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Tarifa branca deve virar padrão para grandes consumidores

ANEEL projeta migração automática para mitigar excedente de renováveis

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Foto: Freepik

A ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) iniciou o debate sobre a modernização da estrutura tarifária aplicável aos consumidores de baixa tensão.

A área técnica da agência propôs, em nota técnica, a ampliação da Tarifa Horária (Tarifa Branca), transformando-a na opção padrão para as unidades de maior consumo.

Essa medida tem como objetivo alinhar a forma de cobrança da energia à nova realidade do sistema elétrico brasileiro, marcada pela produção crescente de fontes limpas, como a energia solar e a eólica. Ao dar um sinal de preço ao consumidor, a ideia é incentivar o uso de energia nos horários de menor custo.

A adesão voluntária à Tarifa Branca tem sido historicamente baixa, com apenas 69 mil unidades em um universo de 75 milhões de clientes potenciais. A proposta detalhada prevê que a migração automática ao modelo comece em 2026.

No primeiro ano, a modalidade seria obrigatória para os consumidores que consomem acima de 1.000 kWh/mês (ou 1 MWh/mês). Este grupo engloba cerca de 2,5 milhões de unidades, incluindo comércios, indústrias e residências maiores, que juntos respondem por 25% do consumo em baixa tensão.

Já em 2027, no segundo ano da proposta, a Tarifa Branca automática seria estendida para o grupo que consome acima de 600 kWh/mês, adicionando mais 2 milhões de unidades consumidoras.

Incentivo ao consumo em horário de excedente

A principal motivação da agência está ligada ao contexto de geração renovável. O Brasil vive uma nova realidade energética onde, durante o dia, especialmente entre 10h e 14h, há uma vasta oferta de energia solar e eólica, que tem custo de geração mais baixo.

No entanto, no início da noite   – entre 18h e 21h -, quando a geração solar cessa, a demanda atinge seu pico, exigindo o uso de fontes de energia mais caras.

O sistema tem exigido ações urgentes para endereçar a sobreoferta de energia no período da tarde. Ao deslocar atividades de alto consumo — como uso de máquinas industriais, carregamento de veículos elétricos ou bombas de piscina — para os horários fora de ponta, o consumidor poderá pagar menos.

Para o sistema elétrico, o benefício  é evitar o desperdício de energia limpa durante o dia. Esta ação contribui para mitigar o corte de geração (curtailment), além de reduzir a necessidade de acionar usinas mais caras no horário de ponta e postergar investimentos no reforço das redes.

Para que essa mudança seja implementada, será necessária a substituição dos medidores de energia por modelos mais modernos, capazes de registrar o consumo hora a hora.

Os custos dessa modernização serão considerados nos investimentos prudentes feitos pelas distribuidoras, reconhecidos na revisão tarifária. A proposta passará agora por uma Consulta Pública, com a expectativa de implementação a partir de 2026.

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Antonio Carlos Sil
Sobre o autor
Antonio Carlos Sil

Antonio Carlos Sil é jornalista formado pela FMU/FIAM. Atuou como repórter pela Brasil Energia, além de serviços prestados para Agência Estado, Exame e Canal Energia. Trabalhou em assessorias de comunicação da CPFL Energia, CESP e AES Tietê. Cobre setor elétrico desde 2000. Possui experiência na cobertura de eventos, como leilões de energia, convenções, palestras, feiras, congressos e seminários.

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