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Tarifa das hidrelétricas cotistas sobe 19,8% após revisão

Novo valor será considerado na cobertura tarifária das distribuidoras cotistas a vigorar de julho de 2026 a junho de 2027

Canal Solar - Tarifa das hidrelétricas cotistas sobe 19,8% após revisão da ANEEL

Barragem da hidrelétrica de Boa Esperança, no Piauí. Foto: André Schuler/Chesf

A tarifa de geração das hidrelétricas submetidas ao regime de cotas aumentou 19,8% e passou para R$ 257,54/MWh, incluindo PIS/Cofins. O novo valor será considerado na cobertura tarifária das distribuidoras cotistas a vigorar de julho de 2026 a junho de 2027.

No regime de cotas, os consumidores regulados não pagam o preço de mercado pela energia produzida pelas hidrelétricas. As usinas recebem uma receita definida pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), destinada a cobrir custos de operação e manutenção, investimentos reconhecidos e outros componentes regulatórios.

O modelo foi instituído pela Lei nº 12.783/2013 para hidrelétricas que tiveram suas concessões prorrogadas. Nesse regime, a garantia física de energia e de potência das usinas é dividida em cotas e alocada pela ANEEL às distribuidoras. Em vez de comercializar livremente a produção, a concessionária presta o serviço de geração e recebe a RAG (Receita Anual de Geração).

O custo das cotas é incorporado às tarifas dos consumidores atendidos no mercado regulado. Nesta quarta-feira (29), a ANEEL homologou as RAGs das 59 usinas que permanecem no regime de cotas. Os valores serão aplicados no ciclo entre julho de 2026 e junho de 2027.

Descotização reduz receita e volume de energia

O principal fator considerado na revisão foi a etapa final da descotização de 13 hidrelétricas da Axia Energia, antiga Eletrobras. O processo começou em 2023, com a redução anual de 20% da garantia física de energia e de potência destinada ao regime de cotas.

A Lei nº 14.182/2021, que autorizou a privatização da Eletrobras, permitiu que essas usinas migrassem gradualmente para o regime de produção independente. Nesse modelo, a companhia deixa de receber uma receita regulada e passa a comercializar a energia no mercado.

A Axia Energia ainda receberá a RAG referente às 13 hidrelétricas até dezembro de 2026. Após esse período, a energia dos empreendimentos estará integralmente fora do regime de cotas. Com a descotização, a RAG total homologada pela ANEEL ficou em R$ 8,12 bilhões, uma redução de 6,34% na receita destinada às usinas cotistas.

Apesar da queda da receita total, a tarifa aumentou 19,8%. Isso ocorreu porque a redução da garantia física alocada ao regime de cotas foi proporcionalmente maior do que a diminuição da RAG. Com menos energia para dividir os custos reconhecidos, o valor por megawatt-hora aumentou.

A tarifa servirá de referência para a definição da cobertura tarifária das distribuidoras que recebem as cotas. A partir de janeiro de 2027, o valor será aplicado sem PIS/Cofins e ficará em R$ 233,72/MWh, em razão da substituição desses tributos no âmbito da reforma tributária.

Confira as 13 hidrelétricas descotizadas

  • Boa Esperança;
  • Coaracy Nunes;
  • Complexo Paulo Afonso;
  • Corumbá I;
  • Estreito — Luiz Carlos Barreto de Carvalho;
  • Funil, na Bahia;
  • Funil, no Rio de Janeiro;
  • Furnas;
  • Luiz Gonzaga — Itaparica;
  • Marimbondo;
  • Pedra;
  • Porto Colômbia;
  • Xingó.

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Wagner Freire
Sobre o autor
Wagner Freire

Wagner Freire é jornalista graduado pela FMU. Atuou como repórter no Jornal da Energia, Canal Energia e Agência Estado. Cobre o setor elétrico desde 2011. Possui experiência na cobertura de eventos, como leilões de energia, convenções, palestras, feiras, congressos e seminários.

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