O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) está desenvolvendo uma nova ferramenta para reforçar a segurança operativa do sistema elétrico brasileiro diante da elevação da frequência da rede em períodos de alta geração solar e baixo consumo de energia.
A proposta prevê a criação de uma espécie de “segunda linha de defesa”, baseada no corte comandado de geração em situações nas quais, após a solicitação de interrupção momentânea da produção, a distribuidora não ter conseguido reduzir o montante solicitado pelo Operador.
A medida foi detalhada nesta quarta-feira (17) pelo diretor de Planejamento do ONS, Alexandre Zucarato, durante um evento realizado no Hotel Windsor Oceânico, no Rio de Janeiro (RJ).
Segundo ele, o principal objetivo é, em casos excepcionais, evitar desequilíbrios no SIN (Sistema Interligado Nacional) provocados pelo aumento da geração solar fotovoltaica em períodos de baixo consumo da sociedade, cenário geralmente enfrentados em finais de semana e feriados ensolarados.
Nessas situações, a organização afirma que a frequência elétrica tem potencial para uma grande geração, elevando as chances de desequilíbrio no sistema e que podem ocasionar outros reflexos, mas que a solução proposta reduz justamente as chances de grandes impactos.
Como a proposta deve funcionar?
Atualmente, o sistema elétrico brasileiro conta com o Erac (Esquema Regional de Alívio de Carga), mecanismo que atua de forma automática reduzindo o consumo de energia quando há déficit de geração e a frequência da rede começa a cair.
A proposta em estudo pelo ONS atua complementarmente: em vez de cortar carga quando falta energia, o novo esquema prevê o corte comandado de geração quando for detectada probabilidade de excesso de oferta.
O funcionamento será baseado em três etapas:
- Monitoramento contínuo: dispositivos automáticos acompanharão em tempo real o comportamento da frequência da rede elétrica;
- Atuação automática: caso os cortes preventivos realizados pelos operadores não sejam suficientes, o sistema poderá desligar parte da geração de forma automática;
- Aplicação inicial: a medida deverá ser direcionada inicialmente à minigeração solar remota conectada “à frente do medidor”.
“Tem um perímetro de usinas que serão cortadas manualmente. Se isso não for suficiente, [se] a frequência começar a subir, automaticamente o dispositivo enxerga a subida de frequência e corta [a geração] de acordo com um critério”, afirmou Zucarato.
Segundo o diretor, a prioridade inicial será a micro e minigeração remota, modalidade que concentra um número crescente de usinas conectadas às redes de distribuição.
Plano emergencial já utilizado
O ONS já conta atualmente com um plano emergencial para reduzir a geração de usinas classificadas como Tipo III – grupo formado principalmente por PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas), usinas de biomassa e outros empreendimentos conectados diretamente às redes de distribuição.
O mecanismo foi acionado pela primeira vez neste mês e, segundo Zucarato, pode ser utilizado com maior frequência à medida que a participação das fontes renováveis continua crescendo no sistema.
Nesse contexto, este mecanismo de corte de geração funcionaria como uma camada adicional de proteção, permitindo respostas mais rápidas a eventos de excesso de oferta e reduzindo o risco de instabilidades capazes de comprometer a operação do SIN (Sistema Interligado Nacional).
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