A ABEEólica (Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias) apresentou nesta semana a agenda “Ventos para Transformar o Brasil”, um manifesto que reúne as principais diretrizes e prioridades defendidas pela entidade para o desenvolvimento do setor elétrico nos próximos quatro anos.
O principal pleito da associação é que os candidatos à Presidência da República assumam o compromisso formal de instituir um Plano Nacional de Redução do Curtailment, estabelecendo metas anuais e progressivas para frear os cortes forçados na geração de fontes renováveis no país.
De acordo com o documento, a escalada nas restrições de despacho da geração limpa passou a atuar como um limitador direto ao potencial de expansão das energias renováveis em território nacional por causa de gargalos estruturais complexos, como atrasos na entrega de obras de transmissão, restrições físicas no escoamento da energia e a falta de flexibilidade operativa do SIN (Sistema Interligado Nacional).
Para reverter essa dinâmica e conferir maior previsibilidade aos investidores, a Abeeólica propõe que o plano nacional seja estruturado sob três pilares fundamentais para combater o curtailment, sendo o primeiro deles a publicação de um diagnóstico transparente e detalhado sobre as causas e regiões afetadas pelas restrições;
O segundo seria a adoção de critérios técnicos objetivos, padronizados e replicáveis para a classificação de cada evento de corte; e o terceiro envolveria a fixação de metas anuais auditáveis para a redução do desperdício de energia.
Transmissão, armazenamento e novas cargas na pauta do setor
Além das ações emergenciais contra o curtailment, o manifesto também elenca outras seis vertentes prioritárias para modernizar a matriz elétrica brasileira. No segmento de transmissão, a entidade cobra o fortalecimento institucional da EPE (Empresa de Pesquisa Energética) e a implementação de um planejamento de longo prazo que conecte as projeções de expansão da geração, da rede de transporte e do perfil de consumo.
No que tange ao armazenamento de energia, a ABEEólica aponta como urgente a consolidação definitiva do marco regulatório do setor. A defesa da entidade foca na criação de regras comerciais mais claras que viabilizem modelos de negócios para os sistemas de baterias, eliminem a cobrança duplicada (bitributação) pelo uso da rede de transmissão ou distribuição e criem mecanismos robustos de remuneração para os serviços ancilares prestados ao sistema.
Por fim, o documento sugere ainda a criação de políticas de atração para a instalação de grandes complexos de data centers, o incentivo ao desenvolvimento da indústria de hidrogênio de baixa emissão, o suporte à modernização tecnológica do agronegócio e a eletrificação do transporte público e de carga, para posicionar o Brasil como um polo global de industrialização verde.
Curtailment aumentou 21% em 2026
Dados do ONS (Operador Nacional do Sistema) apontam que o curtailment de usinas eólicas e solares cresceu cerca de 21% entre janeiro e agosto de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. A geração de energia não realizada das duas fontes passou de 3.42 GW médios em 2025 para 4.12 GW médios neste ano.
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