, as previsões ficam abaixo da média histórica, em respectivamente 68% e 50% da MLT.

O cenário ocorre mesmo diante de uma perspectiva de crescimento da demanda. Para setembro, o ONS estima avanço de 4,9% da carga no SIN (Sistema Interligado Nacional), para 84.294 MWmed, na comparação com o mesmo mês de 2025.

O maior crescimento percentual é esperado no Nordeste, de 10,7%, seguido pelo Norte, com 7,9%, pelo Sul, com 3,5%, e pelo Sudeste/Centro-Oeste, com 3%.

O CMO (Custo Marginal de Operação também permanece em R$ 68,52/MWh no Sudeste/Centro-Oeste, Sul e Nordeste. No Norte, entretanto, a estimativa é bastante superior, de R$ 1.444,32/MWh.

Itaipu abre vertedouro

A situação favorável de afluências também aparece no reservatório de Itaipu, que teve seu vertedouro aberto de forma programada na madrugada de domingo (13).

A medida foi adotada para controlar o nível do reservatório diante das chuvas registradas na chamada bacia incremental da usina, formada pelos rios que deságuam no reservatório.

A operação começou às 1h50, com a abertura da calha esquerda e uma vazão de 1.700 m³/s. Pouco menos de uma hora depois, às 2h43, o volume vertido foi elevado para 3.100 m³/s, com possibilidade de chegar a 3.800 m³/s durante a tarde, antes de diminuir ao longo do dia.

O vertimento permanecerá enquanto forem necessárias medidas para que a condição hidrológica retorne a um nível que permita o fechamento da estrutura.

Itaipu opera a fio d’água, com reservatório de baixa capacidade de armazenamento, característica que também ajuda a explicar a necessidade de controle do nível quando ocorrem chuvas mais intensas na bacia.

Queda chega ao mercado de energia

O ambiente de maior disponibilidade hídrica aparece em paralelo a um movimento de redução das cotações no mercado de energia.

Na plataforma EHUB, da BBCE (Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia), os preços dos produtos negociados entre 7 e 11 de setembro terminaram a semana em queda, com as maiores retrações concentradas nos contratos de entrega futura para 2026.

Entre os contratos convencionais com entrega no Sudeste, o destaque foi o produto para outubro de 2026, cuja cotação recuou 15,44%, de R$ 193,35/MWh para R$ 163,50/MWh. O contrato para novembro também apresentou queda expressiva, de 11,99%, passando de R$ 245,44/MWh para R$ 216,00/MWh.

Os movimentos de reservatórios, afluências e preços formam, assim, um quadro de condições mais favoráveis para o sistema elétrico neste momento, embora as projeções do ONS mostrem comportamentos distintos entre os subsistemas e apontem para a continuidade do acompanhamento das condições climáticas ao longo de setembro.

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Antonio Carlos Sil
Sobre o autor
Antonio Carlos Sil

Antonio Carlos Sil é jornalista formado pela FMU/FIAM. Atuou como repórter pela Brasil Energia, além de serviços prestados para Agência Estado, Exame e Canal Energia. Trabalhou em assessorias de comunicação da CPFL Energia, CESP e AES Tietê. Cobre setor elétrico desde 2000. Possui experiência na cobertura de eventos, como leilões de energia, convenções, palestras, feiras, congressos e seminários.

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