A Thopen obteve na Justiça uma tutela de urgência para proteção contra credores enquanto prepara um pedido de recuperação judicial. A medida permite que a empresa tenha um período para negociar suas dívidas antes da formalização do processo.
Segundo informações do Brazil Journal, a companhia informou à Justiça que enfrenta um quadro agudo de escassez de liquidez, atribuído tanto às condições do mercado quanto a decisões estratégicas adotadas por administrações anteriores.
Controlada pela Pontal Energy, gestora do fundo Denham Capital, a Thopen é um dos maiores grupos de GD (geração distribuída) do país. Atualmente, a empresa possui pouco mais de 700 MWp de capacidade instalada e atende clientes como RD Saúde, Smart Fit e Correios.
Nos documentos apresentados à Justiça, a companhia afirma que sua situação financeira é reversível, desde que consiga conduzir uma renegociação ordenada e eficiente de suas dívidas com os principais credores.
A tutela de urgência concedida pela Justiça terá validade de 60 dias e perderá efeito caso o pedido de recuperação judicial não seja protocolado em um prazo de até 30 dias.
Crise de liquidez
Nos documentos judiciais, a Thopen atribuiu a crise de liquidez a uma combinação de fatores, entre eles decisões tomadas por administrações anteriores e mudanças nas condições do mercado de GD.
Nos últimos 12 meses, a empresa ampliou seu portfólio por meio da aquisição de ativos de diferentes empresas do setor, incluindo usinas solares de GD e investimentos em biogás da Matrix Energy, Copel, Raízen e Vip Air.
Segundo o Brazil Journal, parte dos projetos adquiridos ainda não entrou em operação ou não gerou receita suficiente para sustentar a estrutura financeira da companhia.
A empresa também aponta o aumento do custo da dívida em razão da alta da taxa Selic e dos atrasos na conexão de usinas pelas distribuidoras de energia como fatores que agravaram a situação.
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Thopen: crescimento agressivo puxado a dívida
Aqui o problema não é a demanda por GD, é estrutura de capital. A Thopen é controlada pela Pontal Energy, gestora do fundo Denham Capital, e é um dos maiores grupos de GD do país, com pouco mais de 700 MWp instalados, atendendo clientes como RD Saúde, Smart Fit e Correios. Nos últimos 12 meses, a empresa ampliou o portfólio via aquisição de ativos de várias empresas, incluindo usinas solares de GD e investimentos em biogás da Matrix Energy, Copel, Raízen e Vip Air.
O problema: parte dos projetos adquiridos ainda não entrou em operação ou não gerou receita suficiente para sustentar a estrutura financeira da companhia. Ou seja, comprou ativo demais, rápido demais, financiado com dívida, e a receita desses ativos não chegou a tempo de pagar o serviço da dívida. Some a isso o aumento do custo da dívida por causa da alta da Selic e atrasos na conexão de usinas pelas distribuidoras, e você tem o quadro clássico de crise de liquidez por descasamento entre CAPEX e geração de caixa.
Em junho de 2025 a Thopen comprou 52 usinas solares no Nordeste, somando cerca de 200 MWp, por R$ 750 milhões, e em julho adquiriu 44 usinas da Raízen, incluindo plantas solares e de biogás, com 119,3 MWp de capacidade. Em seguida veio a compra de 45 usinas da Matrix Energia, adicionando 120 MWp e levando a capacidade instalada para perto de 700 MWp, com usinas em 22 estados. A aquisição da Copel fechou o ciclo: a transação envolveu quatro usinas fotovoltaicas com 22 MWp operacionais no Paraná, elevando a capacidade total para 714 MWp.
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O padrão que explica a crise
A compra da Vip Air já nasceu com 70% financiada por dívida e apenas 30% de capital próprio, e boa parte desses ativos, sobretudo os do Nordeste, ainda estava em desenvolvimento na época da aquisição, não gerando receita imediata. Isso é coerente com o que a própria empresa admitiu na Justiça: parte dos ativos comprados não entrou em operação a tempo ou não gerou caixa suficiente para sustentar o serviço da dívida contraída para comprá-los.
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Clientes e perfil de atendimento
Além dos ativos de geração, a Thopen atende contas grandes como RD Saúde, Smart Fit e Correios, e o modelo de negócio é essencialmente gestão de GD compartilhada para PJs de médio/grande porte (farmácias, academias, supermercados, redes de varejo), migrando parte desses clientes também para o mercado livre.
Resumindo: em pouco mais de um ano a empresa saltou de ~163 MWp para mais de 700 MWp via cinco aquisições grandes, quase todas alavancadas, apostando que a receita dos ativos compraria o próprio financiamento. Quando a Selic subiu e as distribuidoras atrasaram conexões, esse descasamento de fluxo de caixa estourou.
temos um contrato de fornecimento de energia GD, firmamos o contrato com a RZK enunca tivemos problema para receber , nem um atraso.
Apos a Thopen assumir o comando da RZK, nunca mais recebemos em dia, todos os meses tivemos que notificar para que nos pagassem.
Infelizmente sao uns picaretas
Mercado de GD deve racionalizar nas estratégias para enfrentar a falta de regulação sólida e perene para o setor. A implementação do planejamento político do governo em detrimento do técnico, causa insegurança e instabilidade financeira das empresas e geradores de sua própria energia.