O Brasil poderá alcançar cerca de 7 GW em armazenamento de energia e outros 3 GW em mecanismos de resposta da demanda até 2035. A projeção foi apresentada por Thais Teixeira, consultora técnica da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), durante o Storage Leaders.
No evento, promovido pela ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica) na última semana, a profissional destacou que o avanço está diretamente ligado a um desafio crescente do setor elétrico: o aumento da variabilidade na geração, impulsionado pela expansão das fontes renováveis.
As projeções apresentadas por ela indicam que, até 2029, a carga líquida mínima do SIN (Sistema Interligado Nacional) poderá ser inferior à observada atualmente, ao mesmo tempo em que a rampa de carga tende a crescer, exigindo maior flexibilidade operacional para equilibrar oferta e demanda ao longo do dia.
Nesse contexto, cresce a necessidade por soluções de armazenamento de energia. Casos práticos apresentados no evento reforçam esse potencial, como em Registro (SP), onde um sistema BESS implantado em uma subestação foi essencial para evitar cortes de carga e estabilizar a tensão em períodos críticos.

Desafios
Apesar do potencial, profissionais do setor presentes no evento avaliaram que o desenvolvimento do armazenamento no Brasil ainda enfrenta entraves regulatórios, principalmente devido à ausência de um marco legal consolidado e de mecanismos adequados de remuneração pelos serviços prestados.
Nesse cenário, há expectativa em torno do LRCAP (Leilão de Reserva de Capacidade), previsto para 2026, que pode contratar cerca de 2 GW em baterias. Entidades do setor defendem, no entanto, ajustes estruturais, como a ampliação do prazo contratual e melhorias nos sinais de preço.
“A ausência de regras específicas, a dificuldade de remuneração adequada pelos múltiplos serviços prestados e limitações na estrutura de mercado ainda são barreiras importantes ao desenvolvimento do setor”, disse Rodrigo Sauaia, CEO da ABSOLAR.
Nesse sentido, o aprimoramento de um mercado de serviços ancilares, com produtos bem definidos e sinais de preço adequados, é visto pela ABSOLAR como fundamental para viabilizar modelos de negócio sustentáveis.
“Outras medidas como a inclusão do armazenamento no REIDI (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura) e a possibilidade de emissão de debêntures incentivadas são fundamentais para destravar investimentos e consolidar o Brasil como protagonista na nova onda tecnológica do setor elétrico global”, ressaltou Sérgio Jacobsen, vice-presidente eleito de Armazenamento da ABSOLAR.
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