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MMGD reduz perdas e adia investimentos na rede, aponta estudo da ABGD

Levantamento inédito apresentado à ANEEL revela que impactos críticos atingem apenas 3% das redes

Canal Solar - GD reduz perdas e adia investimentos na rede, aponta estudo da ABGD

Foto: Leandro Avelar/Click Solar

A MMGD (Micro e Minigeração Geração Distribuída) no Brasil não apenas é compatível com o sistema elétrico atual, como também promove a redução de perdas técnicas e posterga a necessidade de investimentos em infraestrutura de rede.

Essas são algumas das principais conclusões de um estudo técnico inédito apresentado pela ABGD (Associação Brasileira de Geração Distribuída) à ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica).

A contribuição atende à  Lei 14.300/2022, que estabeleceu que o CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) e o órgão regulador elaborassem as diretrizes e a regulação dos custos e benefícios da MMGD.

A análise, que utilizou uma base formidável de dados para retratar a realidade brasileira, demonstra que a maior parte das redes de distribuição opera com níveis de penetração de energia solar e outras fontes renováveis que são amplamente benéficos para a operação do sistema.

O trabalho técnico foi desenvolvido pela MRST Consultoria e Engenharia, contando com a colaboração direta de especialistas renomados do setor elétrico e pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo).

Para garantir que os resultados fossem estatisticamente precisos e livres de distorções causadas por casos isolados, os pesquisadores basearam-se no banco da própria agência reguladora.

A metodologia empregada utilizou o agrupamento de redes representativas, permitindo reproduzir com fidelidade o comportamento elétrico de 27 mil alimentadores de rede primária e de quase 6 milhões de redes secundárias espalhadas por todo o território nacional.

Mitos da alta penetração

Durante a exposição dos dados na ANEEL, conduzida pelo conselheiro da ABGD, José Wanderley Marangon, foi demonstrado que a narrativa de que a geração distribuída sobrecarrega as redes não encontra sustentação nos dados globais.

Segundo o levantamento, a grande maioria das redes brasileiras ainda possui baixa ou média penetração de GD, e muitas delas sequer possuem sistemas de micro ou minigeração instalados. “Quando a penetração é baixa ou média, a geração próxima à carga traz benefícios, reduz perdas e posterga investimentos”, afirmou Marangon durante a apresentação.

O estudo identifica que situações classificadas como críticas são exceções e aparecem apenas em cenários de alta penetração, que ainda são pouco frequentes no Brasil. Os dados revelam que apenas cerca de 3% das redes secundárias em todo o país apresentam alta penetração de geração própria.

O ponto central defendido pela ABGD é que não é estatisticamente razoável condenar todo o segmento de geração distribuída com base em casos extremos que representam uma fração mínima do sistema.

Além disso, mesmo nessas condições de alta concentração, o estudo não observou violações relevantes de restrições elétricas que pudessem comprometer a integridade da rede.

Inversão de fluxo e critérios técnicos

Um dos temas mais debatidos atualmente no setor elétrico, a chamada inversão de fluxo de potência, também foi abordado com profundidade no relatório entregue à agência. A ABGD defende que a inversão de fluxo não deve ser considerada um problema por si só.

Para a entidade, o foco da regulação e da fiscalização deve estar em critérios técnicos que realmente impactam o consumidor final, como os níveis de tensão, o carregamento dos equipamentos e a qualidade do fornecimento de energia.

O estudo sugere que o tratamento de eventuais gargalos deve ser local e específico, em vez de uma abordagem generalizada que possa desestimular novos investimentos.

Quando a rede passa a funcionar como uma coletora de geração — função para a qual originalmente não foi projetada — podem surgir inconvenientes operacionais, mas o estudo aponta caminhos claros para a solução.

Nestes casos pontuais, a solução reside em investimentos em sistemas de proteção, controle de tensão e expansão da capacidade de transformação, sendo que as tecnologias de armazenamento surgem como o principal aliado para neutralizar efeitos nocivos e maximizar os benefícios ao sistema.

 O papel estratégico das baterias

A integração entre a geração própria e as tecnologias de armazenamento é vista como o próximo passo natural da evolução do setor. O estudo ressalta que o uso de baterias estacionárias, aliado à utilização das baterias dos próprios veículos elétricos, tende a resolver grande parte dos desafios operacionais que surgem com o crescimento da geração renovável descentralizada.

Este processo de transformação tecnológica permite que a geração próxima à carga colabore não apenas com a distribuição local, mas também com o sistema de transmissão, desde que haja o devido controle operativo.

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Antonio Carlos Sil
Sobre o autor
Antonio Carlos Sil

Antonio Carlos Sil é jornalista formado pela FMU/FIAM. Atuou como repórter pela Brasil Energia, além de serviços prestados para Agência Estado, Exame e Canal Energia. Trabalhou em assessorias de comunicação da CPFL Energia, CESP e AES Tietê. Cobre setor elétrico desde 2000. Possui experiência na cobertura de eventos, como leilões de energia, convenções, palestras, feiras, congressos e seminários.

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