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Agribusiness is responsible for 60% of Brazil's renewable energy, according to FGV.

Bioenergia ligada ao setor alcançou 97,8 milhões de toneladas equivalentes de petróleo em 2025, com crescimento de 16% em quatro anos

Agribusiness is responsible for 60% of Brazil's renewable energy, according to FGV.

Foto: Aegro/Divulgação

O agronegócio respondeu por aproximadamente 60% de toda a energia renovável ofertada no Brasil em 2025, segundo estudo do Observatório de Conhecimento e Inovação em Bioeconomia da Fundação Getulio Vargas (FGV). A bioenergia proveniente de atividades agropecuárias, agroindustriais e florestais alcançou 97,8 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (tep), o maior volume da série histórica analisada.

Entre 2021 e 2025, a oferta de bioenergia associada ao setor cresceu cerca de 16%, passando de 84,2 milhões para 97,8 milhões de tep. No mesmo período, a oferta total de energia renovável no país aumentou de 136,7 milhões para 162,3 milhões de tep.

Os dados mostram que a contribuição do agronegócio vai além da produção de alimentos e matérias-primas. O setor também fornece energia para abastecer a indústria, movimentar o transporte e contribuir para a geração de eletricidade.

Bioenergia representa quase 30% da matriz energética

De acordo com o levantamento da FGV, a bioenergia vinculada ao agronegócio representou 29,8% da oferta interna de energia brasileira em 2025. Isso significa que quase três em cada dez unidades de energia ofertadas no país tiveram origem em fontes associadas às cadeias agropecuárias, agroindustriais e florestais.

Entre as principais fontes estão o bagaço e outros derivados da cana-de-açúcar, o etanol, o biodiesel, a lenha de florestas plantadas, os óleos vegetais e o biogás produzido a partir de resíduos agropecuários.

O levantamento também considera subprodutos industriais, como a lixívia, gerada no processo de fabricação de papel e celulose e utilizada para produzir energia.

A participação dessas fontes aumentou ao longo das últimas décadas. Em 1970, a bioenergia associada ao agronegócio correspondia a 9,7% da oferta interna de energia do país. O crescimento foi impulsionado, entre outros fatores, pela expansão do etanol, pela adoção dos veículos flex, pelo biodiesel e pelo aproveitamento energético de resíduos industriais.

Indústria e transportes estão entre os principais consumidores

A bioenergia do agronegócio tem presença importante em setores industriais que demandam grandes quantidades de calor e vapor. Indústrias de alimentos e bebidas, papel e celulose, cerâmica e metalurgia utilizam biomassa e subprodutos de seus processos como fontes de energia.

No transporte, o etanol e o biodiesel ampliam a participação dos biocombustíveis na matriz energética brasileira. Já na indústria sucroenergética e em unidades de papel e celulose, o aproveitamento de resíduos permite produzir eletricidade e calor para consumo próprio e, em determinados casos, fornecer energia à rede.

Essa diversidade de aplicações ajuda a explicar por que a contribuição do agronegócio representa uma parcela tão expressiva da oferta renovável brasileira.

Dependência de combustíveis fósseis ainda é um desafio

Apesar da relevância na produção de energia renovável, o agronegócio ainda depende de combustíveis fósseis para parte de suas operações.

A análise de consumo da FGV, baseada em dados de 2022, indica que 73% da energia utilizada diretamente pela agropecuária brasileira veio de fontes fósseis, principalmente diesel. O percentual ficou ligeiramente acima da média mundial, de 70%.

Entre as alternativas apontadas pelo estudo estão ampliar o uso de biodiesel, etanol e biometano em veículos pesados, eletrificar operações no campo e melhorar a eficiência energética.

A expansão dessas soluções, porém, depende de investimentos em infraestrutura elétrica rural, avanços tecnológicos e condições para aproveitar resíduos agropecuários em escala comercial.

Os resultados mostram que o agronegócio desempenha dois papéis na transição energética brasileira: é um importante fornecedor de energia renovável, mas também tem oportunidades para reduzir o uso de combustíveis fósseis em sua própria cadeia produtiva.

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Antonio Carlos Sil
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Antonio Carlos Sil

Antonio Carlos Sil is a journalist graduated from FMU/FIAM. He worked as a reporter for Brasil Energia, in addition to providing services to Agência Estado, Exame and Canal Energy. Worked in communications consultancies for CPFL Energia, CESP and AES Tietê. Has covered the electricity sector since 2000. Has experience covering events such as energy auctions, conventions, lectures, fairs, congresses and seminars.

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